Campanha Nacional denuncia fechamento de quase 100 mil postos de trabalho e cobra suspensão das demissões

Representantes dos trabalhadores voltaram a exigir da Fenaban a suspensão das demissões e do fechamento de agências durante o processo de negociação
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Representantes da categoria bancária durante segunda negociação da Campanha Nacional 2026. Foto: SPBancários

Artigo da Presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, sobre as reivindicações apresentadas pelo Comando Nacional dos Bancários durante a segunda rodada de negociações da Campanha Nacional 2026, especial para a TVT News.

Campanha Nacional dos bancários exige suspensão das demissões e do fechamento de agências

O fechamento de quase 100 mil postos de trabalho e de cerca de 10 mil agências bancárias em apenas 11 anos esteve no centro das reivindicações apresentadas pelo Comando Nacional dos Bancários durante a segunda rodada de negociações da Campanha Nacional 2026.

Por Neiva Ribeiro

Presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

Diante desse cenário, os representantes dos trabalhadores voltaram a exigir da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) a suspensão das demissões e do fechamento de agências durante todo o processo de negociação, alertando que essa política compromete o emprego, precariza as condições de trabalho, reduz o acesso da população aos serviços bancários e aprofunda a exclusão financeira, especialmente nas regiões mais vulneráveis.

Os dados apresentados pelo movimento sindical revelam que, entre 2015 e maio de 2026, os bancos eliminaram 93,3 mil empregos e reduziram em 42% a rede de atendimento presencial, com o fechamento de cerca de 9,5 mil agências em todo o país. Na prática, isso representa aproximadamente 30 agências encerradas por semana ao longo do período.

Para o Comando Nacional, os números demonstram que o setor financeiro segue na contramão do restante da economia brasileira. Enquanto o país registrou a criação de mais de 5 milhões de empregos formais desde 2023 e alcançou níveis históricos de ocupação, os bancos mantêm uma política permanente de redução de pessoal, mesmo acumulando resultados recordes.

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Bancos eliminaram 93,3 mil empregos e reduziram em 42% a rede de atendimento presencial, segundo dados do movimento sindical. Foto: Arquivo Agência Brasil

A situação é ainda mais preocupante quando se observa o comportamento dos maiores bancos do país. Somente no último ano, Santander, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil extinguiram, juntos, mais de 15 mil postos de trabalho. O movimento sindical considera que esse processo caracteriza demissões em massa, com impactos diretos sobre os trabalhadores, a qualidade do atendimento e o acesso da população aos serviços bancários.

Ao mesmo tempo em que reduzem empregos e fecham agências, os bancos continuam ampliando seus lucros. Apenas em 2025, os cinco maiores bancos do país registraram lucro líquido de R$ 124 bilhões, reforçando a avaliação do Comando Nacional de que os ganhos de produtividade obtidos com a digitalização e o avanço tecnológico não estão sendo compartilhados com os trabalhadores nem revertidos em melhores serviços para a sociedade.

Outro dado apresentado na mesa de negociação mostra que o trabalho bancário não desapareceu, mas vem sendo transferido para outras formas de atendimento. Entre 2015 e 2025, o número de contratos com correspondentes bancários cresceu 49%, indicando que parte das atividades antes realizadas nas agências passou a ser executada por trabalhadores sem os mesmos direitos garantidos pela categoria bancária. Paralelamente, cooperativas de crédito ampliam sua presença em regiões onde os bancos tradicionais encerraram suas operações.

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Desde 2020, cerca de 26 mil empregos bancários foram extintos no país, evidenciando um processo contínuo de enxugamento da força de trabalho. Imagem gerada por IA

O impacto das demissões também atinge de forma desproporcional as mulheres. Entre 2020 e maio de 2026, elas representaram 79% dos postos de trabalho eliminados, totalizando 25,5 mil vagas encerradas. Como consequência, a participação feminina na categoria caiu de 49% para menos de 47% entre 2024 e 2025, comprometendo os avanços conquistados nas políticas de igualdade de oportunidades.

Diante desse cenário, o Comando Nacional reivindicou a suspensão das demissões e do fechamento de agências durante as negociações, o fim das terceirizações das atividades bancárias, o retorno das homologações nos sindicatos, indenização adicional em caso de demissão, a criação de um banco de talentos para bancários, estabilidade para mulheres vítimas de violência doméstica e o fortalecimento das políticas de qualificação e requalificação profissional na área de tecnologia da informação.

A Fenaban rejeitou os pedidos de suspensão das demissões, de interrupção do fechamento de agências, da estabilidade durante o processo negocial, da proteção às mulheres vítimas de violência doméstica e da indenização adicional nas dispensas.

Por outro lado, informou que irá analisar as propostas de retomada das homologações nos sindicatos, de ampliação das ações de qualificação em tecnologia e da criação de um banco de talentos para trabalhadores do setor.

Reivindicações da Campanha Nacional permanecem

Mesmo diante da negativa dos bancos, nossas reivindicações permanecem. Continuaremos acompanhando de perto os casos de demissões e fechamento de agências em todo o país, denunciando os impactos dessa política sobre os trabalhadores e a população.

Também reforçamos a importância da mobilização da categoria nas próximas plenárias, reuniões e demais atividades da Campanha Nacional. A participação de cada bancário e bancária é fundamental para fortalecer a luta em defesa do emprego, da rede de atendimento e dos direitos da categoria.

As negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026 terão continuidade nos próximos dias. As próximas mesas estão agendadas para 16 de julho, quando serão debatidos os temas igualdade de oportunidades, endividamento e monitoramento; 21 de julho, com foco em saúde e condições de trabalho; e 30 de julho, quando entram em pauta a remuneração e as cláusulas econômicas da categoria.

Sobre a autora

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Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários

Neiva Ribeiro é a atual presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região. É formada em Letras pela Universidade Guarulhos, pós-graduada em Gestão Pública pela Fesp-SP, e em Gestão Universitária pela Unisal. É funcionária do Bradesco desde 1989. Ingressou na direção do Sindicato em 2000.

Foi diretora-geral da Faculdade 28 de Agosto de Ensino e Pesquisa, secretária de Formação e secretária-geral da entidade. 

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