O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mencionou nesta quarta-feira (2) o caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o filme Dark Horse ao ser questionado sobre os pedidos de impeachment apresentados contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Leia em TVT News.
Durante a sessão do Senado, Alcolumbre afirmou que “todo mundo esqueceu” que teriam solicitado a Vorcaro o valor de R$ 130 milhões para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro. A declaração foi uma resposta às críticas de senadores da oposição, que cobram do presidente do Senado uma posição sobre os pedidos de afastamento de Moraes. A fala é uma referência ao pedido feito por Flávio Bolsonaro ao ex-dono do Banco Master de R$ 134 milhões para financiar o filme sobre o pai, fato revelado pelo Intercept em maio deste ano através de áudios obtidos pelo portal.
“Eu vou voltar para a pauta porque, senão, terei que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar, todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado sou eu e o ministro Alexandre de Moraes”, disse Alcolumbre durante sessão na casa parlamentar.
A fala do presidente do Senado está ligada ao poder reservado ao seu cargo para dar sequência a pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Atualmente, há 109 pedidos de impeachment contra 10 dos ministros do Supremo parados no Senado; 55 deles se referem especificamente ao ministro Alexandre de Moraes.
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Caso Dark Horse envolveu recursos de Vorcaro
O filme Dark Horse retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, e teria recebido recursos do banqueiro Daniel Vorcaro para custeio da produção. Segundo informações divulgadas sobre o caso, o valor inicialmente mencionado para o projeto chegou a R$ 130 milhões, embora os repasses possam ter sido inferiores a esse montante.
A Polícia Federal agora analisa informações encontradas no celular do empresário.
O caso ganhou novos contornos após a divulgação recente de mensagens atribuídas a Vorcaro que teriam como destinatário o ministro Alexandre de Moraes. As informações vieram a público após o ministro do Supremo André Mendonça levantar o sigilo de um relatório da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. O relatório é fruto de um pedido direto e específico de Mendonça à PF para investigar a relação de Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes.
Nas mensagens que teriam sido enviadas para o ministro, o empresário teria buscado seu auxílio e aconselhamento em questões relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master. As mensagens, porém, não comprovam, por si só, que os pedidos supostamente feitos por Vorcaro tenham sido atendidos por Moraes.
PGR aponta nulidade em investigação sobre mensagens
Após a revelação do relatório da PF por André Mendonça, a Procuradoria-Geral da República (PGR) opinou pela nulidade da investigação ordenada pelo Ministro à PF em relação a Moraes. Para o procurador-geral Paulo Gonet, Mendonça não poderia ter determinado à Polícia Federal a apuração de pessoas específicas sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da própria polícia.
Gonet também questionou o aprofundamento da apuração sobre Moraes. Segundo o procurador-geral, caso houvesse elementos para investigar um ministro do STF, Mendonça deveria ter comunicado o presidente da Corte, Edson Fachin, para que o plenário decidisse sobre a abertura da investigação.
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