Artistas de diferentes áreas da cultura brasileira passaram a ocupar as redes sociais e os palcos com manifestações públicas de apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição. Nas últimas semanas, nomes como Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Malu Mader declararam voto no presidente repetindo a frase “Bora, Lula”.
A movimentação reúne nomes da música, televisão, cinema e teatro e ocorre a menos de três semanas do primeiro turno das eleições de 2026. Também há mobilizações voltadas a candidaturas ao Senado e ações relacionadas ao debate sobre as apostas online, tema que ganhou espaço nas redes sociais após o governo federal discutir novas restrições às bets.
Artistas que apoiam Lula: veja os principais pontos
- Artistas declararam voto em Lula: Maria Bethânia, Caetano Veloso, Malu Mader e outros nomes da cultura manifestaram publicamente apoio ao presidente. Bethânia declarou durante um show: “Eu voto Lula presidente”.
- O que os artistas falaram: as manifestações abordam temas como democracia, cultura, produção audiovisual, geração de empregos e valorização da produção cultural brasileira.
- A estratégia de vira voto voltou ao debate: a campanha “Vira Voto”, com artistas em apoio a Lula, voltou às redes.
- Apostas online também entraram no debate: artistas e movimentos culturais já haviam se mobilizado contra as bets, enquanto o governo Lula discute novas medidas para restringir jogos e publicidade do setor.
Artistas ampliam os apoios a Lula
A mobilização mais recente ganhou força com vídeos publicados pelo perfil 342 Artes. Em uma das gravações, artistas aparecem individualmente repetindo a frase “Bora, Lula”, em uma manifestação coletiva de apoio à candidatura à reeleição.
Participam do vídeo Xamã, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Sophie Charlotte, Jota.pê, Malu Mader, Leona Cavalli, Giovanna Nader, Paulinho da Viola, Zezé Polessa, Maria Flor, Betty Gofman, Fernanda Abreu, Duda Beat, Paula Burlamaqui, Tony Bellotto e Enrique Díaz.
A iniciativa reúne artistas de diferentes gerações e segmentos da cultura brasileira. O coletivo 342 Artes é associado a mobilizações políticas envolvendo integrantes da classe artística e também participou da campanha “Vira Voto” nas eleições de 2022 e, recentemente, levou o povo às ruas contra PEC da Blindagem.
Além do vídeo coletivo, artistas fizeram manifestações individuais. Maria Bethânia declarou voto em Lula durante apresentação no Coala Festival, em São Paulo, no dia 12 de setembro. A cantora fez o gesto de “L” com a mão e disse: “Eu voto Lula presidente”.
No dia seguinte, Caetano Veloso também fez o gesto de “L” durante um show no Distrito Federal e declarou apoio ao presidente.
Malu Mader relaciona voto em Lula à política cultural
A atriz Malu Mader também declarou voto em Lula em um vídeo publicado nas redes sociais em 17 de setembro.
Na gravação, a atriz relacionou sua posição política à retomada da produção audiovisual brasileira. Ela afirmou que voltou a ver filmes sendo produzidos e empregos sendo gerados no setor cultural.
Malu também relatou ter vivido um período em que, segundo sua avaliação, artistas foram tratados como “inimigos” e projetos culturais ficaram parados. Para a atriz, a produção cultural está relacionada ao trabalho, à economia e à identidade do país.
Artistas também apoiam candidaturas ao Senado
A mobilização do 342 Artes não se restringe à disputa presidencial. Gilberto Gil, Caetano Veloso e Paulinho da Viola participaram de vídeos de apoio a candidaturas femininas ao Senado.
Entre os nomes apoiados estão Marina Silva, candidata ao Senado por São Paulo, Eliziane GAma, candidata pelo Maranhão e Manuela d’Avila pelo Rio Grande do Sul. Nos vídeos divulgados nas redes sociais, os três artistas destacam a trajetória da candidata e defendem maior presença de mulheres na política.
A participação de artistas em campanhas eleitorais amplia uma prática que já esteve presente em diferentes eleições, quando nomes conhecidos da música, do cinema e da televisão utilizaram suas redes e apresentações públicas para declarar suas preferências políticas.
Artistas fazem campanha de vira voto
Nas redes sociais, o engajamento foi além das declarações formais de voto. Os artistas têm usado suas plataformas e sua influência para participar ativamente do movimento “vira voto”. O objetivo é alcançar eleitores indecisos e promover o diálogo sobre a importância da participação popular e da defesa da cultura.
Campanha contra bets toma conta das redes sociais
A campanha contra a publicidade de casas de apostas, conhecidas como bets, ganhou destaque nas redes sociais após o presidente Lula defender medidas de restrição ao setor.
Lula falou sobre o impacto das bets e alertou para o endividamento causado pelas apostas. “É como se fosse uma droga. As bets não podem ser tratadas como diversão quando estão levando pessoas ao endividamento”, declarou o presidente.
Os clubes de futebol reagiram com uma nota conjunta, afirmando que as medidas representariam um “golpe fatal” no esporte. Entre os clubes que aderiram ao manifesto estão Grêmio, Santos, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Flamengo, Cruzeiro, Fluminense, Vasco, Botafogo e Chapecoense.
A reação dos torcedores foi dura. Uma análise de 90.123 interações (X + Instagram) sobre o posicionamento dos clubes mostrou que 88% criticaram a defesa das bets, enquanto apenas 5,1% manifestaram apoio. Cerca de 19,6% das respostas mencionaram a dependência financeira ou o interesse econômico dos clubes, e 13,5% fizeram referência aos impactos sociais das apostas, como vício, endividamento e efeitos sobre famílias.
A possibilidade de restrição gerou forte reação no meio esportivo. Os principais clubes de futebol do país lançaram uma nota conjunta em defesa dos patrocínios milionários das casas de apostas. No entanto, a posição dos dirigentes esportivos foi duramente criticada pelas próprias torcidas.
Nas redes sociais, o cenário se inverteu: torcedores e influenciadores digitais demonstraram forte apoio às medidas estudadas por Lula contra as bets. O público tem apontado os graves problemas financeiros e sociais causados pelo vício em jogos de azar, reforçando que a saúde pública e a economia popular devem estar acima dos interesses de patrocínio das equipes.