O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou, em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, uma série de propostas para o enfrentamento ao crime organizado e a retomada de territórios dominados por facções. Entre as medidas citadas estão a ampliação da atuação federal na segurança pública, a criação de uma força especial de intervenção, o combate ao financiamento das organizações criminosas e a transformação de 138 presídios estaduais em unidades de segurança máxima. Leia em TVT News.
Segundo Lula, parte das mudanças depende da aprovação da PEC da Segurança Pública pelo Senado. O presidente afirmou que, caso a proposta seja aprovada, pretende criar o Ministério da Segurança Pública no dia seguinte à votação. A ideia apresentada é ampliar a capacidade de coordenação do governo federal com estados e municípios.
Na entrevista, Lula também defendeu mudanças na atuação das polícias Federal, Rodoviária Federal e Penal, além de uma redefinição do papel das forças municipais. O objetivo, segundo o presidente, é permitir uma ação mais integrada contra as organizações criminosas.
Lula defende maior participação da União na segurança
Lula argumentou que a Constituição de 1988 concentrou nos estados parte significativa das atribuições relacionadas à segurança pública. À União ficaram responsabilidades como investigações de crimes interestaduais, proteção das fronteiras e das rodovias federais e cooperação internacional.
Para o presidente, a PEC permitirá ampliar a participação federal no planejamento e na execução de políticas de segurança, sem que a União dependa exclusivamente de solicitações dos governadores.
“A PEC redefine o papel da União na Segurança Pública, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, com mais gente e com mais inteligência, da Polícia Penal”, afirmou.
Uma das experiências citadas pelo presidente foi a criação de Ações Integradas para o Enfrentamento ao Crime Organizado no Rio de Janeiro. Segundo Lula, a iniciativa pretende combinar atuação policial, proteção de corredores logísticos, reocupação territorial e participação das estruturas municipais de segurança.
Reocupação de territórios com presença do Estado
Ao abordar o domínio de comunidades por organizações criminosas, Lula questionou a eficácia de operações policiais concentradas apenas em ações de grande intensidade e curta duração.
Para o presidente, a retomada de territórios precisa ser acompanhada pela presença permanente do Estado. Além da segurança, ele citou escolas de tempo integral, formação profissional, cultura e áreas de lazer como parte das políticas necessárias para essas regiões.
“A polícia vai ocupar de forma ordenada. Mas, mais do que ocupar, é preciso que o Estado tenha presença em cada comunidade”, afirmou.
Lula também citou a preparação de 600 policiais municipais para atuação armada dentro da estratégia de enfrentamento ao crime organizado.
Proposta de força especial

Outra medida apresentada na entrevista é a criação de uma força de segurança com capacidade de intervenção em diferentes situações. Lula afirmou que pretende discutir com o Exército uma forma de aproveitar militares que deixam as Forças Armadas após nove anos de serviço.
Segundo o presidente, esses profissionais possuem formação e treinamento que poderiam ser utilizados em uma nova estrutura de segurança, caso sejam feitas as mudanças legais necessárias.
A proposta, conforme apresentada por Lula, busca evitar que intervenções federais sejam baseadas apenas no emprego temporário das Forças Armadas. Na avaliação exposta pelo presidente, o objetivo seria estabelecer uma estrutura permanente, preparada para atuar quando necessário.
Combate ao dinheiro das facções
Lula também defendeu que o combate ao crime organizado seja direcionado às estruturas financeiras das organizações. Em vez de concentrar as ações apenas nos integrantes que atuam diretamente nas comunidades, o presidente disse que é necessário alcançar os responsáveis pelo financiamento das atividades criminosas.
Segundo os dados apresentados por Lula, o governo retirou R$ 17 bilhões do crime organizado em 2025 por meio da apreensão de bens e recursos.
“Nós queremos chegar aos de cima, porque são eles que financiam”, afirmou o presidente, defendendo uma estratégia de asfixia financeira das organizações.
Presídios e isolamento de lideranças
Outra proposta apresentada envolve o sistema penitenciário. Lula afirmou que o governo está mapeando presídios estaduais que, segundo ele, são utilizados para o comando de organizações criminosas.
A proposta é transformar 138 unidades prisionais estaduais em presídios de segurança máxima, com financiamento federal para modernização da estrutura.
O objetivo, de acordo com o presidente, seria impedir que lideranças presas mantenham contato com integrantes das organizações criminosas do lado de fora.
Armas e combate aos roubos de celulares
Na entrevista, Lula também voltou a defender restrições ao acesso a armas e munições. Segundo os dados apresentados por ele, 500 mil armas foram apreendidas durante seu atual mandato.
O presidente contrastou as políticas de armamento com investimentos em educação e afirmou que a ampliação do acesso a armas e munições contribuiu para que parte desse material chegasse às mãos de facções e milícias.
Outro ponto citado foi o programa Celular Seguro, que permite bloquear aparelhos roubados e auxilia consumidores na verificação da procedência de celulares adquiridos.
Segundo os dados apresentados na entrevista, os roubos de celulares caíram de 492,9 mil em 2022 para 308,7 mil em 2025, uma redução de 37%. Lula afirmou que pretende ampliar o programa nos próximos quatro anos.
As propostas apresentadas no Canal Livre colocam a segurança pública como uma das áreas em que o presidente pretende ampliar a participação do governo federal, combinando ações policiais, inteligência, combate ao financiamento das organizações criminosas e políticas públicas nos territórios.