Mendonça quer sessão presencial do STF para analisar elementos da PF sobre operação Compliance Zero

Ministro retirou sigilo do processo e defendeu que novos elementos da PF sejam avaliados de forma pública pelo plenário da Corte
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Ministro do STF retirou sigilo do processo e defendeu que novos elementos da PF sejam avaliados de forma pública pelo plenário da Corte. Foto: Divulgação

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (1º) que os novos elementos apresentados pela Polícia Federal sobre o banqueiro Daniel Vorcaro devem ser analisados pelo plenário da Corte. O material inclui mensagens e outros dados extraídos do celular do empresário durante as investigações. Leia em TVT News.

Mendonça defendeu que a análise ocorra em uma sessão presencial, pública e transparente. A decisão sobre a data e o formato da apreciação, no entanto, cabe ao presidente do STF, ministro Edson Fachin.

O processo reúne informações obtidas pela Polícia Federal a partir da análise do aparelho de Vorcaro. Os investigadores apuram uma suposta estrutura de monitoramento e influência relacionada ao banqueiro.

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O ministro também retirou o sigilo dos autos. Antes disso, havia estabelecido prazo de cinco dias para que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestasse sobre os elementos reunidos pela PF.

Na decisão desta terça, Mendonça indicou que o caso será encaminhado ao plenário independentemente da posição apresentada pela Procuradoria-Geral da República. Segundo ele, caberá ao colegiado examinar as informações de maneira técnica e jurídica.

Mensagens indicam que Vorcaro consultou Moraes antes de ser preso

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro levantaram suspeitas sobre uma possível comunicação entre o banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nos dias que antecederam a prisão do empresário.

Segundo o material divulgado, Vorcaro teria consultado o ministro sobre o avanço das investigações e sobre a possibilidade de ser preso. As mensagens, por si, não comprovam irregularidades nem estabelecem responsabilidade criminal de Moraes ou Vorcaro, e suas as circunstâncias e significado dos contatos ainda deverão ser esclarecidos no curso da ação no Supremo.

De acordo com a PF, em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser detido, Vorcaro teria enviado a seguinte mensagem: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. No dia seguinte, teria voltado a questionar o interlocutor: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.

As mensagens foram recuperadas do aparelho do banqueiro, mas eventuais respostas de Moraes não foram obtidas pela investigação.

Na mesma sequência de conversas, Vorcaro teria perguntado: “Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo?”.

Em outro momento, diante de possíveis medidas contra o Banco Master, teria dito: “É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco”. O conteúdo é citado pela investigação como possível indício de que o banqueiro buscava interferência ou informações sobre as apurações.

A PF acredita que mensagens teriam sido trocadas por meio de capturas de tela de textos escritos no aplicativo de notas do celular dos interlocutores e enviadas pelo aplicativo WhatsApp no formato de mensagens com visualização única.

Isso porque a PF já havia recuperado as mensagens do bloco de notas do celular do banqueiro, mas não havia identificação de interlocutor.

Moraes nega ser o destinatário das mensagens identificadas pela Polícia Federal.

Banqueiro teria autorizado emissão de cartões de crédito do Master para filhos de Moraes

O relatório da Polícia Federal também registra mensagens que indicariam que Daniel Vorcaro autorizou, em outubro de 2025, a emissão de cartões de crédito do Banco Master para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro Alexandre de Moraes.

Segundo a revista Veja, o pedido teria sido encaminhado por Guilherme Benazzi, ligado ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

Nas mensagens, uma funcionária do banco teria consultado Vorcaro sobre a emissão dos cartões: “O Guilherme que trabalha com a dra. Viviane me ligou para emitir cartão para os filhos dela… Limite de 300 para cada… Posso seguir?”. O banqueiro teria respondido: “Ok”. O material integra o conjunto de informações encaminhado ao ministro André Mendonça para análise.

Contrato entre mulher de Moraes e Banco Master também é citado

Novas informações da investigação da Polícia Federal também indicariam que o ministro Alexandre de Moraes teria feito alterações na versão final de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes.

Segundo a análise de metadados, o arquivo teria sido editado em janeiro de 2024 por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O escritório afirma que Moraes foi consultado apenas para verificar possíveis impedimentos legais e que o acordo foi assinado depois dessa avaliação.

O contrato previa pagamentos mensais ao escritório durante 36 meses. A existência do documento foi revelada em 9 de dezembro de 2025 pela jornalista Malu Gaspar, do O Globo. Na ocasião, foram divulgados os termos do acordo entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, que previa pagamentos de cerca de R$ 3,6 milhões mensais.

Prisão se deu poucos dias após mensagens supostamente enviadas a Moraes

Dois dias depois da primeira mensagem sobre a possibilidade de deixar o país, em 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo, quando se preparava para embarcar em um avião particular. Na ocasião, os investigadores suspeitavam que ele pudesse deixar o Brasil. A prisão ocorreu antes da liquidação do Banco Master, determinada pelo Banco Central no dia seguinte.

O conteúdo das conversas agora faz parte dos elementos que serão avaliados no Supremo. O ministro André Mendonça, relator do caso, determinou a retirada do sigilo dos autos e indicou que os novos dados deverão ser submetidos ao plenário da Corte.

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