O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. foi impedido de entrar na Argentina na segunda-feira (12), ao desembarcar no aeroporto Aeroparque, em Buenos Aires. As autoridades migratórias cancelaram sua residência permanente e determinaram que ele fique proibido de ingressar no país pelos próximos cinco anos. Leia em TVT News.
Tomaz Jr. viajou à capital argentina para realizar entrevistas destinadas a um livro sobre o governo do presidente Javier Milei. Segundo o jornalista, ele não havia sido informado previamente sobre o cancelamento da autorização de residência e só tomou conhecimento da medida ao passar pelo controle migratório.
A Direção Nacional de Migrações argentina justificou a decisão alegando que o brasileiro não permaneceu tempo suficiente no país desde que obteve a residência permanente, em janeiro de 2022. A documentação apresentada pelas autoridades aponta que ele ficou em território argentino por 153 dias desde a concessão do documento.
O jornalista contesta a justificativa e afirma que continuou viajando à Argentina. Segundo ele, somente em 2026 passou 36 dias no país. Tomaz Jr. também declarou que pretende recorrer da decisão.
>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp
Jornalista suspeita de perseguição política
A deportação ocorreu após conflitos públicos entre Tomaz Jr. e integrantes do governo Milei nas redes sociais. O jornalista é crítico da gestão argentina e acompanha os efeitos das políticas econômicas do presidente, marcadas por cortes de gastos públicos e medidas de ajuste fiscal.
Após a decisão migratória, Santiago Caputo, assessor presidencial argentino, comemorou o impedimento de entrada do brasileiro nas redes sociais. Juan Pablo Carreira, conhecido como Juan Doe e responsável pela comunicação digital do governo, também publicou uma mensagem celebrando a medida.
Os episódios ampliaram os questionamentos sobre uma possível motivação política para a deportação. Tomaz Jr. relaciona a decisão aos embates recentes com representantes e apoiadores do governo, mas as informações disponíveis não comprovam que as críticas ao presidente tenham sido a causa formal da medida.
Governo alega irregularidades na residência
Segundo os documentos apresentados à imprensa, o cancelamento da residência foi assinado em 5 de agosto e fundamentado em normas migratórias que permitem revogar autorizações quando as condições exigidas para sua concessão deixam de ser cumpridas.
O governo argentino sustenta que o jornalista não permaneceu no país pelo período necessário para manter o status de residente permanente. Tomaz Jr., por sua vez, afirma que não recebeu notificação prévia sobre a revogação, apesar de utilizar os canais oficiais de comunicação do governo.
A decisão prevê a proibição de entrada por cinco anos. O jornalista afirma que poderá contestar a sanção, embora avalie que recuperar a residência permanente será mais difícil.
Entidades de jornalistas repudiam medida
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) repudiaram a deportação e manifestaram solidariedade ao profissional. As entidades defenderam o respeito à liberdade de imprensa e ao exercício do jornalismo.
Tomaz Jr. mora em Brasília, já trabalhou como assessor parlamentar na Câmara dos Deputados e produz conteúdos sobre a política argentina. Ele prepara um livro sobre o governo Milei, com previsão de publicação em fevereiro de 2027.
O caso ocorre em meio a confrontos entre integrantes do governo argentino e críticos nas redes sociais. A suspeita de perseguição política levantada pelo jornalista ainda não foi comprovada de forma independente, enquanto a justificativa oficial se concentra nas condições de permanência no território argentino.