Augusto Cury oficializa candidatura a presidente

Em convenção do Avante, escritor e psiquiatra defende o semipresidencialismo e disse que convidaria Tarcísio de Freitas para chefiar o governo
Cury defendeu "pacto nacional" envolvendo governos, empresários e especialistas. Foto: Divulgação/Avante

O escritor e psiquiatra Augusto Cury foi oficializado nesta segunda-feira (3) como candidato à Presidência da República pelo Avante, durante convenção nacional realizada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). A legenda confirmou sua entrada na disputa eleitoral de outubro de 2026, mas ainda não definiu quem ocupará a vaga de vice na chapa, a apenas dois dias do encerramento do prazo para as convenções partidárias. Saiba mais na TVT News.

O principal destaque do evento foi a defesa feita por Cury da adoção do semipresidencialismo no Brasil. Segundo o candidato, caso seja eleito, pretende propor uma mudança no sistema de governo para dividir as funções do Poder Executivo entre um presidente da República e um primeiro-ministro. Para esse eventual cargo, Cury afirmou que seu nome preferido seria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“Se eu tiver o privilégio de sentar na cadeira de presidente, provocaria o Brasil para mudar o regime presidencialista para o regime semipresidencialista”, declarou. Em seguida, acrescentou que “o primeiro-ministro que está no meu radar, que eu teria o privilégio de convidar, se chama Tarcísio de Freitas”.

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A proposta chamou atenção porque Tarcísio é candidato à reeleição ao governo paulista e integra um campo político diferente do Avante na disputa presidencial. O governador apoia oficialmente a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto e, durante a convenção, evitou qualquer gesto de adesão ao projeto presidencial de Cury.

Ao discursar, Tarcísio limitou-se a elogiar a decisão do escritor de disputar a Presidência e desejou sucesso na campanha. “Você, que é uma pessoa consagrada, que se lança à Presidência da República, a gente está aqui para desejar boa sorte nessa caminhada”, afirmou.

Além de Tarcísio, participaram da convenção o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o presidente da Alesp, André do Prado (PL), ambos também alinhados à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. O Avante, por sua vez, formalizou durante o encontro o apoio à reeleição do governador paulista, reforçando a proximidade da legenda com sua administração estadual.

Campanha contra a polarização

Em seu discurso, Augusto Cury procurou apresentar sua candidatura como uma alternativa ao cenário político polarizado. O escritor afirmou que pretende disputar a eleição apenas uma vez e disse não ter interesse em construir carreira política.

“Eu sou a única candidatura que quer dar um choque de lucidez na política. Não quero fazer carreira política, vou colocar meu nome dessa vez”, afirmou.

O candidato também criticou o ambiente de radicalização política vivido pelo país nos últimos anos e defendeu um “pacto nacional” envolvendo governos, empresários e especialistas.

Segundo Cury, “o país adoeceu porque polarizou-se de maneira radical”, provocando divisões dentro das próprias famílias brasileiras.

Saúde mental e educação como prioridades

Conhecido internacionalmente pelos livros voltados ao desenvolvimento emocional e à psicologia, Augusto Cury afirmou que sua campanha será baseada principalmente em propostas para saúde mental, educação e políticas voltadas às pessoas neurodivergentes.

Durante entrevista antes da convenção, ele declarou que pretende ampliar programas destinados a esse público e citou a existência de “32 milhões de brasileiros neurodivergentes”. Entretanto, esse número não é respaldado por estatísticas oficiais consolidadas.

O Censo Demográfico de 2022 identificou cerca de 2,4 milhões de brasileiros diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA), mas não há levantamento nacional que reúna diagnósticos de outras condições, como TDAH, dislexia e demais transtornos do neurodesenvolvimento. Dessa forma, a estimativa mencionada pelo candidato não pode ser confirmada por dados públicos oficiais.

Na área da educação, Cury defendeu a expansão do ensino em tempo integral e da formação técnica no ensino médio. O escritor também prometeu promover uma “era de ouro” para a educação brasileira e afirmou que os professores são os “cozinheiros do conhecimento”, responsáveis por formar emocional e intelectualmente as futuras gerações.

Ainda segundo ele, a escola precisa incorporar políticas voltadas à prevenção da ansiedade, do bullying e do suicídio entre jovens.

Vice permanece indefinido

Apesar da oficialização da candidatura, o Avante ainda não anunciou quem será o vice-presidente da chapa.

Questionado sobre o tema, Cury afirmou que existe a possibilidade de o posto ser ocupado por uma mulher, mas reconheceu que as negociações ainda estão em fase inicial.

O candidato também confirmou que manteve conversas com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) para tentar construir uma candidatura única da direita alternativa ao bolsonarismo. Segundo ele, as tratativas perderam força após não haver retorno das conversas mais recentes.

“Parece que não evoluiu”, afirmou, acrescentando que a hipótese está “quase descartada”.

Apesar disso, Cury disse continuar considerando uma eventual parceria futura como uma possibilidade positiva para o país.

Quem é Augusto Cury

Natural de Colina, no interior paulista, Augusto Cury tem 67 anos e construiu carreira como médico psiquiatra e escritor. Tornou-se um dos autores brasileiros mais conhecidos do segmento de desenvolvimento pessoal e inteligência emocional.

Segundo informações divulgadas pelo próprio candidato, seus livros foram publicados em dezenas de países e venderam milhões de exemplares no Brasil, tornando-o um dos autores nacionais mais lidos das últimas décadas.

Agora, o escritor estreia na política eleitoral como candidato à Presidência da República pelo Avante. De acordo com levantamento BTG/Nexus divulgado nesta segunda-feira, Cury aparece com 1% das intenções de voto no primeiro turno.

Com a candidatura homologada, o Avante terá até 15 de agosto para registrar oficialmente a chapa na Justiça Eleitoral. Até lá, permanece a expectativa sobre a definição do vice e sobre a estratégia que a legenda adotará para ampliar a visibilidade de uma candidatura que busca se apresentar como alternativa ao atual cenário de polarização política.

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