O empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro e dono da Entre Investimentos, afirmou em acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) que atuava na obtenção de dinheiro em espécie para Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. As informações são da jornalista Andréia Sadi, do g1. Leia em TVT News.
Segundo o relato apresentado à PGR, Antonio Carlos teria movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Parte desses recursos teria sido entregue em malas, com valores normalmente entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão.
O empresário entregou às autoridades documentos e outros materiais que, segundo ele, ajudam a comprovar os relatos. Entre os itens estão recibos de malas compradas pela internet para armazenar o dinheiro, contratos de mútuo, registros de transferências bancárias, uma tabela com datas e valores e imagens de câmeras de segurança da empresa.
De acordo com a delação, os pedidos para obtenção do dinheiro em espécie eram feitos inicialmente por Vorcaro e, posteriormente, também por Fabiano Zettel, cunhado do empresário. O delator afirmou que as solicitações eram feitas pelo WhatsApp e que, em algumas situações, os valores eram retirados por motoristas ligados a Vorcaro ou Zettel.
Antonio Carlos disse à PGR que os recursos em espécie seriam “provavelmente” destinados ao pagamento de comissões e vantagens indevidas.
Como funcionaria a obtenção do dinheiro
Ainda segundo o depoimento, Antonio Carlos recebia os pedidos e acionava três operadores responsáveis por conseguir o dinheiro vivo. Depois, realizava transferências bancárias para empresas indicadas por esses intermediários.
Uma dessas empresas seria uma distribuidora de combustíveis que, conforme o relato apresentado pelo empresário, já teria aparecido nas investigações da Operação Carbono Oculto, em São Paulo.
Os operadores, de acordo com a delação, obtinham o dinheiro por meio de contatos no Brás, região central da capital paulista, e também no setor de combustíveis. Posteriormente, os valores eram levados para a sede da Entre Investimentos, localizada na Rua Iguatemi, no Itaim Bibi.
A entrega das malas a Zettel era combinada por mensagens e, segundo Antonio Carlos, normalmente ocorria no mesmo dia em que o dinheiro chegava à empresa. O objetivo seria reduzir o período de armazenamento dos valores.
As entregas ocorriam no estacionamento subterrâneo do prédio da Entre Investimentos ou na garagem do edifício onde Zettel morava, também no Itaim Bibi.
O empresário afirmou ainda que recebia 1% pelo serviço, enquanto os operadores responsáveis por obter o dinheiro ficavam com 4%.
Documentos e imagens foram apresentados à PGR
Além dos recibos das malas, Antonio Carlos apresentou contratos de mútuo supostamente utilizados para justificar as transferências aos operadores. Também foram entregues comprovantes bancários e uma relação com os valores e as respectivas datas.
Outro material citado na delação são vídeos das câmeras internas da Entre Investimentos. Segundo o empresário, as imagens registrariam a movimentação das malas e permitiriam identificar motoristas que participavam das retiradas.
O acordo de delação premiada foi assinado por Antonio Carlos em 8 de agosto, após aproximadamente quatro meses de negociações com a PGR.
O acordo foi encaminhado pela Procuradoria para homologação do ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
Empresa também aparece em repasses ligados ao filme Dark Horse

A Entre Investimentos também é citada em outro episódio relacionado às investigações. Conforme as informações divulgadas por Andréia Sadi, a empresa teria realizado, por determinação de Vorcaro, repasses ao fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos.
Os recursos teriam sido destinados ao financiamento do filme Dark Horse. Segundo a apuração, os repasses teriam sido solicitados a Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. Flávio nega qualquer irregularidade relacionada ao caso.
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O episódio envolvendo os repasses para o filme e os relatos apresentados na delação fazem parte das investigações que passaram a envolver diferentes operações financeiras ligadas ao Banco Master e a pessoas próximas ao antigo controlador da instituição.
O outro lado
Procurado pela reportagem, o advogado de Antonio Carlos Freixo Junior, Marco Petrelluzzi, afirmou que não poderia comentar o conteúdo do acordo em razão da confidencialidade da delação.
O advogado Daniel Bialski, que representa Daniel Vorcaro, não se manifestou sobre os relatos apresentados pelo empresário. A defesa de Fabiano Zettel não foi localizada.
As acusações e informações apresentadas em uma delação premiada ainda precisam ser analisadas pelas autoridades responsáveis pela investigação e confrontadas com outras provas. A homologação do acordo pelo STF também faz parte do procedimento de validação da colaboração.