O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa para as eleições de 2026. A escolha ocorre após as dificuldades do PL para formar uma aliança com partidos do Centrão e representa uma mudança em relação ao plano inicial do senador, que buscava uma mulher de outra legenda para ocupar a vaga. Saiba mais na TVT News.
O candidato à vice de Flávio Bolsonaro é acusado de estupro de vulnerável e também de desvio de emendas parlamentares, denúncia recentemente arquivada pela PGR, além de ter apresentado propostas consideradas desfavoráveis às mulheres. Veja abaixo
Alfredo Gaspar teve 3 propostas no Congresso consideradas desfavoráveis às mulheres
O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado como vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tem um histórico legislativo avaliado como majoritariamente desfavorável aos direitos das mulheres pelo projeto Elas no Congresso, da Revista AzMina.
Levantamento da plataforma, que monitora proposições legislativas relacionadas a gênero, mostra que, na legislatura (2023-2027), Gaspar apresentou cinco propostas analisadas pela rede de organizações parceiras. Desse total, três foram classificadas como desfavoráveis às meninas, mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, e apenas duas como favoráveis
Entre as propostas avaliadas como desfavoráveis está o PL 2322/2023, que prevê a submissão de agressores sexuais a tratamento químico de inibição da libido como requisito para progressão antecipada de regime e livramento condicional. O projeto foi analisado pela organização Juristas Negras e recebeu pontuação 0,85 no Quiteriômetro.
Também foram classificadas como desfavoráveis o PL 2499/2024, que determina a notificação policial de casos de interrupção de gestação decorrente de estupro, e o PDL 198/2023, que busca sustar os efeitos de uma resolução do Conselho Nacional de Saúde relacionada ao planejamento da saúde pública. As avaliações foram realizadas, respectivamente, pelo Instituto Maria da Penha e pela Anis.
Em sentido contrário, duas propostas de Gaspar foram consideradas favoráveis: o PL 1561/2023, sobre pensão especial para crianças e adolescentes órfãos em decorrência de crime violento contra mulheres, e o PL 2058/2024, que trata da criminalização da divulgação de conteúdo íntimo sem consentimento e da sextorsão.
Propostas desfavoráveis às mulheres propostas por Alfredo Gaspar
Entre as proposições consideradas negativas está o PL 2322/2023, que altera a Lei de Execução Penal e o Código Penal para estabelecer a submissão de agressores sexuais ao tratamento químico de inibição da libido como requisito para progressão de regime e livramento condicional.
A proposta foi avaliada pela organização Juristas Negras, que atribuiu ao projeto nota 0,85 no Quiteriômetro — escala que varia de 0 a 1, sendo quanto mais próxima de 1, mais prejudicial à pauta de gênero. No comentário, a avaliadora afirma que “a castração química não resolve o problema das violências sexuais e nem promove mais segurança para as mulheres”.
Outra proposta desfavorável é o PL 2499/2024, que torna obrigatória a notificação à autoridade policial, por hospitais e unidades de saúde, da interrupção de gestação decorrente de estupro. Classificado com 0,61 pelo Instituto Maria da Penha, o projeto foi criticado porque a Lei nº 13.931/2019 já estabelece a notificação compulsória de casos de violência contra a mulher no prazo de 24 horas, o que “já engloba casos de violência sexual”.
O PDL 198/2023 também integra a lista de propostas desfavoráveis. O projeto susta os efeitos da Resolução nº 715/2023 do Conselho Nacional de Saúde, que trata das orientações estratégicas para o Plano Plurianual (PPA) e o Plano Nacional de Saúde (PNS) 2024-2027. A medida foi avaliada pela organização Anis.
O que é o projeto Elas no Congresso
O Elas no Congresso, iniciativa da Revista AzMina, utiliza dados públicos do Congresso Nacional para acompanhar propostas relacionadas aos direitos de meninas, mulheres e pessoas LGBTQIAPN+. A base reúne mais de 3 mil proposições apresentadas entre janeiro de 2019 e junho de 2025.
As propostas são avaliadas por organizações da sociedade civil especializadas nos direitos das mulheres. A metodologia atribui pontuação de 0 a 1: propostas consideradas favoráveis recebem 0, enquanto as desfavoráveis recebem 1. O projeto também utiliza a QuitérIA, ferramenta de inteligência artificial desenvolvida para classificar propostas e avaliar seus impactos sobre esses direitos
Alfredo Gaspar fez coleta de DNA após acusação de estupro
A escolha de Alfredo Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro também ocorre em meio a uma acusação de estupro feita contra o deputado.
Alfredo Gaspar é alvo de uma notícia-crime apresentada à Polícia Federal em 27 de março de 2026 pelos deputados Lindbergh Farias (PT-RJ) e Soraya Thronicke (Podemos-MS). O documento sustenta que o parlamentar teria cometido estupro de vulnerável contra uma adolescente de 13 anos, que teria engravidado após o suposto abuso, e desembolsado R$ 400 mil para evitar que a denúncia viesse a público. Gaspar contesta as acusações e afirma que a mulher apontada como sua filha seria, na realidade, filha de um primo.
Em abril, Gaspar realizou, em Maceió, a coleta de material biológico para um exame de DNA. O procedimento foi realizado no Laboratório de Genética Forense da Polícia Científica de Alagoas, por determinação judicial. A amostra permanece armazenada para análise posterior.
Até o momento, não foram apresentadas publicamente provas que comprovem a acusação. Gaspar nega ter cometido o crime e afirma que as declarações têm relação com um episódio envolvendo um primo, ocorrido há cerca de nove anos em Alagoas.
Segundo Gaspar, a coleta foi solicitada por iniciativa própria como forma de antecipar a produção de provas e esclarecer as acusações que considera falsas. O deputado afirmou não temer a investigação e defendeu que o caso seja apurado com rapidez.
Ele também informou ter acionado a Justiça nas esferas cível e criminal contra pessoas que, segundo ele, fizeram acusações indevidas, além de apresentar representações para pedir a responsabilização dos envolvidos.
O parlamentar classificou as acusações como falsas e irresponsáveis e afirmou que elas seriam uma tentativa de desviar a atenção das investigações conduzidas pela CPMI. Gaspar também declarou ter apresentado medidas à Procuradoria-Geral da República (PGR), à Polícia Federal (PF) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra os responsáveis pelas acusações.
“As acusações são falsas, levianas e absolutamente irresponsáveis. Trata-se de uma tentativa clara de desviar o foco das investigações conduzidas pela CPMI do INSS”, disse o parlamentar em nota.
Vice de Flávio também FOI investigado por desvio de emendas
Além do inquérito no STF, Gaspar também foi alvo de uma investigação no TCU por suspeita de desvio de emendas parlamentares. O caso envolve repasses de R$ 6 milhões ao município de São José da Laje (AL).
Técnicos do tribunal identificaram suspeitas de irregularidades no envio de emendas Pix — mecanismo que permite o envio direto de verbas para estados e municípios e que já é alvo de investigação no STF.
Quando a investigação foi aberta, Gaspar disse que “todas as ações foram realizadas dentro da legalidade e das normas vigentes”.
Apesar do Tribunal de Contas da União (TCU) ter apontando problemas nas chamadas “emendas Pix” de autoria de Gaspar, a PGR decidiu arquivar o pedido de investigação contra vice de Flávio Bolsonaro.
Quem é o vice de Flávio Bolsonaro
Gaspar é o relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ex-procurador-geral de Justiça do Ministério Público de Alagoas, ele se filiou ao PL em março deste ano. Inicialmente, a intenção era disputar uma vaga ao Senado ou concorrer ao governo de Alagoas.
À frente da relatoria da CPMI do INSS, Gaspar tem direcionado parte das investigações para questionamentos sobre a atuação do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em seu relatório, o deputado fez diversas referências ao presidente e à atual gestão federal ao abordar as irregularidades investigadas. A atuação anterior do parlamentar e sua proximidade com o bolsonarismo ajudaram a consolidar seu nome dentro do PL.
A definição da chapa também expõe as dificuldades de Flávio Bolsonaro para ampliar sua aliança eleitoral. A intenção inicial era atrair uma mulher de um partido aliado para a vice, estratégia que poderia contribuir para ampliar a composição política da candidatura e dialogar com o eleitorado feminino. A escolha de outro integrante do PL, portanto, reduz o alcance partidário da chapa.
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