Ex-sócio de Flávio Bolsonaro relata despesas, Rolex e lobby no STF

Documentos reunidos por ex-sócio do senador apontam pagamentos de despesas pessoais, presente de R$ 305 mil e lobby com Kassio Nunes Marques no STF
senador-flavio-bolsonaro-aparece-como-filiado-ao-missao-no-sistema-da-justica-eleitoral-campanha-afirma-que-vai-pedir-investigacao-a-pf-foto-maura-martins-tv-brasil
Senador Flávio Bolsonaro – Foto: Maura Martins/TV Brasil

Uma reportagem do PlatôBR, assinada pelo jornalista Rodrigo Rangel, reúne mensagens, áudios, documentos, notas fiscais e fotografias divulgadas pelo empresário Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio e antigo amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL). O material revela lobby de Flávio durante o governo do pai. Leia em TVT News.

O material relata episódios envolvendo despesas pessoais pagas por pessoas próximas ao parlamentar, presentes de alto valor e uma suposta intermediação de interesses junto ao gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A reportagem também aborda aspectos da vida pessoal de Flávio Bolsonaro, incluindo encontros com garotas de programa, a relação entre dinheiro, influência política e pessoas que circulavam próximas ao então governo de Jair Bolsonaro.

Segundo o PlatôBR, Santini, ex-sócio de Flávio, manteve uma relação de amizade com ele durante cerca de duas décadas e foi seu sócio na Bolsotini Chocolates e Café Ltda., franquia da Kopenhagen que funcionou na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Empresa de ex-sócio de Flávio envolvida em esquema de rachadinhas

A empresa Bolsotini Chocolates e Café Ltda apareceu nas investigações sobre o caso das chamadas rachadinhas, quando Flávio ainda era deputado estadual. A sociedade terminou de forma conflituosa, e Santini passou a cobrar do senador valores que, segundo ele, permaneciam pendentes.

Em 2023, o ex-sócio encaminhou uma notificação extrajudicial cobrando R$ 1,4 milhão. O documento, conforme a reportagem, apontava prejuízos relacionados ao encerramento da empresa e detalhava os investimentos realizados pelos sócios.

Flávio não teria respondido à notificação. A disputa financeira passou a envolver também mensagens, documentos e outros registros que Santini dizia possuir sobre o senador.

O escritório de Willer Tomaz foi acionado encerrar o conlfito com o ex-sócio e pagar os valores que Alexandre Santini cobrava. Como estava sem falar com Flávio, Santini enviou uma mensagem a Fernanda Bolsonaro. 

flavio-bolsonaro-lobby-kassio-nunes-tvt-news
Print de conversa de Santini com Fernanda Bolsonaro, esposa de Flávio – Foto: Reprodução/Platô

Despesas e presentes pagos por pessoas próximas

Entre os documentos apresentados pelo PlatôBR estão registros de despesas pessoais de Flávio Bolsonaro que teriam sido pagas por pessoas de seu círculo de relações.

Um dos casos citados envolve equipamentos para uma academia instalada na residência do senador em Brasília. Segundo a reportagem, as notas fiscais somariam mais de R$ 90 mil e teriam sido pagas pelo advogado Alan Belaciano.

flavio-bolsonaro-lobby-kassio-nunes-tvt-news
Notas fiscais apresentadas pelo ex sócio do Flávio Bolsolnaro – Foto: Reprodução/Platô

O mesmo advogado aparece em outro episódio de maior valor. De acordo com o PlatôBR, Belaciano comprou, em fevereiro de 2022, um Rolex Submariner Date de ouro branco por R$ 305 mil.

A nota fiscal foi emitida em nome do advogado, mas mensagens reunidas por Santini indicariam que o relógio seria destinado a Flávio Bolsonaro.

A reportagem também cita outras despesas, como reparos na residência, a compra de uma televisão de 75 polegadas e mensalidades de uma academia frequentada pelo senador e sua mulher.

Em manifestação anterior mencionada pelo próprio material, Flávio teria afirmado que a compra dos equipamentos de academia havia sido feita por um amigo como um “empréstimo pessoal”, que estaria sendo pago.

O conjunto desses episódios é apresentado pelo PlatôBR como parte de uma rede de relações em que amigos e parceiros próximos de Flávio teriam assumido despesas particulares e oferecido benefícios de alto valor.

Relações com pessoas interessadas no governo

A reportagem também descreve a circulação de advogados, empresários e lobistas próximos a Flávio Bolsonaro durante o período em que Jair Bolsonaro ocupava a Presidência da República.

O Flávio teria sido procurado por pessoas interessadas em solucionar questões em diferentes áreas da administração pública. O material menciona ministérios, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e tribunais.

Um dos locais citados é uma casa no Lago Sul, em Brasília, que teria funcionado como ponto de encontro de pessoas interessadas em tratar de negócios e demandas junto ao governo. Entre os frequentadores estava Alan Belaciano, que mantinha proximidade com Flávio.

A reportagem afirma ainda que relações entre integrantes desse círculo e empresários interessados em negócios com o governo se intensificaram durante a pandemia de Covid-19. O texto menciona, nesse contexto, contatos com empresários envolvidos na tentativa de contratação da vacina Covaxin pelo Ministério da Saúde.

Lobby com Kassio Nunes Marques no STF

O trecho de maior impacto institucional apresentado pela reportagem envolve o ministro Kassio Nunes Marques, do STF.

De acordo com o PlatôBR, no fim de 2023, durante a disputa financeira entre Flávio e Santini, o ex-sócio enviou uma mensagem ao senador afirmando que ele teria tratado diretamente com Kassio sobre os interesses de um cliente que possuía um processo no gabinete do ministro.

Santini também mencionou a participação de Alan Belaciano no caso e um jantar que teria sido articulado com o chefe de gabinete do magistrado.

Flávio teria respondido à mensagem marcando uma reunião com Santini em seu gabinete.

Os termos da conversa não foram divulgados. Posteriormente, Santini comunicou a pessoas com quem havia compartilhado informações que o conflito estaria encerrado.

De acordo com Platô BR, mensagens indicam que Flávio Bolsonaro teria participado de festas com garotas de programas em hotel de luxo

A seguir, os principais pontos revelados pelo site Platô BR, em reportagem do repórter Rodrigo Rangel, sobre as supostas festas com garotas de programa que teriam envolvido o senador Flávio Bolsonaro. As informações foram obtidas a partir de mensagens, áudios, documentos e fotos guardados por Alexandre Santini, ex-sócio e ex-amigo do senador, e reveladas com exclusividade pelo Platô BR.

Conversas de ex-sócio de Flávio Bolsonaro relatam festas e encontros privados

Crise em Casa: segundo o Platô BR e o repórter Rodrigo Rangel, o rompimento entre Flávio Bolsonaro e o ex-sócio Alexandre Santini, em meio a uma disputa financeira, levou Santini a procurar Fernanda Bolsonaro e apresentar mensagens, fotos e outros registros sobre encontros privados com garotas de programa.

Garotas no Hyatt: o material obtido pelo Platô BR, de acordo com Rodrigo Rangel, inclui conversas de Santini com uma agenciadora para organizar encontros com garotas de programa, inclusive no Grand Hyatt, no Rio de Janeiro. Nas mensagens, Santini menciona a participação de Flávio Bolsonaro e pede sigilo por causa do período eleitoral.

Willer Tomaz, o onipresente: durante a disputa entre os ex-sócios, o advogado Willer Tomaz entrou nas negociações para tentar resolver o conflito financeiro. Segundo o Platô BR e Rodrigo Rangel, o escritório de Tomaz procurou os advogados de Santini em nome de Flávio para tratar de um possível acordo.

Garotas no Hyatt

Entre os documentos apresentados pelo Platô BR e pelo repórter Rodrigo Rangel estão mensagens trocadas por Santini com uma mulher apontada pela reportagem como agenciadora de garotas de programa.

Em uma das conversas, Santini combina uma nova “festinha” semelhante a outra realizada no Grand Hyatt, no Rio de Janeiro. Ele menciona a presença de Flávio Bolsonaro e de outros amigos e pede que sejam selecionadas mulheres para o encontro.

O Grand Hyatt, hotel cinco estrelas situado entre o mar e a Lagoa de Marapendi, na Barra da Tijuca, era um dos locais escolhidos para os encontros. Algumas das fotos que teriam sido mostradas pelo ex-sócio à mulher de Flávio Bolsonaro foram tiradas lá, em apartamentos com diária de R$ 3 mil, ampla varanda e vista panorâmica.

As mensagens também indicam preocupação com o sigilo. Em determinado trecho, Santini afirma que o encontro deveria ser reservado porque aquele era um período eleitoral.

O UOL teve acesso ao mesmo material e também repercutiu as mensagens publicadas originalmente pelo Platô BR.

Segundo Rodrigo Rangel, algumas das imagens guardadas por Santini teriam sido feitas em um dos apartamentos do Grand Hyatt. A reportagem não publica as imagens de conteúdo íntimo.

Willer Tomaz, de novo

Na crise, entrou em cena o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro e personagem que já apareceu em outras denúncias. Tomaz chegou a ser preso em 2017 em operação desdobrada da delação da JBS e, atualmente, é investigado no caso das fraudes no INSS. Ele é dono de um rancho nos arredores de Brasília que Flávio e outras figuras frequentavam, e também é um dos proprietários, junto com a empresa de Daniel Vorcaro, do jato Legacy, no qual o presidenciável viajou de Fort Lauderdale, na Flórida, até Brasília, em janeiro de 2025.

Em 2023, foi o escritório de Willer Tomaz que Flávio acionou para tentar encerrar a querela com o ex-sócio. Santini, então, enviou uma mensagem a Fernanda Bolsonaro:

“Meus advogados foram procurados pelo escritório do Willer Tomaz, que disse agir em nome do Flávio para resolver a situação. Começaram a tratar sobre um acordo envolvendo a questão da loja, mas na hora de resolver, ele sempre posterga ou não dá uma resposta consistente. Se o Willer está representando o Flávio, preciso de uma resposta definitiva sobre o acordo até amanhã. Se realmente não houver interesse em fazer acordo, vamos encerrar esse contato com o Willer e seguir com os procedimentos.” Fernanda respondeu que estava por fora do assunto.

Todas as informações são do site Platô BR e do repórter Rodrigo Rangel, que revelaram os detalhes com exclusividade.

Assuntos Relacionados