De acordo com o Datafolha, o vazamento dos diálogos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do banco Master; e a implementação de medidas pelo governo federal como o programa Desenrola 2.0 e a subvenção de combustíveis impactaram de forma branda o cenário eleitoral. Conferindo leve vantagem ao presidente Lula na disputa que se avizinha. Confira em TVT News.
*** Rafael Sampaio, estagiário, sob orientação do jornalista Alexandre Barbosa
Com base nos resultados da última pesquisa Datafolha divulgados entre sexta (22) e sábado (23), especialistas ouvidos para essa reportagem afirmam que o pleito ainda não está definido. A rejeição elevada de ambos os candidatos, os desdobramentos das relações entre a família Bolsonaro e o dono do banco Master e a alta desaprovação do governo Lula tornam a disputa presidencial deste ano pouco previsível.
Datafolha: Flávio para de crescer e Lula sobe, empate técnico permanece
A última vez que o Datafolha registrou liderança na intenção de votos para o segundo turno fora da margem de erro foi em dezembro de 2025. Na ocasião, Lula marcava 51% contra 36% de Flávio Bolsonaro. As pesquisas eleitorais feitas pelo instituto tem margem de erro de dois pontos, para mais ou para menos.
Embora o empate técnico permaneça, os últimos levantamentos mostram uma alteração de tendências, afirma Jairo Pimentel, cientista político do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo). “O caso Dark Horse interrompeu a trajetória ascendente de Flávio e devolveu alguma vantagem a Lula, mas não resolveu a eleição.”
De acordo com reportagens feitas pelo site The Intercept Brasil, Flávio recebeu cerca de R$61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente financiar o filme autobiográfico do seu pai. O dinheiro foi direcionado para um fundo de investimentos gerido pelo advogado Paulo Calixto, figura próxima a Eduardo Bolsonaro. A Polícia Federal investiga se os recursos não estariam sendo usados para financiar a estadia de Eduardo nos Estados Unidos.
Após a divulgação dos primeiros áudios no dia 13, há muito a ser esclarecido. Os desdobramentos do caso ainda devem afetar a disputa presidencial. “Existem explicações a serem dadas e há, também, a possibilidade de novas revelações”, destaca Aldo Fornazieri, coordenador do curso de pós-graduação em Estratégia e Liderança da FESPSP. “Ainda não dá para dizer que todo o efeito negativo sobre a candidatura de Flávio tenha se consumado.”
Disputa eleitoral deve ser decidida no último lance
O mais recente Datafolha mostrou que a rejeição de ambos os candidatos permanece alta (46% dos entrevistados dizem não votar em Flávio, enquanto 45% rejeitam Lula). A elevada taxa de rejeição e a base fiel dos dois candidatos funcionariam como um amortecedor dos efeitos adversos de eventuais situações problemáticas. Isso explicaria o baque limitado do caso Master nas pesquisas eleitorais recentes. Para o cientista político Jairo Pimentel, apesar do bolsonarismo ter sofrido um “choque de imagem”, Flávio permanece sendo o principal nome “anti-lula”.
A continuidade da candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro permanece assegurada pelo eleitorado fiel ao bolsonarismo, diz o professor do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP, Hilton Fernandes. Entretanto, de acordo com o professor, o jogo político é mais pragmático. “Se Flávio mostrar que não terá força para vencer Lula, a decisão mais importante não virá da família Bolsonaro, que insistirá na indicação, mas sim dos seus aliados, que terão de escolher entre uma candidatura com riscos ou a adoção de um plano B.”
Ações recentes do governo: como a extinção da taxa das blusinhas (imposto de importação de 20% sobre compras de até US$50,00), o Desenrola (refinanciamento de dívidas) e o programa de financiamento subsidiado para aquisição de automóveis para motoristas de aplicativos; geraram efeitos positivos para o governo. A pesquisa do Datafolha divulgada no sábado (23) mostra empate numérico entre a taxa de aprovação e de desaprovação do governo federal (ambas com 48%). Em todas as outras pesquisas deste ano realizadas pelo Datafolha a taxa de desaprovação superava a de aprovação.

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A pouco mais de quatro meses da eleição, Lula tem ligeira vantagem sobre Flávio Bolsonaro de acordo com novo Datafolha. Nesse período que antecede o pleito, desdobramentos das relações entre a família Bolsonaro e Daniel Vorcaro podem impactar o eleitorado. É pouco provável; contudo, que o cenário de disputa acirrada se altere, diz Beto Vasques, analista político da FESPSP. “Estamos diante de um paradoxo eleitoral no qual; por um lado, um escândalo maiúsculo provoca um impacto relativamente modesto; por outro, um impacto modesto tem um efeito maiúsculo para fins eleitorais.”
O fim eleitoral esperado por ambos os candidatos é a vitória nas urnas. Essa, a que tudo indica, será decidida a maneira das partidas de futebol de tempos passados que terminavam empatadas. Nas quais, o vencedor era o time com maior número de tiros de canto.
