No sábado, 29 de agosto, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) deram início às suas campanhas no horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. Os dois principais candidatos à Presidência da República ocuparam a maior fatia do tempo disponível e apresentaram abordagens distintas para conquistar o eleitorado. Confira como foram os primeiros programas de TV no horário eleitoral com a TVT News.
Destaques da estreia no horário eleitoral
Programa de Lula (PT) no rádio:
- Dois mediadores exaltaram medidas do governo, como o Pé-de-Meia e a saída do Brasil do Mapa da Fome
- Lula afirmou ter “muita coisa em jogo” para a eleição
- Destaque para a defesa do fim da escala 6×1
- Um minuto do programa foi dedicado a expor o histórico de Flávio Bolsonaro
Programa de Lula (PT) na TV:
- Abertura com críticas ao adversário, relembrando episódios como o pedido de R$ 61 milhões a Daniel Vorcaro e a homenagem a Adriano da Nóbrega
- Diálogo de Lula com seu “eu” do passado, projetando futuro para um quarto mandato
- Defesa do combate a facções criminosas e da Operação Carbono Oculto
- Participação da primeira-dama Janja da Silva abordando direitos das mulheres
Programa de Flávio Bolsonaro (PL) no horário eleitoral:
- Foco em acenos ao eleitorado feminino e na imagem de “Bolsonaro moderado”
- Esposa Fernanda Bolsonaro apresentou o candidato como moderado
- Críticas recorrentes ao governo Lula, atribuindo ao petista a responsabilidade por problemas do país
- Abordagem de temas como segurança pública
Como foi o programa de Lula no rádio
Com 5 minutos e 32 segundos de tempo dedicado — a maior fatia entre todos os candidatos —, a campanha de Lula optou por uma estratégia de rádio centrada em dois eixos principais: a apresentação de conquistas do governo e a exposição do histórico do adversário.
Dois mediadores conduziram a peça publicitária matinal, exaltando medidas implementadas nos últimos quatro anos. Entre os destaques, o programa mencionou o programa Pé-de-Meia, a retirada do Brasil do Mapa da Fome e a queda da taxa de desemprego.
O próprio Lula apareceu para dizer que há “muita coisa em jogo” na eleição. O fim da escala 6×1 — proposta em análise na CCJ do Senado — também foi tema central da propaganda.

A campanha reservou cerca de um minuto do programa no horário eleitoral para abordar o currículo de Flávio Bolsonaro. Os apresentadores afirmaram que o candidato do PL “além de não gostar de trabalhar, pediu R$ 61 milhões a Daniel Vorcaro“.
Na sequência, foi apresentado o áudio do candidato do PL direcionado ao dono do Banco Master: “Então se você puder me dar um toque, uma posição aí Daniel, porque a gente precisa saber o que faz, cara, da vida, porque já tem muita conta para pagar esse mês e mês seguinte também”.
Horário eleitoral: como foi o programa de Lula na TV
A propaganda televisiva de Lula, exibida na tarde de sábado (29) no horário eleitoral, trouxe uma abordagem que mesclou passado, presente e futuro.
O programa iniciou com uma sequência dedicada a relembrar episódios controversos da trajetória de Flávio Bolsonaro.
Foram citados o pedido de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para custear um filme sobre o pai, as denúncias de “rachadinha” no gabinete do senador quando deputado estadual e a homenagem a Adriano da Nóbrega, apontado como chefe de milícia. “Flávio, o pior dos Bolsonaro”, dizia o programa.
O presidente também construiu uma projeção para o futuro. Em um diálogo com seu “eu” de 1979 — época em que liderava greves em São Bernardo do Campo —, Lula listou feitos do atual mandato e dos dois governos anteriores.
Foram mencionados a ampliação do número de universidades, escolas em tempo integral, a criação do Pé-de-Meia e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
“A gente reconstruiu o Brasil, mas ainda não está satisfeito porque o Brasil está pronto para muito mais”, afirmou o petista, repetindo o mote de campanha.
A segurança pública também ganhou espaço. O programa mencionou a Operação Carbono Oculto, apresentada como a maior já realizada contra o crime organizado, e defendeu o “combate firme a facções criminosas”. A primeira-dama Janja da Silva participou da peça para abordar as ações do governo na defesa dos direitos das mulheres.
Como foi o programa de Flávio Bolsonaro no rádio e na TV
A campanha de Flávio Bolsonaro, que contou com 4 minutos e 20 segundos de tempo, adotou uma estratégia centrada em dois pilares: a tentativa de suavizar sua imagem junto ao eleitorado feminino e a crítica recorrente ao governo de Lula.
Na televisão, o programa do senador foi o terceiro a ser exibido no bloco. Ele começou com ataques diretos ao atual presidente. O candidato citou problemas como o combate ao crime organizado e o endividamento das famílias.
Boa parte do programa foi dedicada a acenos ao eleitorado feminino. Flávio falou sobre a família, especialmente do casamento com a dentista Fernanda Bolsonaro, e resgatou momentos do relacionamento e do nascimento das duas filhas.
A estratégia busca reduzir a rejeição do candidato entre as mulheres, público em que Lula aparece na liderança das pesquisas. Coube a Fernanda apresentar o marido como moderado: “Reeduquei ele. Não é à toa que você é o Bolsonaro moderado”.
No rádio, a abordagem seguiu linha semelhante. O programa focou em segurança pública e economia, com críticas constantes ao governo petista. Assim como na sabatina da TV Globo, realizada na véspera, em 28 de agosto, Flávio Bolsonaro utilizou seu tempo para atribuir ao adversário a responsabilidade pelos problemas do país, sem apresentar detalhes sobre suas próprias propostas.