O Republicanos decidiu, nesta terça-feira (4), adotar uma posição de neutralidade na eleição presidencial de 2026. A decisão foi confirmada durante convenção nacional da legenda e significa que o partido não terá candidatura própria à Presidência da República, não apoiará formalmente nenhum dos candidatos no primeiro turno e não integrará coligação nacional na disputa majoritária. Saiba mais na TVT News.
A definição representa um revés para a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tentava aproximar o Republicanos de sua candidatura e chegou a trabalhar com a possibilidade de ter a economista Daniella Marques, filiada à legenda, como candidata a vice-presidente. Com a decisão, essa possibilidade perde força, e o PL deve concentrar esforços na escolha de um nome de seu próprio partido para completar a chapa.
Segundo o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, a decisão foi tomada após consultas às executivas estaduais.
Dos 27 diretórios, 17 manifestaram preferência pela independência, enquanto nove defenderam o apoio ao senador Flávio Bolsonaro e apenas um indicou preferência pela candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em nota, o partido afirmou que a posição de independência reflete a diversidade de sua estrutura nacional e busca preservar as diferentes alianças construídas pelas lideranças estaduais. A legenda também destacou que a neutralidade não significa ausência de posicionamento político, mas uma estratégia para manter a unidade partidária e a autonomia dos diretórios.
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Decisão dos Republicanos impacta campanha de Flávio Bolsonaro nos palanques regionais e busca de vice
A decisão aumenta as dificuldades enfrentadas por Flávio Bolsonaro na montagem de sua chapa presidencial. O senador já havia tentado atrair a federação União Brasil-PP para sua candidatura, sem sucesso. Também chegou a convidar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para ocupar a vice, mas a aliança nacional não avançou.
A expectativa agora é que o PL busque um nome interno para completar a chapa, formando uma candidatura sem um partido aliado na vice-presidência. Outra possibilidade é uma aproximação com o Podemos, presidido pela deputada Renata Abreu. A legenda deve definir sua posição sobre uma eventual aliança com o PL até esta quarta-feira (5), mas a expectativa é de que também adote uma posição de neutralidade nacional.
O isolamento de Flávio Bolsonaro também se manifesta na dificuldade de ampliar sua base partidária. A tentativa de obter o apoio do Republicanos era considerada estratégica pela possibilidade de agregar uma legenda com presença nacional e facilitar a construção de alianças e palanques regionais.
Posição dos Republicanos dá margem de manobra para Lula
Para a candidatura de Lula, a neutralidade do Republicanos representa a manutenção de espaço para alianças regionais. Embora a legenda não tenha decidido apoiar formalmente o presidente no primeiro turno, a ausência de uma aliança nacional com Flávio Bolsonaro impede que o PL amplie sua frente partidária com o apoio do Republicanos.
A posição também permite que dirigentes estaduais do partido mantenham alianças diferentes conforme os cenários locais. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), é considerado um dos principais defensores da neutralidade. Na Paraíba, o deputado pretende fazer campanha ao lado de Lula.
A estratégia também atende a interesses eleitorais de lideranças do Republicanos em diferentes regiões do país. Uma adesão nacional a Flávio Bolsonaro poderia provocar conflitos internos e dificultar a eleição de deputados da legenda em estados onde a candidatura de Lula possui maior força.
Decisão pode mudar no segundo turno
Apesar da neutralidade no primeiro turno, a convenção nacional delegou à Executiva Nacional do Republicanos a possibilidade de tomar decisões futuras. Isso significa que o partido poderá definir um apoio no segundo turno, caso a disputa presidencial chegue a essa etapa.
A estratégia permite à legenda preservar sua liberdade de negociação ao longo da eleição e evitar, neste momento, um compromisso nacional que possa prejudicar candidaturas proporcionais e alianças estaduais.
A decisão também reforça a prioridade do Republicanos em ampliar sua representação no Congresso Nacional. Na nota divulgada após a convenção, a legenda afirmou que pretende aumentar suas bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado e manter influência nas decisões nacionais.
Ao justificar a neutralidade, o partido citou ainda a defesa da democracia, da liberdade, da responsabilidade fiscal, do fortalecimento das instituições, da segurança jurídica e do desenvolvimento econômico e social