A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (13) a Operação Arena, que investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo empresas de bets. Saiba mais na TVT News.
Entre os alvos está o advogado Nelson Wilians, conhecido pela exposição de sua vida de luxo nas redes sociais e por atuar na defesa de empresas do setor. A operação cumpre 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados e determinou o sequestro de aproximadamente R$ 1,1 bilhão em bens.
Segundo a investigação, o grupo teria utilizado empresas brasileiras e estrangeiras, instituições de pagamento, operações de câmbio e ativos digitais para dificultar o rastreamento de recursos provenientes das apostas. A Receita Federal aponta ainda suspeitas de sonegação tributária e omissão de rendimentos.
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Quem é Nelson Wilians
Com mais de 1,4 milhão de seguidores no Instagram, Nelson Wilians ganhou notoriedade não apenas pela carreira na advocacia, mas também pela exposição de uma rotina marcada por carros de luxo, viagens de jatinho, obras de arte e conteúdos voltados ao empreendedorismo. O advogado foi capa da revista Forbes e se apresenta também como empreendedor jurídico.
Natural de Cianorte (PR), Wilians é fundador e CEO do Nelson Wilians Advogados (NWADV), escritório que se tornou um dos maiores do país em número de profissionais e presença nacional. Ele é casado com a advogada Anne Wilians, que também é sócia da banca e alvo da Operação Arena.
A ação desta quinta-feira é mais uma investigação envolvendo o advogado e seu escritório. Em setembro de 2025, Wilians foi alvo da Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto, que apurou fraudes relacionadas a descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Na ocasião, agentes apreenderam em endereços ligados a ele veículos de luxo, como Ferrari, Porsche e Rolls-Royce, além de obras de arte, esculturas e uma arma.
O advogado também apareceu no mês passado entre os alvos de uma operação que investigou um suposto esquema de fraudes envolvendo créditos de ICMS, estimado em R$ 3,8 bilhões. Segundo a apuração, empresas de fachada teriam sido usadas para criar e comercializar créditos tributários falsos.
Wilians também ganhou projeção por sua atuação em processos de grande repercussão. Entre os casos em que esteve envolvido está a disputa judicial pela herança do apresentador Gugu Liberato, na qual representou Rose Miriam, mãe dos filhos do apresentador.
O que diz a defesa
Sobre a Operação Arena, o escritório de Nelson Wilians afirmou que sua relação com a Pixbet, também citada na investigação, é “estritamente profissional” e decorre da prestação de serviços jurídicos.
Em nota, o advogado Santiago Schunck afirmou que a atuação do escritório em favor de clientes não pode ser confundida com as atividades empresariais desenvolvidas por essas empresas. A defesa também repudiou qualquer tentativa de associar os advogados às condutas investigadas e afirmou que é necessário evitar a criminalização da atividade da advocacia.
Veja a nota na íntegra:
“O Nelson Wilians Advogados esclarece que a gestão das operações mencionadas era de responsabilidade exclusiva do escritório De Paula Advogados & Consultoria Jurídica, sem qualquer vínculo societário ou de controle com o NWADV.
Ao identificar inconsistências, o escritório encerrou a parceria e comunicou seus clientes.
Na medida cumprida nesta data, o NWADV recebeu as autoridades, prestou integral colaboração e permanece à disposição para todos os esclarecimentos necessários.
O NWADV reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética, a transparência e o devido processo legal”.
Como funcionava o suposto esquema das bets
A Operação Arena investiga um grupo empresarial suspeito de utilizar contas e empresas no exterior para ocultar recursos obtidos por meio de casas de apostas. De acordo com a Polícia Federal e a Receita Federal, o dinheiro dos apostadores teria sido movimentado por uma estrutura formada por empresas nacionais e estrangeiras sem atividade econômica compatível com os valores recebidos.
A investigação aponta que grandes quantias eram enviadas para empresas constituídas no exterior, dificultando a identificação da origem e do destino dos recursos. Para movimentar o dinheiro, o grupo teria recorrido também a instituições de pagamento, operações de câmbio e ativos digitais.
Segundo a Receita, os valores posteriormente retornavam à estrutura das casas de apostas e eram utilizados, entre outras finalidades, na compra de bens de luxo e no pagamento de outorgas necessárias à regularização das empresas de apostas, que poderiam chegar a R$ 35 milhões.
A operação também apura possíveis crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação de tributos e omissão de rendimentos.
Ao todo, a PF cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em endereços localizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Sergipe, Paraíba e Paraná. A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos bancário e telemático dos investigados.
A investigação aponta que o esquema teria movimentado recursos por meio de diferentes camadas de empresas e serviços financeiros para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro. O sequestro de R$ 1,1 bilhão em bens faz parte das medidas adotadas para preservar valores que podem estar relacionados aos crimes investigados.