PF avalia incluir Flávio Bolsonaro em lista da Interpol para rastrear dinheiro do filme Dark Horse

Investigação apura destino dos R$ 61 bilhões enviados por Daniel Vorcaro
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Composição das imagens da sede da Interpol (esq) e do senador Flávio Bolsonaro, que pode ser incluído na lista da Interpol para rastrear o dinheiro enviado para o filme Dark Horse | Fotos: Interpol / Ricardo Stuckert / PR e Bolsonaro / Bruno Peres/Agência Brasil

A Polícia Federal avalia pedir a inclusão do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na chamada difusão prateada da Interpol, mecanismo internacional criado para auxiliar na localização de bens e ativos relacionados a investigações criminais. A informação é do jornal O Globo e ocorre no contexto do inquérito autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar os recursos destinados à produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Saiba mais na TVT News.

A investigação conduzida pela PF busca esclarecer o destino de aproximadamente R$ 61 milhões enviados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o financiamento do longa-metragem. A suspeita é de que os valores tenham sido integralmente remetidos ao exterior e, eventualmente, possam ter sido utilizados para uma finalidade diferente daquela apresentada inicialmente.

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Segundo a própria reportagem de O Globo, não existe até o momento um pedido formal para incluir Flávio Bolsonaro na Interpol. A possibilidade está sendo avaliada pelos investigadores como uma alternativa para ampliar o rastreamento internacional dos recursos caso os mecanismos tradicionais de cooperação jurídica não sejam suficientes.

Investigação sobre o dinheiro do Dark Horse

O inquérito foi autorizado pelo ministro André Mendonça, do STF, depois de a Polícia Federal solicitar a abertura da investigação e a Procuradoria-Geral da República (PGR) considerar que havia elementos suficientes para aprofundar as apurações.

O caso ganhou força após a divulgação, pelo Intercept Brasil, de um áudio no qual Flávio Bolsonaro aparece negociando com Daniel Vorcaro recursos para a produção de Dark Horse. A revelação deu origem à série de reportagens Vaza Flávio, que também mostrou mensagens relacionadas à execução dos pagamentos.

Em uma das conversas reveladas pelo Intercept, Vorcaro demonstra preocupação específica com os pagamentos do filme e determina que o projeto seja tratado como prioridade. Ao ser informado de que o longa não estava entre os compromissos financeiros que aguardavam pagamento, o banqueiro afirmou: “Esse é o mais importante disparado”, acrescentando que a operação “não pode falhar mais”.

Documentos divulgados anteriormente apontaram que cerca de US$ 10,6 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 61 milhões, chegaram ao fundo responsável pela produção até maio de 2025.

Agora, a PF tenta reconstruir o caminho percorrido por esse dinheiro.

Difusão prateada é diferente de alerta para prisão

A chamada difusão prateada da Interpol não deve ser confundida com a conhecida difusão ou alerta vermelho, utilizada para localizar pessoas procuradas pela Justiça e subsidiar pedidos de prisão ou extradição.

O mecanismo prateado é voltado à identificação e localização internacional de patrimônio e ativos relacionados a investigações criminais. Criada em 2025, a ferramenta ainda está em fase piloto e permite que informações sejam compartilhadas entre países para ajudar autoridades a encontrar recursos financeiros e bens que possam estar relacionados a crimes.

Caso a inclusão seja efetivamente solicitada e aceita, a PF poderá informar aos países-membros da Interpol onde há suspeitas de que Flávio Bolsonaro ou outros investigados mantenham patrimônio ou recursos relacionados à apuração.

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Flávio Bolsonaro na lista da Interpol: investigação ganhou força após a divulgação, pelo Intercept Brasil, de um áudio no qual Flávio Bolsonaro aparece negociando com Daniel Vorcaro recursos para a produção de Dark Horse. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

A partir dessas informações, as autoridades estrangeiras poderão localizar os ativos e, de acordo com a legislação de cada país, comunicar sua existência às autoridades brasileiras ou eventualmente adotar medidas de bloqueio.

A possibilidade também está sendo analisada em relação ao próprio Daniel Vorcaro. Segundo O Globo, a Polícia Federal pretende solicitar a inclusão do ex-banqueiro na difusão prateada como parte de uma estratégia mais ampla para rastrear patrimônio e recursos ligados às investigações do Banco Master.

PF investiga possível desvio de finalidade

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Um dos pontos centrais do inquérito é determinar se os recursos enviados por Vorcaro foram efetivamente utilizados na produção do filme Dark Horse.

Quando as primeiras denúncias vieram a público, Flávio Bolsonaro negou que o dinheiro tivesse sido destinado ao irmão, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos.

Na ocasião, o senador afirmou que era “falsa a insinuação” de que os recursos teriam sido utilizados pelo ex-deputado. Segundo ele, os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.

A PF trabalha agora para verificar documentalmente essa versão.

De acordo com O Globo, investigadores avaliam que Flávio Bolsonaro pode ter dificuldades para demonstrar como os recursos foram efetivamente empregados na produção. Em maio, após a divulgação do áudio, o senador afirmou que apresentaria uma prestação de contas dos valores. Segundo a reportagem, essa prestação de contas não foi apresentada até o momento.

Isso não significa, por si só, que tenha ocorrido desvio de recursos. A investigação deverá justamente esclarecer a destinação do dinheiro e determinar se houve ou não irregularidade.

Relação entre Dark Horse e o caso Banco Master

O financiamento do filme tornou-se um dos principais pontos de conexão entre Flávio Bolsonaro e o escândalo envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master.

Além dos áudios, mensagens reveladas pelo Intercept mostraram que o banqueiro acompanhava diretamente os pagamentos relacionados ao projeto. A série Vaza Flávio revelou ainda que o senador havia pressionado intermediários para acelerar os aportes.

As revelações também levaram o caso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, foi sorteado relator de ações relacionadas ao filme, incluindo uma representação que pede investigação sobre possível abuso de poder econômico no financiamento da produção e outra que questiona sua eventual exibição durante o período eleitoral.

Paralelamente, o STF passou a investigar o financiamento da obra. Com a autorização de Mendonça para a abertura do inquérito, a PF poderá aprofundar a análise das movimentações financeiras e das conexões internacionais envolvendo o projeto.

Flávio nega irregularidades

Em manifestação enviada à reportagem de O Globo, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que não existem atos oficiais que indiquem a adoção de qualquer medida para incluí-lo na Interpol.

A defesa também criticou a divulgação da informação sobre uma eventual medida de cooperação internacional e afirmou que notícias sobre medidas cautelares deveriam estar baseadas em documentos oficiais ou comunicações das autoridades competentes.

O senador mantém a versão de que os recursos foram destinados exclusivamente à produção do filme e nega qualquer relação entre os aportes e atividades de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Neste momento, portanto, não há inclusão formal de Flávio Bolsonaro na difusão prateada da Interpol. O que existe é uma avaliação da Polícia Federal sobre a possibilidade de utilizar o mecanismo para ampliar o rastreamento internacional dos recursos.

A investigação agora terá como um dos principais objetivos estabelecer o percurso dos R$ 61 milhões: de onde partiram, por quais estruturas financeiras passaram, quem recebeu os valores e, principalmente, se o dinheiro foi integralmente utilizado para a produção de Dark Horse.

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