O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilhou nas redes sociais um documento falso atribuído à Polícia Federal (PF) que supostamente afastaria a existência de indícios de crimes nas conversas mantidas por ele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A falsificação foi identificada pelo UOL Confere, que verificou o uso de inteligência artificial na elaboração do arquivo. Leia em TVT News.
O documento apresentava uma suposta análise das conversas entre o parlamentar e Vorcaro e afirmava que as interações teriam ocorrido em contexto “pessoal e profissional”. A PF, porém, negou ser responsável pelo material.
A publicação também provocou uma reação na Câmara. A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que denunciou Nikolas à Justiça Eleitoral pela divulgação do documento falsificado. Segundo Erika, que fez a denúncia em conjunto com as candidatas candidatas Ana Elisa e Bella Gonçalves, Nikolas teria utilizado um arquivo produzido com inteligência artificial para se apresentar como inocente após a divulgação de informações sobre sua relação com Vorcaro.
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Documento tinha sinais de falsificação
Um dos principais indícios de que o arquivo não era autêntico está na presença de uma marca d’água associada a uma ferramenta de geração de conteúdo da OpenAI. A análise realizada pelo UOL Confere identificou que o documento havia sido produzido com auxílio de inteligência artificial.
O texto também continha erros de português e informações incompatíveis com os registros conhecidos sobre o caso. Entre eles estava a expressão “contato salvado como Nikolas Dep”, utilizada na descrição de um dos supostos elementos analisados.
Outro problema estava na data apresentada no arquivo. O documento indicava 18 de novembro de 2025 como a data da extração dos dados, embora afirmasse tratar de informações obtidas a partir do celular de Vorcaro.
A data, contudo, não corresponde ao dia da prisão do banqueiro. Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, durante uma ação da Polícia Federal. Assim, caso a extração mencionada no documento tivesse ocorrido de fato, ela seria posterior à prisão, no dia seguinte. A inconsistência reforça os indícios de que o arquivo não corresponde a um relatório oficial da PF.
Erika denuncia publicação à Justiça Eleitoral
Em publicação nas redes sociais, Erika Hilton classificou o arquivo como um “laudo fraudado” e afirmou que ela e as deputadas Ana Elisa e Bella Gonçalves acionaram a Justiça Eleitoral contra Nikolas.
A deputada argumentou que a divulgação de um documento falso atribuído a uma instituição pública não pode ser utilizada para influenciar o debate durante o período eleitoral. Erika também afirmou que a produção do material por inteligência artificial agrava a situação.
PF nega autoria do arquivo
Procurada pelo UOL Confere, a Polícia Federal afirmou que o documento não foi produzido pela instituição.
Mesmo assim, o arquivo foi divulgado por Nikolas Ferreira em seus stories no Instagram, onde permaneceu disponível por algum tempo antes de ser retirado. A publicação alcançou potencialmente um grande público, já que o deputado possui cerca de 22 milhões de seguidores na plataforma.
A assessoria do parlamentar afirmou ao UOL Confere que Nikolas apenas republicou o conteúdo encontrado em um portal e que o retirou depois de descobrir que se tratava de um material falso.
Áudios levantam questionamentos sobre relação com Vorcaro
A circulação do documento ocorreu depois da divulgação de gravações que mostram Nikolas Ferreira pedindo ajuda a Vorcaro para tratar de um assunto relacionado a um amigo e ex-assessor.
O áudio foi divulgado pelo ICL Notícias e mostra o deputado solicitando ao banqueiro auxílio para a liberação de um ativo minerário. A existência da gravação contrasta com a tentativa do documento falso de apresentar as conversas entre os dois como interações sem indícios de irregularidades.
O episódio ocorre em meio às investigações envolvendo Vorcaro e o Banco Master e à divulgação de diferentes documentos e mensagens relacionados ao ex-banqueiro. A falsificação atribuída à PF, entretanto, não constitui documento oficial da investigação e não pode ser utilizada como prova sobre a relação entre Nikolas Ferreira e Vorcaro.