Flávio Bolsonaro é contra o fim da escala 6×1

Candidato diz que vai votar a favor do fim da 6x1, mas promete a aliados e empresários que defenderá a jornada por hora se for eleito
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Fim da escala 6x1 é apoiada pela maioria da população, mas Flávio Bolsonaro é contra - Foto: Elineudo Meira / CUT

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, anunciou que votará a favor da PEC que acaba com a escala 6×1, mas a mudança de discurso às vésperas da eleição esconde um plano para revisar a medida caso seja eleito. Entenda com a TVT News.

Após meses classificando a proposta como “hipocrisia” e “populista”, Flávio Bolsonaro sinalizou a empresários e ao mercado financeiro que pretende trabalhar por uma jornada de remuneração por hora trabalhada e revisar o texto aprovado. A reviravolta ocorre a 12 dias do segundo turno, pressionada pelo forte apelo popular da pauta — 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, segundo pesquisa Quaest

Escala 6×1: Flávio Bolsonaro muda discurso, mas aliados prometem revisão

  • O que Flávio Bolsonaro já falou sobre o fim da escala 6×1: o senador chamou a proposta de “hipocrisia” e “oportunista”, alegando que era eleitoreira.
  • Medo de perder votos: a mudança ocorre em plena disputa presidencial, quando o fim da escala 6×1 é uma das principais bandeiras de Lula e conta com amplo apoio popular.  A avaliação da campanha foi de que ele não poderia votar contra o fim da escala 6×1 em meio ao período eleitoral, diante do forte apelo popular da medida
  • O recado aos empresários: integrantes da equipe econômica de Flávio sinalizaram ao mercado financeiro que um eventual governo Bolsonaro poderá trabalhar para rever o fim da escala 6×1.
  •  PEC 12/2026, de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN) e assinada por Flávio, prevê remuneração por hora trabalhada e jornadas flexíveis, mantendo o limite de 44 horas semanais.
  • Não há liberdade do trabalhador negociar com patrão (relação desigual): na prática, a negociação individual entre empregado e empregador ocorre em uma relação de poder desigual, o que pode precarizar direitos conquistados. A negociação individual não ocorre em condições equivalentes, já que o empregador concentra poder econômico e influência sobre a contratação.
  • Pagamento por hora trabalhada é prejudicial ao trabalhador: o modelo pode reduzir ganhos em períodos de baixa demanda e fragilizar a proteção social, afetando especialmente trabalhadores com renda mais baixa. Sem garantias adequadas de remuneração mínima e descanso, o modelo pode transferir riscos e instabilidade financeira para o trabalhador.
  • A posição de Lula: o presidente defende o fim da escala 6×1, a redução da carga semanal para 40 horas e dois dias de descanso, sem redução salarial. O fim da escala 6×1 é uma das principais bandeiras do Lula.

Mudança de opinião sobre fim da escala 6×1 de Flávio Bolsonaro é estelionato eleitoral

A mudança de posição de Flávio Bolsonaro sobre o fim da escala 6×1 configura o que especialistas e adversários classificam como estelionato eleitoral. Durante meses, o senador tratou a proposta como “truque de mágica em festa infantil” e acusou Lula de explorar o tema eleitoralmente. Agora, a menos de duas semanas do segundo turno, o candidato do PL diz que votará a favor — mas não esconde de aliados e empresários que pretende revisar a medida se for eleito.

A justificativa oficial é de que “a maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6×1”. Nos bastidores, porém, a campanha reconhece que a mudança foi motivada pelo temor de gerar desgaste eleitoral diante da popularidade da pauta.

Reportagem do ICL Notícias publicada nesta quarta-feira (14) informa que integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro estão comunicando ao mercado financeiro a possibilidade de rever as regras caso o senador seja eleito presidente.

O que Flávio Bolsonaro já falou sobre o fim da escala 6×1

Antes de anunciar o voto favorável, Flávio Bolsonaro acumulou críticas à proposta que acaba com a escala 6×1. O senador classificou a medida como “hipocrisia” e “oportunista”, argumentando que se tratava de uma manobra eleitoreira da esquerda.

Em diferentes declarações, o candidato do PL defendeu que a proposta engessaria a jornada de trabalho e prejudicaria categorias específicas. Em encontro com representantes da indústria, do comércio, dos serviços e do agronegócio em São Paulo, o senador sinalizou que a PEC poderá ser revisada pelo Congresso em eventual governo dele.

Segundo apuração do ICL Notícias, a campanha articulou uma estratégia para reverter os efeitos da decisão caso o senador seja eleito. O plano envolve disputar o comando da Câmara e do Senado em 2027 e retomar propostas apresentadas por parlamentares bolsonaristas para o tema.

Duas propostas já protocoladas são consideradas alternativas: a PEC 12/2026, de Rogério Marinho, e a PEC 40/2025, do deputado Mauricio Marcon (PL-RS). Ambas permitem remuneração proporcional às horas trabalhadas.

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Ato pelo fim da escala 6×1 – Foto: Elineudo Meira / CUT

A PEC alternativa defendida por Flávio e seus aliados prevê remuneração por hora trabalhada e um regime de contratação alternativo à CLT, similar ao que vigora nos Estados Unidos. O modelo pode ameaçar o salário mínimo e benefícios trabalhistas, segundo análise de especialistas.

A comunicação com o mercado financeiro ficou sob responsabilidade de Daniela Marques e de outros integrantes da coordenação econômica da campanha, com o cuidado de transmitir os compromissos por intermediários para evitar a exposição direta do candidato.

O que Flávio Bolsonaro tem falado a empresários sobre o fim da escala 6×1

Enquanto anuncia apoio à proposta no Senado, Flávio Bolsonaro tem uma mensagem diferente para o setor empresarial.

A CNN Brasil também noticiou que Flávio sinalizou a empresários que o fim da escala 6×1 poderá ser revisto em um eventual governo. A intenção seria reduzir o impacto eleitoral da pauta trabalhista de Lula sem romper com os interesses de setores empresariais contrários à mudança.

De acordo com o ICL Notícias, duas propostas legislativas são consideradas alternativas por aliados do candidato: a PEC 12/2026, do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, e a PEC 40/2025, do deputado Mauricio Marcon (PL-RS).

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Reprodução da consulta pública da PEC do coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro: Altera o Art. 7° da Constituição Federal para prever a possibilidade de opção pelos empregados quanto à jornada de trabalho, podendo escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas.

Essas iniciativas permitem modelos mais flexíveis de contratação e remuneração proporcional às horas trabalhadas. Elas se diferenciam da proposta de redução para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e manutenção dos salários.

A articulação política também envolve a composição do Congresso a partir de 2027. A intenção relatada é construir condições para avançar com alternativas ao texto defendido pelo governo Lula.

Vídeo mostra quem é quem na votação do fim da escala 6×1

A votação da PEC que acaba com a escala 6×1 no Senado expôs as contradições de Flávio Bolsonaro e de sua bancada. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente Lula aparece cobrando publicamente uma posição do adversário sobre a proposta, que é uma das principais bandeiras de sua campanha.

O momento é simbólico: o candidato do PL, que passou meses atacando a medida, foi forçado a recuar diante da pressão popular. A votação está marcada para esta quarta-feira (14), com possibilidade de ser concluída em dois turnos na mesma sessão.

“Daqui a pouco Flávio Bolsonaro faz o L”, ironiza o senador Randolfe Rodrigues

O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, ironizou a decisão de Flávio Bolsonaro de apoiar o fim da escala 6×1. “Até o dia 25, o Flávio faz o L”, declarou, em referência à data do segundo turno.

Randolfe também acusou a oposição de tentar barrar a votação da proposta. Segundo o senador, Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho participaram diretamente de articulação para adiar a análise da PEC. A votação da escala 6×1 foi adiada em setembro por manobra atribuída ao grupo do PL.

Fim da escala 6×1 é compromisso histórico de Lula e das centrais sindicais

O fim da escala 6×1 é uma bandeira histórica do presidente Lula e das centrais sindicais. A PEC em tramitação no Senado reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, e garante dois dias de descanso remunerado, um deles preferencialmente no domingo.

O fim da escala 6×1 é uma reivindicação histórica de movimentos de trabalhadores, que defendem mais tempo de descanso, saúde e convivência familiar. A proposta também ganhou força nas redes sociais, com mobilizações que colocaram a redução do tempo de trabalho no centro do debate público.

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Prioridade do Governo Lula é o fim da escala 6×1 – Foto: Ricardo Suckert

A proposta tem o apoio de 7 em cada 10 brasileiros (71%), segundo levantamento da Quaest. Diante dessa popularidade, o risco eleitoral forçou a mudança de rota de Flávio Bolsonaro, que agora tenta neutralizar a bandeira de Lula sem abandonar o compromisso com o empresariado que financiou sua campanha.

A votação no Senado exige o mínimo de 49 votos favoráveis em dois turnos. O governo Lula já reuniu 56 votos para acelerar a tramitação da proposta. Caso aprovada sem alterações, a PEC segue para promulgação.

Por que negociar diretamente com o patrão não significa ter liberdade real

A relação entre empregado e empregador é desigual. Enquanto a empresa dispõe de recursos e poder para definir condições de contratação, o trabalhador muitas vezes precisa aceitar as condições oferecidas para manter sua renda.

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Diferentes categorias de trabalhadores defendem a redução de jornada de 44 para 40 horas semanais. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Por isso, a negociação individual não garante, por si só, liberdade real para escolher horários, dias de descanso ou remuneração. Sem regras coletivas e proteção legal, o trabalhador pode ficar mais exposto a jornadas extensas, mudanças frequentes de escala e insegurança financeira.

Pagamento por hora trabalhada pode prejudicar o trabalhador

O pagamento por hora, sem garantias claras, pode ampliar a instabilidade da renda. Se a remuneração depender da quantidade de horas disponibilizadas pelo empregador, o trabalhador poderá receber menos em períodos de menor demanda, mesmo que suas despesas permaneçam iguais.

O risco aumenta quando a flexibilidade é combinada à ausência de garantias de descanso remunerado, previsibilidade de horários e proteção contra abusos. Por isso, o debate sobre o fim da escala 6×1 envolve não apenas a quantidade de horas trabalhadas, mas também a segurança da renda e a distribuição do poder de negociação.

A diferença entre os projetos políticos está justamente nas garantias oferecidas. De um lado, Lula defende a redução da carga semanal, dois dias de descanso e manutenção salarial.

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Fim da escala 6×1 é compromisso histórico de Lula e das centrais sindicaisFotos: Flickr Lula e Flickr Flávio Bolsonaro

De outro, Flávio Bolsonaro anuncia apoio à proposta, enquanto aliados sinalizam ao mercado financeiro que pretendem rever as regras. Para os trabalhadores, o que importa é acompanhar não apenas as declarações de campanha, mas também as iniciativas legislativas e os compromissos efetivamente assumidos.

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