Múcio diz que Brasil não teria como enfrentar invasão dos EUA

O ministro Múcio afirmou que o Brasil não possui equipamentos para enfrentar os Estados Unidos e voltou a defender mais recursos para as FA
Brasília (DF) 04/05/2023 Ministro da Defesa, José Mucio, e os comandantes da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, do Exército, general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, e da FAB, r Marcelo Kanitz Damasceno na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional duranteFoto Lula Marques/ Agência Brasil.

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou que o Brasil não teria condições de enfrentar militarmente os Estados Unidos em um cenário hipotético de invasão. Leia em TVT News.

A declaração foi feita nesta terça-feira (4), durante participação em um evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, quando defendia a necessidade de ampliar os investimentos destinados às Forças Armadas e garantir maior previsibilidade orçamentária para projetos estratégicos da área.

Ao relatar uma pergunta que teria recebido de um jornalista sobre como reagiria caso os Estados Unidos decidissem invadir o Brasil, Múcio respondeu em tom de brincadeira que “abriria o portão”. A fala provocou risos entre os presentes.

“Dia desses um jornalista me perguntou: ‘Se os Estados Unidos quiserem invadir o Brasil, o que o senhor faz como ministro da Defesa?’ Abrir o portão, porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão”, afirmou.

A declaração ocorreu antes da decisão do governo norte-americano de revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington, em um contexto de tensões diplomáticas entre os dois países.

Apesar do tom descontraído da resposta, o ministro utilizou o exemplo para sustentar um argumento recorrente de sua gestão: a necessidade de ampliar os recursos destinados à Defesa Nacional. Segundo Múcio, o Brasil investe menos do que seria necessário para manter projetos estratégicos e acompanhar a evolução tecnológica do setor.

Durante sua participação no evento, ele destacou que defender mais recursos para a área militar nem sempre é uma tarefa simples em um país que ainda enfrenta desafios históricos em áreas como saúde, educação, moradia e assistência social.

“Você chega a não ter coragem de pedir esse dinheiro porque o Brasil precisa de outras oportunidades“, afirmou.

Defesa como investimento de longo prazo

Na avaliação do ministro, fortalecer a Defesa Nacional não significa preparar o país para conflitos militares, mas assegurar capacidade tecnológica, industrial e estratégica.

Para ilustrar sua posição, Múcio comparou os investimentos militares à contratação de um plano de saúde.

“Investir em defesa é como um plano de saúde. A gente escolhe o melhor torcendo para não precisar usar.”

Segundo ele, o fortalecimento da estrutura de defesa deve ser encarado como uma política permanente de Estado, capaz de garantir estabilidade para projetos que demandam anos de desenvolvimento e elevados investimentos.

O ministro também ressaltou que equipamentos militares, como submarinos e aeronaves de combate, exigem planejamento de longo prazo, tanto na aquisição quanto na manutenção. Por isso, defendeu que o orçamento destinado à área tenha maior previsibilidade, evitando interrupções em programas considerados estratégicos.

De acordo com Múcio, esse debate vem sendo levado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aos demais integrantes do governo federal, com o objetivo de assegurar continuidade aos investimentos na indústria nacional de defesa.

Indústria de defesa e planejamento orçamentário

Ao defender mais investimentos para o setor, José Múcio afirmou que o fortalecimento das Forças Armadas também representa um estímulo ao desenvolvimento tecnológico e industrial do país. Segundo o ministro, diversos projetos militares têm capacidade de impulsionar a produção nacional e ampliar a presença brasileira no mercado internacional de equipamentos de defesa.

Durante a palestra, ele citou que o Brasil trabalha para expandir a exportação de produtos desenvolvidos pela indústria nacional, como submarinos, aeronaves e veículos blindados. Na avaliação do ministro, esse segmento reúne inovação tecnológica, geração de empregos qualificados e fortalecimento da capacidade produtiva nacional.

O Brasil hoje se prepara para exportar submarinos, aviões e blindados“, declarou.

Múcio também voltou a defender maior estabilidade no orçamento destinado à Defesa. Segundo ele, programas estratégicos costumam ser executados ao longo de vários anos e dependem de previsibilidade financeira para evitar atrasos ou interrupções.

O ministro afirmou que tem tratado do tema com frequência junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes da equipe econômica, buscando assegurar continuidade aos projetos considerados estruturantes para as Forças Armadas.

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