Lula vai à ONU: quando e qual será o tema do discurso de abertura

Presidente Lula viaja a Nova York entre 20 e 22 de setembro e fará a abertura da assembleia geral da ONU na terça-feira
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Participação de Lula na Assembleia da ONU tem discursos e atos em defesa da democracia. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará a Nova York entre domingo (20) e terça-feira (22) para participar da 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). O principal compromisso será o discurso de abertura do Debate Geral, marcado para terça-feira (22). Leia em TVT News.

Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro país a discursar no Debate Geral desde 1955. Neste ano, Lula deverá defender a importância do multilateralismo diante da multiplicação de conflitos internacionais e apresentar a posição brasileira sobre os principais temas da agenda internacional.

O discurso ainda está em elaboração, mas auxiliares do presidente afirmam que Lula deverá dedicar parte da fala à defesa da soberania brasileira e fazer referências indiretas ao que o governo considera tentativas externas de interferência no processo eleitoral do país.

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Lula deve fazer críticas indiretas aos EUA

Segundo informações de auxiliares, Lula não deverá citar diretamente os Estados Unidos nem o presidente Donald Trump. Ainda assim, a expectativa é de que haja recados aos EUA e a outros países que, na avaliação do governo brasileiro, tentam influenciar as eleições do Brasil.

Além dos Estados Unidos, Argentina e Israel são citados pela equipe de Lula nesse contexto. Para os auxiliares do presidente, os EUA representam a maior ameaça à reeleição de Lula, principalmente pelo peso das grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, e pela atuação norte-americana na geopolítica.

Apesar das referências ao cenário eleitoral, o processo eleitoral brasileiro não deverá ser o tema central da fala. Segundo a diplomacia brasileira, o assunto ganhou relevância diante da avaliação de que a democracia e o multilateralismo estão sob ataque.

Nos últimos dias, Lula tem afirmado que pretende deixar claro a Trump que não aceita interferência norte-americana nas eleições brasileiras.

Multilateralismo e reforma da ONU estarão na agenda

Outro eixo previsto para o discurso é a defesa do multilateralismo, uma das linhas centrais da política externa brasileira. Lula deverá defender a negociação como caminho para solucionar disputas entre países, além do respeito ao direito internacional humanitário e ao princípio de não interferência em assuntos internos de outros Estados.

A reforma das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança, também deverá ser abordada. O Brasil defende há anos mudanças na composição e no funcionamento do órgão e critica sua dificuldade de responder aos conflitos internacionais.

A 81ª sessão da Assembleia Geral tem como tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. A sessão é presidida pelo ministro das Relações Exteriores de Bangladesh, Khalilur Rahman.

Encontro com António Guterres

Além do discurso, Lula terá uma reunião com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Será a última Semana de Alto Nível da Assembleia Geral com Guterres no cargo, já que seu segundo mandato termina em 31 de dezembro de 2026.

A agenda presidencial prevê a chegada de Lula a Nova York na noite de domingo (20). Na segunda-feira (21), estão previstos encontros bilaterais, ainda em definição. Na terça-feira, além do discurso na Assembleia Geral e da reunião com Guterres, o presidente retornará ao Brasil.

Esta será a 11ª participação de Lula na Assembleia Geral da ONU como presidente da República. Ao longo de seus três mandatos, ele não participou apenas da edição de 2010.

Lula e Trump podem se encontrar em Nova York

Lula e Trump podem se cruzar durante o intervalo entre os discursos de abertura da Assembleia Geral. Até o momento, não há movimentação dos dois governos para uma reunião bilateral às margens do evento.

A expectativa é que os presidentes se encontrem nos corredores da Assembleia, como ocorreu no ano passado. Na ocasião, Trump afirmou que havia existido uma “química” entre os dois.

O possível encontro ocorre em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos, marcadas pela imposição de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros e por declarações de Trump relacionadas à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mauro Vieira participa de reuniões ministeriais

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá em Nova York durante toda a semana e participará de reuniões ministeriais de diferentes grupos e organizações, incluindo BRICS, IBAS, G77, G4, L69 e CPLP.

Também estão previstas reuniões da CELAC e do Consenso de Brasília. Vieira presidirá, ainda, dois encontros ministeriais: o da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, em 23 de setembro, e o da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS), no dia 24.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, também participará de atividades em Nova York, entre os dias 21 e 23, relacionadas a segurança alimentar, proteção social, financiamento para o desenvolvimento e cooperação internacional.

Presidente Lula viaja a Nova York entre 20 e 22 de setembro e fará a abertura da assembleia geral da ONU na terça-feira; soberania, multilateralismo e reforma da ONU devem estar entre os temas

A delegação brasileira participará ainda de reuniões do Conselho de Segurança da ONU e de encontros sobre a situação da Palestina e a solução de dois Estados, combate à desigualdade, consolidação da paz e direito internacional humanitário.

Além de Mauro Vieira e Wellington Dias, estão previstas atividades com a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; o ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena; e a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros.

Eleições não serão tema central

Apesar das referências à interferência externa, o processo eleitoral brasileiro não deverá ocupar o centro do discurso de Lula. A avaliação do governo é que o assunto ganhou relevância diante do entendimento da diplomacia brasileira de que a democracia e o multilateralismo estão sob ataque.

Nos últimos dias, Lula tem afirmado que pretende reforçar a Trump que não aceita interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. A manifestação deve ocorrer em meio às discussões sobre a relação entre os dois países.

Lula e Trump podem se encontrar na ONU

Lula e Trump podem se cruzar durante o intervalo entre os discursos de abertura da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU. Até o momento, não há movimentação entre os dois governos para a realização de uma reunião bilateral durante o evento.

A expectativa é que os presidentes se encontrem nos corredores da Assembleia, como ocorreu no ano passado. Na ocasião, Trump afirmou que havia existido uma “química” entre os dois.

A relação entre Brasil e Estados Unidos tem sido marcada recentemente pela imposição de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros e por declarações de Trump relacionadas à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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