Lula começa a articular quarto mandato e negocia apoio no Congresso

Reunião de Lula com presidentes da Câmara e do Senado marca início das conversas sobre governabilidade; nomes para os Ministérios também começam a ser discutidos
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Reunião de Lula com presidentes da Câmara e do Senado marca início das conversas sobre governabilidade; nomes para os Ministérios também começam a ser discutidos. Foto: Arquivo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou as articulações políticas para seu quarto mandato após vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. Na segunda-feira (26), Lula recebeu no Palácio da Alvorada, em Brasília, os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em uma reunião voltada ao diálogo entre Executivo e Legislativo. Leia em TVT News.

O encontro ocorreu em meio às negociações para a formação da base parlamentar do próximo governo, que começa em janeiro de 2027, e às primeiras conversas sobre a composição da equipe ministerial. A aproximação com lideranças do Centrão abre a possibilidade de Lula reunir um campo de negociação de até 364 deputados federais, embora esse número não represente uma base governista formal.

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Lula busca maioria na Câmara

A articulação para o quarto mandato de Lula pode reunir os 240 deputados do bloco parlamentar ligado a Hugo Motta e outros 124 eleitos por partidos de esquerda e centro-esquerda, entre eles PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PSB e PDT.

O total corresponde a cerca de 71% das 513 cadeiras da Câmara e supera os 308 votos necessários para aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC). A possibilidade de construir uma maioria ampla, no entanto, depende de negociações políticas e não garante apoio automático em votações.

Parte dos partidos do Centrão apoiou Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Com a derrota do candidato do PL, essas legendas voltam a negociar seu espaço político e sua influência no governo federal.

Hugo Motta e Davi Alcolumbre também buscam apoio para permanecer no comando da Câmara e do Senado a partir de fevereiro de 2027. A reunião com Lula, portanto, ocorre em um momento de convergência de interesses entre o Palácio do Planalto e as lideranças do Congresso, mas não significa um acordo formal sobre a composição das Mesas Diretoras.

O cenário legislativo será um dos desafios do novo mandato. O PL elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada da Câmara, enquanto o PT contará com 70 cadeiras. No Senado, o PL também será a maior força, com 29 parlamentares, diante de dez do PT.

Governo começa a discutir novos ministros

Paralelamente à articulação parlamentar, Lula começou a avaliar nomes para a equipe ministerial. Aliados do presidente discutem possíveis mudanças na Esplanada dos Ministérios, com destaque para quadros que ganharam espaço na campanha do segundo turno.

O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), é apontado como possível nome para o Ministério da Fazenda. Com experiência na área econômica, ele comandou a Secretaria da Fazenda do estado antes de assumir o governo.

Já o senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, aparece entre os cotados para a Casa Civil, pasta responsável pela coordenação política e administrativa do governo federal.

Outro nome mencionado nas articulações é o deputado federal André Janones (Rede-MG), reeleito em 2026 e responsável pelo canal de WhatsApp “Exército do Lula” durante a campanha. Ele é considerado por aliados para assumir a Secretaria de Comunicação Social ou a Secretaria-Geral da Presidência.

As conversas também envolvem a possibilidade de ampliar a participação de partidos de centro no governo, especialmente em áreas estratégicas para a relação com o Congresso. A definição dos ministérios deverá fazer parte das negociações para assegurar apoio às propostas do Executivo.

Governabilidade será desafio do quarto mandato

A construção de uma base parlamentar será decisiva para a implementação das prioridades do próximo governo. Embora a soma de bancadas indique a possibilidade de uma maioria expressiva na Câmara, o apoio de partidos do Centrão tende a depender de acordos sobre cargos, recursos e pautas legislativas.

No Senado, o peso da bancada do PL e a necessidade de reunir maiorias qualificadas para mudanças constitucionais tornam as negociações ainda mais relevantes.

A estratégia de Lula será conciliar a participação de aliados históricos com a ampliação do diálogo com outras forças políticas, sem perder de vista as prioridades de seu programa de governo. As primeiras reuniões após a eleição marcam o início desse processo, que deve avançar nas próximas semanas, com a definição da equipe ministerial e a negociação de apoio às propostas do Executivo.

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