Eleitores independentes aprovam postura de Lula no caso Lulinha, afirma Instituto DX

Levantamento qualitativo mostra que fala sobre o filho é recebida como institucional e adequada.
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Pesquisas medem a popularidade do presidente Lula - Foto: Ricardo Stuckert / PR

A décima terceira rodada do Instituto DX com eleitores independentes mostra que a postura adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante das investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foi avaliada de forma positiva pelos participantes. Leia em TVT News.

O levantamento indica, porém, que a aprovação da conduta do presidente não significa que as suspeitas tenham sido descartadas. O grupo mantém desconfiança sobre possíveis favorecimentos, mas considera adequada a defesa pública de Lula de que a Polícia Federal deve investigar os fatos e responsabilizar eventuais envolvidos.

A pesquisa qualitativa ouviu eleitores chamados pelo Instituto DX de “pendulares”, pessoas que não apresentam uma decisão consolidada para a disputa presidencial de 2026. Segundo o levantamento, esse público acompanha os acontecimentos políticos de forma comparativa e tende a avaliar candidatos a partir de postura, confiança, propostas, comportamento e percepção de risco.

Nesta rodada, as investigações envolvendo Lulinha e suspeitas relacionadas a Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, ocuparam parte relevante das discussões. O conhecimento sobre os casos, contudo, apareceu de maneira ainda difusa. Os participantes demonstraram ter visto ou ouvido notícias sobre as investigações, mas poucos relataram domínio sobre detalhes dos inquéritos ou dos fatos investigados.

Esse baixo nível de informação deixa espaço para interpretações diferentes. Parte dos participantes considera possível que a Polícia Federal esteja agindo de maneira mais lenta por causa do calendário eleitoral. A percepção não aparece necessariamente como uma acusação de ilegalidade comprovada, mas como uma desconfiança sobre a influência que o período eleitoral poderia exercer sobre a velocidade das investigações.

Postura de Lula, para eleitores, pareceu adequada

Mesmo nesse cenário, a maneira como Lula se posicionou foi considerada adequada. Para os eleitores ouvidos, o presidente adotou uma linguagem compatível com o cargo ao afirmar que, caso haja responsabilidade por crimes, o filho deve responder pelos próprios atos.

A avaliação positiva está associada também à comparação com Jair Bolsonaro. Os participantes consideram que Lula demonstra maior controle sobre as próprias declarações e capacidade de administrar crises politicamente. O grupo reconhece que pode existir cálculo eleitoral por trás da manifestação pública do presidente, mas entende que, diante do cargo que ocupa, a postura institucional é mais importante.

O levantamento aponta, portanto, uma distinção entre a fala pública de Lula e a confiança sobre aquilo que pode ocorrer nos bastidores. Alguns participantes disseram acreditar que um pai pode tentar proteger o próprio filho, mas ressaltaram que isso não deveria interferir na atuação das instituições.

Para esse eleitorado, a melhor estratégia de Lula seria manter a mesma linha: defender a autonomia da Polícia Federal, evitar interferências e não prolongar excessivamente o assunto. A percepção é de que explicações em excesso poderiam aumentar a desconfiança, enquanto uma postura serena e institucional ajuda a conter o desgaste.

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Lula tratou do caso do filho no Podcast Inteligência Ltda. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Lulinha gera ruído, mas não rompe confiança em relação a Lula

As investigações envolvendo Lulinha representam uma vulnerabilidade para Lula, principalmente porque ampliam a cobrança sobre as pessoas que fazem parte de seu círculo próximo. O problema identificado pelos participantes não é necessariamente a atribuição de responsabilidade direta ao presidente, mas a sucessão de episódios envolvendo pessoas próximas a ele.

O caso de Marcola reforça essa preocupação. Os participantes consideraram adequada a decisão de afastar o ex-assessor e defender a investigação, mas também questionaram até que ponto Lula consegue controlar ou acompanhar a atuação de pessoas que integram seu entorno.

A avaliação sobre o caso do Lulinha segue lógica semelhante. Os eleitores ouvidos entendem que parentes e pessoas próximas ao presidente precisam responder individualmente por eventuais irregularidades. Ao mesmo tempo, consideram que a repetição de episódios envolvendo integrantes do entorno pode afetar a imagem do governo.

A comparação com outros casos de corrupção também aparece no levantamento. Os participantes colocam de um lado as suspeitas envolvendo Lulinha e pessoas ligadas ao caso do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e, de outro, as acusações e suspeitas relacionadas ao Banco Master, ao empresário Daniel Vorcaro e a Flávio Bolsonaro.

Na percepção dos entrevistados, o caso Master continua produzindo maior desgaste para Flávio Bolsonaro. O motivo apontado é a percepção de maior proximidade do senador com o episódio, além da dimensão financeira atribuída ao caso e das dúvidas sobre suas explicações públicas.

O caso envolvendo o INSS, por sua vez, apresenta outro componente moral. A possível existência de irregularidades que afetem aposentados e idosos é vista como especialmente sensível. Ainda assim, os participantes consideram que, até o momento testado pelo Instituto DX, a ligação entre Lula e os fatos investigados aparece mais distante do que a relação percebida entre Flávio e o caso Master.

Flávio enfrenta desgaste entre os eleitores pendulares

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Extrema direita se une para interferir nas eleições brasileiras. Foto: Beto Barata/PL

A avaliação do cenário eleitoral também favorece Lula no recorte analisado pelo Instituto DX. A maioria dos participantes demonstrou inclinação pelo atual presidente, mas a pesquisa indica que isso ocorre principalmente por comparação com Flávio Bolsonaro, e não por uma adesão política irrestrita ao petista.

O desejo de mudança permanece presente. Entretanto, os eleitores ouvidos demonstram dificuldade em transformar essa vontade em confiança na candidatura de Flávio.

O senador é descrito no levantamento como um candidato cercado por controvérsias, com dificuldade para apresentar propostas reconhecidas pelo público e para construir alianças. O isolamento político também é interpretado como sinal de fragilidade eleitoral.

A escolha de Alfredo Gaspar para ocupar a vice-presidência na chapa aparece como outro fator negativo. Entre os participantes, a indicação provocou forte reação por causa da denúncia mencionada no material do Instituto DX. A percepção de incoerência com o discurso bolsonarista de defesa da família aumentou o desgaste.

Michelle Bolsonaro é apontada pelos participantes como uma alternativa eleitoralmente mais forte para a vice. A ex-primeira-dama é associada a maior capacidade de diálogo com mulheres e evangélicos. Ao mesmo tempo, os entrevistados consideram pouco provável uma composição desse tipo, devido ao desgaste percebido na relação entre Michelle e Flávio e à avaliação de que ela possui força política própria.

O levantamento também registra uma avaliação negativa sobre a ausência de propostas identificadas na candidatura de Flávio. Para os eleitores pendulares, o desejo de mudança não basta para definir o voto. É necessário que a alternativa à situação atual seja percebida como segura, previsível e capaz de apresentar um programa de governo.

Escala 6×1 aparece como tema de maior conexão social

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Fim da escala 6×1 é prioridade do governo Lula. Foto: Ricardo Stuckert

Enquanto os casos de corrupção e as disputas eleitorais dominaram o noticiário analisado pelo Instituto DX, a proposta de acabar com a escala 6×1 surgiu como uma das pautas com maior capacidade de mobilização entre os participantes.

A discussão é associada diretamente ao cotidiano dos trabalhadores, à redução do tempo dedicado ao trabalho e à melhoria da qualidade de vida. Diferentemente de debates sobre alianças ou acusações políticas, a proposta é percebida como uma medida concreta, com impacto direto na vida de milhões de pessoas.

Os participantes cobraram maior atuação de Lula em relação ao tema e defenderam pressão sobre o Senado para acelerar a tramitação da proposta. A avaliação registrada pelo Instituto DX é de que a demora pode se transformar em um problema político para o governo, mas também em oportunidade para que Lula apresente o fim da escala 6×1 como compromisso de campanha.

A agenda social do governo, entretanto, perdeu espaço no noticiário recente. Segundo os participantes, anúncios de políticas públicas e medidas voltadas à população ficaram em segundo plano diante das notícias sobre corrupção, disputas familiares no campo bolsonarista e tensões entre Brasil e Estados Unidos.

Esse cenário produz uma cobrança para que Lula retome a comunicação sobre políticas internas sem abandonar a atuação internacional.

Voto segue aberto entre os eleitores pendulares

A principal conclusão da rodada é que a disputa permanece baseada em comparação. Os participantes não demonstram confiança absoluta em Lula, mas avaliam sua postura como mais adequada diante das crises recentes.

No caso de Lulinha, a fala do presidente reduziu o impacto negativo das investigações porque foi interpretada como uma defesa da autonomia das instituições. A avaliação pode mudar, segundo o próprio levantamento, caso surjam evidências de interferência, proteção ou favorecimento.

Para Flávio, por outro lado, a dificuldade está em converter o desejo de mudança em confiança. As controvérsias relacionadas ao Banco Master, o isolamento político, a escolha do vice e a falta de propostas reconhecidas pelos participantes ampliam a percepção de risco.

O Instituto DX ressalta que o eleitor pendular não se mostra simplesmente contrário à política. Esse público continua atento a propostas relacionadas ao trabalho, à qualidade de vida e às políticas sociais, mas também cobra coerência, responsabilidade e previsibilidade dos candidatos.

Nesse cenário, Lula aparece à frente na inclinação de voto entre os participantes da rodada, principalmente por ser percebido como mais experiente, institucional e preparado para administrar crises. Flávio permanece como alternativa para quem prioriza a ideia de mudança, mas essa preferência aparece acompanhada de maior insegurança sobre sua capacidade de governar.

Os resultados, portanto, indicam que as investigações envolvendo Lulinha produziram ruído sobre Lula, mas não foram suficientes, no grupo analisado, para alterar de maneira significativa a vantagem comparativa do presidente. A questão que permanece aberta é se novos fatos sobre o caso ou sobre integrantes do entorno de Lula poderão transformar a desconfiança atual em uma avaliação mais negativa.

Para os eleitores pendulares ouvidos pelo Instituto DX, a disputa de 2026 continua menos definida por identificação partidária e mais pela comparação entre confiança, postura, propostas e riscos associados a cada candidatura.

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