O Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (SindSaúde-SP) e a Associação dos Funcionários do Iamspe (Afiamspe) convocam os profissionais do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) para o Ato em Defesa do Iamspe, que será realizado na próxima quarta-feira (29), às 10h. A concentração ocorrerá em frente ao Ambulatório do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), na Rua Borges Lagoa, 1755, na capital paulista. Saiba mais na TVT News.
A mobilização conta com o apoio de entidades representativas do funcionalismo e tem como objetivo pressionar o governo estadual pela abertura de novos concursos públicos e pela valorização dos profissionais que atuam no instituto.
O ato ocorre em meio aos impactos do Programa de Demissão Incentivada (PDI) lançado pelo governo do Estado. Dos cerca de 900 profissionais aptos a aderir ao programa, foram registrados 576 pedidos de adesão, segundo informações coletadas pelas representantes do SindSaúde-SP no HSPE. Desse total, 151 são médicos e 114 são oficiais administrativos. Esta última é uma das áreas que já enfrenta grave déficit de pessoal, que vem causando transtornos internos no hospital. Ao todo, 47 solicitações foram arquivadas, 10 estão em análise pela Comissão Processante do Programa e outras 12 ainda serão avaliadas.
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“Esse grande número de pedidos não nos surpreendeu, porque entre os trabalhadores da saúde no estado, somos nós que temos os menores salários. Infelizmente, o que é oferecido aqui de remuneração para os profissionais não concorre com o mercado”, explica a secretária de Administração e Finanças do SindSaúde-SP, Regina Bueno, trabalhadora do Iamspe há mais de 30 anos.
As condições ruins de trabalho também se refletem no interesse dos profissionais em trabalhar no local. No último processo seletivo para médicos, mais de 100 profissionais foram convocados, mas a maioria não assumiu os cargos.
“O governo do estado está acabando com o funcionalismo público e no Iamspe não é diferente. Aqui dentro mais de 50% dos serviços foram terceirizados e com isso aumentou o número de denúncias que recebemos dos usuários sobre demora no atendimento, problemas nos fluxos de atendimento”, conta Regina.
Os problemas do Iamspe se somam às dificuldades impostas a toda a Saúde estadual, com promessas não cumpridas por parte do governo, como o reajuste do auxílio-alimentação, congelado em R$ 12 desde 2018, e o aumento da Gratificação por Desempenho de Atividade Médica do Iamspe (GDAMSPE).
Impacto na assistência e na formação médica
A secretária de Organização Sindical e Formação do SindSaúde-SP e presidenta da Afiamspe, Ana Cristina Manente, alerta para os impactos diretos na assistência à população. Segundo ela, caso todos os pedidos de desligamento de médicos das áreas de cardiologia, infectologia e clínica médica sejam aceitos, esses serviços poderão ser praticamente extintos no HSPE.
“Recebemos muita reclamação das dificuldades de agendamento de consultados dos usuários nessas especialidades, imaginem como ficará se não houver concurso para repor esses profissionais”, avalia.
Ana também ressalta os prejuízos para a formação de novos profissionais. “O Iamspe tem diversos médicos que hoje são referência em suas especialidades e que podem nos deixar, eles farão falta para os pacientes e para o futuro da medicina brasileira, pois deixaremos de formar novos profissionais com a qualidade da residência que o Iamspe tem, por conta dos estudos desenvolvidos ali com preceptores altamente qualificados e com a possibilidade de saída desses profissionais o programa de residência médica será colocado em risco”, concluiu.
Serviço:
Ato em Defesa do Iamspe
Dia 29 de abril (quarta-feira), às 10h
Em frente ao Ambulatório do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE)
Rua Borges Lagoa, 1755, Ibirapuera, São Paulo – SP
Via SindSaúde-SP

