O presidente nacional do PSD e candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado, Gilberto Kassab, afirmou nesta quinta-feira (13) que o senador Flávio Bolsonaro (PL) não tem chances de vencer a eleição presidencial. Em encontro com cerca de 200 empresários em Higienópolis, na região central de São Paulo, Kassab declarou que a possibilidade de vitória do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro seria “zero” e avaliou que o candidato do PL tende a perder força nas pesquisas quando a campanha oficial começar. Saiba mais na TVT News.
A declaração ocorreu dois dias antes do início oficial da campanha eleitoral, previsto para domingo (16), e foi acompanhada de uma avaliação sobre o posicionamento dos partidos de centro. Segundo Kassab, embora algumas legendas do chamado Centrão adotem formalmente um discurso de neutralidade, na prática estariam mais próximas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que de outras candidaturas.
“Eu discordo que os partidos de centro – que é o Centrão – estejam neutros. Eu acho que eles estão com o Lula”, afirmou Kassab.
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Entre as siglas citadas no debate sobre a ausência de candidaturas próprias estão MDB, Progressistas, União Brasil e Republicanos. A avaliação do presidente do PSD é que a decisão desses partidos de não lançar nomes para a Presidência também abriu espaço para que Ronaldo Caiado tenha mais tempo no horário eleitoral gratuito.
Kassab prevê queda de Flávio Bolsonaro nas pesquisas
Ao comentar o desempenho de Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais, Kassab afirmou que o senador estaria sendo poupado de uma ofensiva mais intensa dos adversários durante a pré-campanha. Na avaliação do dirigente do PSD, esse cenário mudará com o início oficial da disputa.
“A chance do Flávio se eleger é zero. Não tem a menor chance”, disse.
Em seguida, Kassab afirmou que Flávio estaria “preservado” de críticas mais contundentes e que o cenário poderia mudar quando o PT intensificasse a estratégia eleitoral.
“Na hora em que o jogo começar, em que o PT mostrar quem é o Flávio, as pessoas no entorno dele, ele vai desabar”, declarou.
A afirmação é uma projeção política de Kassab e não representa uma conclusão dos institutos de pesquisa. O dirigente também classificou os levantamentos atuais como “tendenciosos”, sob o argumento de que eles não captariam os efeitos de uma campanha eleitoral mais intensa.
A fala ocorre em um momento em que as candidaturas começam a estruturar suas estratégias para a fase oficial da eleição. O início da propaganda e dos debates tende a ampliar a exposição dos candidatos e de suas alianças políticas.
Centrão e Lula
A avaliação de Kassab sobre o Centrão é um dos principais pontos políticos de sua fala aos empresários. Para o presidente do PSD, partidos que decidiram não apresentar candidaturas próprias à Presidência acabam, na prática, contribuindo para a candidatura à reeleição de Lula.
“Os partidos do Centrão não estão apoiando o Caiado, estão com Lula. (…) Caiado não é a terceira via, é a alternativa”, afirmou.
A leitura de Kassab, entretanto, não significa necessariamente que todas as legendas citadas tenham formalizado apoio à candidatura de Lula. O próprio dirigente diferencia o posicionamento oficial das siglas daquilo que considera ser seu alinhamento político efetivo.
A ausência de uma candidatura presidencial competitiva por parte de partidos como MDB, União Brasil, Progressistas e Republicanos também produz efeitos sobre o horário eleitoral. Sem uma candidatura própria, o tempo destinado às siglas pode ser redistribuído entre as chapas que disputam a Presidência.
Mais tempo de televisão para Caiado
Kassab apresentou aos empresários uma perspectiva positiva para a candidatura de Ronaldo Caiado. Segundo seus cálculos, o candidato do PSD teria inicialmente cerca de 50 segundos de propaganda eleitoral e poderia chegar a aproximadamente dois minutos e 20 segundos.
“É uma eternidade, quase uma novela no horário gratuito”, afirmou.
Para a campanha de Caiado, a ampliação do tempo de rádio e televisão pode ser importante para tornar o candidato mais conhecido nacionalmente. O governador de Goiás busca se apresentar como uma alternativa tanto ao campo liderado por Lula quanto ao bolsonarismo.
Kassab também afirmou que pesquisas internas do PSD apontariam Caiado com desempenho superior ao registrado por levantamentos divulgados publicamente. Como se trata de dados internos da própria campanha, essas informações não podem ser tratadas como equivalentes às pesquisas eleitorais registradas e divulgadas pelos institutos.
Encontro reuniu empresários em São Paulo
O encontro ocorreu em Higienópolis e foi organizado por Kassab e pelo ex-ministro Andrea Matarazzo. O objetivo foi apresentar a candidatura de Caiado a representantes do setor produtivo.
Participaram empresários ligados principalmente ao agronegócio, à indústria, ao setor financeiro e à mineração. Entre os presentes estavam Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Conselho de Administração do Bradesco; o pecuarista Jovelino Mineiro; Shiro Nishimura, acionista do grupo Jacto; Regina Esteves, presidente da Comunitas; além de nomes da política e da vida pública.
No palco, Caiado e Kassab estiveram ao lado de Aldo Rebelo, coordenador político da campanha.
A aproximação com o empresariado faz parte da estratégia de Caiado para ampliar sua presença nacional. O candidato procura apresentar uma plataforma de governo voltada às reformas administrativa e política, além de defender mudanças no sistema eleitoral.
Caiado endurece discurso contra Lula e Flávio
Durante o encontro, Ronaldo Caiado também fez críticas a Lula e Flávio Bolsonaro. O candidato afirmou que pretende “pacificar o Brasil” e apresentou sua experiência política em Goiás como uma das credenciais para disputar a Presidência.
Caiado defendeu uma reforma política com a adoção do voto distrital misto e afirmou que pretende retomar pontos da reforma trabalhista aprovada durante o governo de Michel Temer (MDB). Na avaliação dele, alterações posteriores feitas por decisões de tribunais superiores teriam reduzido a segurança jurídica das normas.
O candidato também criticou Lula e Flávio por não participarem de determinados debates e sabatinas. Caiado chegou a defender uma legislação que impeça candidatos ausentes desses eventos de manterem seus registros eleitorais.
O discurso reforça a tentativa da chapa Caiado-Kassab de ocupar um espaço próprio na disputa presidencial, em um cenário marcado pela polarização entre Lula e o campo bolsonarista.
Kassab cita possíveis nomes para governo Caiado
Durante a reunião com empresários, Kassab também mencionou nomes que poderiam integrar um eventual governo de Ronaldo Caiado. Entre eles estão Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC); Lincoln Gakiya, procurador com atuação no combate ao crime organizado em São Paulo; Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central; e Guilherme Afif, secretário de Projetos Estratégicos do governo de São Paulo.
A apresentação de possíveis integrantes de uma futura equipe ministerial faz parte da estratégia da chapa para demonstrar capacidade de composição e apresentar ao empresariado uma perspectiva de gestão.
A declaração de Kassab sobre Flávio Bolsonaro, por sua vez, coloca o PSD no centro do debate sobre a disputa entre Lula, o bolsonarismo e as candidaturas que tentam ocupar o espaço de centro. Ao afirmar que o Centrão está, na prática, com Lula e que Flávio “não tem a menor chance”, o dirigente expôs sua leitura sobre um cenário eleitoral que deve sofrer novas mudanças com o início oficial da campanha.
Com o começo da disputa, candidatos terão maior exposição no rádio, na televisão, nas redes sociais, nos debates e em atos de campanha. É nesse ambiente que, segundo Kassab, o desempenho de Flávio Bolsonaro poderá ser testado de forma mais intensa.