São Paulo lidera o ranking das dez cidades com mais celulares subtraídos (roubo e furto) no estado, seguida por Guarulhos e Campinas. Os números são de levantamento exclusivo feito pela TVT News com dados da Secretária de Segurança Pública.
Apesar do bairro com maior número de roubos e furtos de aparelhos, na cidade, ser Pinheiros, seis dos bairros de maior ocorrência ficam no centro.
Bairros de São Paulo com maior número de celulares roubados:

Cidades de São Paulo com maior número de celulares roubados:

Quando olhamos para as ruas e avenidas com mais registros de celulares subtraídos na capital, o cenário também não é diferente. A rua da Consolação é o local como o maior número de registros, o segundo lugar, que em 2025 ficava com a Praça da Luz, foi assumido pela Avenida Paulista.
Ruas e avenidas com o maior número de celulares roubados

*Registros com logradouro protegido pela indicação “vedação da divulgação dos dados” foram excluídos do ranking.
O diretor do Instituto Cidade Segura, Alberto Kopittke, explica que em todo o mundo existe uma concentração dos crimes em alguns pontos e, que isso acontece, porque há locais com maior concentração de pessoas. Além disso, são pontos com maior “vulnerabilidade geográfica. É mais fácil dos criminosos fugirem. Os criminosos têm lugares onde eles se sentem seguros e também tem a própria rede de distribuição. Existe uma estrutura muito bem organizada de recepção desses aparelhos que parece que se concentrar no centro”, explicou.
Para ele, Pinheiros lidera a lista historicamente, porque acumula várias dessas vulnerabilidades. “Tem uma renda mais alta, ao mesmo tempo uma vida boêmia, noturna, com bares e restaurantes. E, tem rotas de fuga fáceis. É cortado por grandes avenidas como Brigadeiro, Rebouças e Marginal Pinheiros”.
Na cidade de São Paulo, de janeiro a maio foram registrados 26.392 mil roubos de celulares, esse número caiu para 21.881 em 2026, uma queda de 17,1%. O número de furtos caiu com mais timidez 3,1%.

Celulares roubados no Estado de São Paulo
Os roubos de celulares no estado de São Paulo caíram em 22,4% ao comparamos janeiro a maio de 2025, ao mesmo período de 2026. Nesses meses, em 2025 foram registrados 43.952 casos, enquanto, em 2026, foram 34.094. Assim como na capital, quando olhamos para o número de furtos, a queda é menor, 7,5%.
Sobre a queda no número de roubos, Kopittke afirma que primeiro é preciso pensar no que provocou o aumento do roubos em anos anteriores. Um levantamento do Departamento de Economia do Crime da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) mostra que, em 2022, os roubos tinham aumentado 54,6% em comparação ao ano de 2021.
“Historicamente, [o estado] vinha nos últimos 20 anos, reduzindo roubos de rua. Com planejamento. São Paulo foi pioneira, nos anos 2000, em criar um sistema de análise criminal de boa qualidade. No início do [governo] Tarcísio, se perdeu todo esse histórico. Entrou uma outra concepção, do secretário Guilherme Derrite, de ‘caça urbana’, de que análise criminal era bobagem e que tinha que se fazer o uso extremo da força”, explicou.
Para ele, essa visão tira todo o planejamento. “Se afastou todos os oficiais que vinham fazendo essa modernização. Aqui, não tem nenhuma questão partidária, é questão técnica e, isso fez perder completamente o controle. Foram os piores anos que a cidade teve, um descontrole total, altíssima letalidade”, avaliou Kopittke.
Em contrapartida, o presidente do Instituto Cidade Segura atribuiu a diminuição dos roubos ao fato do governo, recentemente, ter afastado essa visão e se “voltar para uma visão mais técnica de segurança pública, mais bem planejada, com as patrulhas mais bem orientadas. Se retomou a parte da investigação, começou a se atuar de novo na receptação na nessa estrutura da organização criminosa”.

Quando olhamos para as cidades que aparecem no ranking nos dois anos, Ribeirão Preto registrou a maior queda de celulares subtraídos, de janeiro a maio de 2026, em comparação a 2025, com uma diminuição de 34,9% – seguida por São Bernardo do Campo, que apresentou uma queda de 22,2%.
O deputado Luiz Cláudio Marcolino (PT) avalia que a redução dos roubos se deu pelo programa Celular Seguro, que facilitou o bloqueio dos aparelhos e diminuiu o interesse nesse tipo de crime, mas também por pressão da população. “Houve investigações, mais patrulhamento nas ruas e o desmonte das quadrilhas. O início de mais integração entre forças de segurança e medidas de rastreamento e recuperação de aparelhos contribuiu para essa queda. E essas medidas têm que ser contínuas e cada vez mais eficientes”.
Ele é autor do Projeto de Lei nº 691/2024 que quer instituir, em todo o estado, o Sistema Integrado de Coleta e Gestão de Dados sobre Roubos e Furtos de Celulares (SICCel), plataforma que seria administrada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.
A ferramenta de coleta e análise de dados teria informações da Polícia Civil, Polícia Militar e as ouvidorias dessas corporações, Guardas Civis Municipais, Fundação Procon São Paulo, das unidades da Promotoria e da Defensoria Pública do Estado, dos Cartórios de Registro de Títulos e Documentos, dos Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs), das unidades do Poupatempo Estadual e outros órgãos da administração pública estadual ou municipal direta ou indireta.
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Uma das inovações é ter transparência na divulgação dos dados, com um site interativo com mapas, gráficos e todas as ferramentas de informações para que a população tenha acesso também às estatísticas e a criação de um serviço de atendimento pelo número 131, para uma central de informações sobre roubos e furtos e para o registro de ocorrências.
“Quanto menor o tempo entre o crime e o bloqueio, menor a chance de uso indevido do aparelho, de golpes e de prejuízos financeiros para a vítima. As Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) mostraram que o combate aos golpes e ao roubo de celulares exige responsabilidade compartilhada entre bancos, operadores e poder público”, ponderou o deputado Marcolino.
Celulares da Apple passam a ser mais roubados
No Estado de São Paulo, nos primeiros cinco meses de 2025 os aparelhos mais roubados eram da marca Samsung, mas em 2026, no mesmo período, os celulares da Apple ocuparam este lugar, foram 13.853 roubados. Em terceiro e quarto lugar do ranking estão os telefones da Motorola e Xiaomi.
Marcas de celulares mais roubados no Estado de São Paulo

*A marca foi contada uma vez por boletim. Um mesmo BO pode envolver aparelhos de marcas diferentes.
Marcas de celulares mais roubados na cidade de São Paulo

A assessora Tamires Caroline da Silva, 35, foi vítima de furto de um Iphone no início deste mês. Ela parou para ajudar um grupo de pessoas que tentavam prestar socorro à uma senhora. “Fui chamar uma equipe de resgate que estava próxima e, em menos de dois minutos, quando os bombeiros chegaram, percebi que haviam furtado meu celular. Acredito que aproveitaram a distração causada pela situação”, contou.
Quando o roubo aconteceu, na hora, ela diz ter se preocupado com os dados e informações pessoais. “Perdi boa parte das fotos da minha família que não tinham backup, fiquei apreensiva com o acesso aos aplicativos bancários e, também, com o alto custo para substituir o equipamento que utilizava inclusive para parte das atividades do meu trabalho”.
O que é o programa Celular Seguro
Tamires fez boletim de ocorrência pela internet e fazia uso do aplicativo do governo federal Celular Seguro. “Utilizei o aplicativo Celular Seguro para bloquear o aparelho e confirmar o bloqueio do Imei”. O Imei (International Mobile Equipment Identity) é um código único de cada aparelho, uma espécie de RG do celular.

O aplicativo Meu Celular Seguro faz parte do Programa Nacional Celular Seguro e é uma iniciativa do Governo do Brasil, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Ao abrir o aplicativo primeiro é necessário registrar as linhas pessoais ativas e, é possível cadastrar um contato de confiança.
Caso o celular seja roubado, ao acessar o app pelo celular do contato de confiança, a pessoa pode “emitir um alerta” de que o celular foi roubado. Ao acionar o “modo recuperação, são bloqueados a linha e os aplicativos parceiros (como app de bancos). Essa ferramente permite que posteriormente o celular seja localizado, pois o Imei não é bloqueado. Se a pessoa optar pelo bloqueio total, o Imei é bloqueado o que dificulta a localização posterior.
Quando um celular que está no modo recuperação é registrado com um novo chip, a informação é enviada automaticamente à Secretaria de Segurança Pública, que aciona a Polícia Civil para localizar o dispositivo. O comprador é então notificado com a informação de que aquele celular deve ser entregue na delegacia. Caso isso não ocorra ele pode responder por receptação.
O Banco Nacional de Celulares com Restrição é uma base nacional integrada com informações das 27 unidades da Federação em que o cidadão consegue consultar se o aparalho tem alguma restrição.
Piauí é exemplo nacional de combate ao roubo de celulares
O programa do governo federal bebe na fonte do aplicativo piauiense e o então de Segurança Pública do Estado do Piauí, Chico Lucas, se tornou Secretário Nacional de Segurança Pública após coorndenar essa modernização.
O estado percebeu que bloquear o Imei impossibilitava a localização do celular e alguns desses aparelhos eram encaminhados para outros países onde o bloqueio da Anatel não funcionava. Com o programa “Meu Celular de Volta”, o aparelho celular rodava por toda a cadeia criminosa até chegar na mão do receptor identificável.
O diretor de Inteligência Estratégica da Secretaria de Segurança Pública do Piauí, Yan Brayner, explica que todo centro urbano tem um conglomerado de recebedores qualificados “ São criminosos, que recebem os aparelhos dos autores do roubo, dos executores direto do crime para revendê-los. Leva de 15 a 20 dias entre o tempo que o criminoso subtrai o celular e consegue comercializar com o receptor comum, que é a pessoa que compra o celular para uso pessoal”.
A polícia passou a emitir intimações por mensagens de WhatsApp com a informação de que aquele aparelho tinha restrição. Quando as pessoas devolviam o aparelho era possível identificar o “lojista”. “A gente conseguia fazer grandes operações contra esses responsáveis pelo comércio de celulares roubados ou furtados aqui no Piauí, de modo que diversas pessoas foram presas. Os pseudo-comerciantes, eram fundamentais na cadeia criminosa, entre a subtração e o uso desse desse aparelho.”
Segundo ele, de 2022, até o momento, o número de roubos e furtos de celulares no estado caiu 74% e 16 mil celulares foram recuperados.
“Nossa estratégia foi automatizar alguns processos. Se fazia necessário o policial, fazer a intimação, ir lá na casa da pessoa com um pedacinho de papel e intimá-lo, a gente optou fazer isso na casa do dezenas de milhares, usando o WhatsApp. É a mesma estratégia adotada agora pelo governo federal”, disse.
Além disso os Imeis dos celulares roubados e furtados no Piauí são inseridos numa ferramenta que foi desenvolvida pela Secretaria de Segurança, o CellGuard, que faz filtros que permitem localizar geograficamente, com base no dado da operadora de telefonia, onde estão os aparelhos móveis.
“A gente conseguia ver se havia celulares que foram roubados ou furtados [em outros estados]. Chegamos a fazer operações em outros estados para recuperação do celular. Por exemplo, tivemos operação realizada até no estado do Pará”, contou.
O que diz a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo
A reportagem solicitou dados para a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo sobre em quais bairros e ruas o policiamento aumentou, em comparação entre 2025 e 2026, para saber se estavam inclusos os locais com maior índice do tipo de crime, mas obteve apenas a seguinte nota:
O Estado de São Paulo criou o programa SP Mobile, primeiro sistema estadual a integrar de forma organizada ações de prevenção e repressão ao furto e roubo de celulares, fortalecendo o combate ao crime organizado e promovendo mais segurança à população. O programa recupera aparelhos roubados ou furtados que voltam a ser ativados por terceiros — muitos deles sem saber da origem ilícita. A iniciativa, aliada às demais operações policiais realizadas para combater esses crimes, possibilitou que, desde 2023, mais de 85,2 mil celulares fossem recuperados em todo o Estado. Deste total, cerca de 50% já foram devolvidos aos proprietários.
A Secretária da Segurança Pública de São Paulo (SP) intensificou o combate aos roubos e furtos de celulares no estado, com ações e inteligência, reforço na investigação, no policiamento ostensivo e na fiscalização em regiões com mais incidência, na capital paulista. Entra as medidas adotadas, destacam-se operações específicas e contínuas contra motociclistas que cometem esse crime.
Como resultado, entre janeiro e maio deste ano, os roubos de celulares na cidade de São Paulo caíram 16% em comparação com o mesmo período de 2025. Os roubos e furtos em geral também apresentaram queda de 12,89% e 1,88%, respectivamente. No mesmo intervalo, mais de 19 mil criminosos foram presos ou apreendidos e 1.167 armas ilegais foram retiradas de circulação.
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Sobre a reportagem especial da TVT News sobre roubo de celulares
Reportagem: Girrana Rodrigues
Compilação de dados: Dayane Ponte
Fonte dos dados: Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (Celulares Subtraídos [2025 e 2026]). Bases CelularesSubtraidos_2025.csv e CelularesSubtraidos_2026.csv fornecidas pela usuária. Processamento realizado a partir dos campos de identificação e local do fato.
Metodologia: cada ocorrência foi contada uma única vez com a chave NOME_DELEGACIA + ANO_BO + NUM_BO.
O local analisado é o local do fato, a partir dos campos CIDADE, BAIRRO e LOGRADOURO, e não a delegacia onde o boletim foi registrado. Roubo e furto foram identificados pelo campo RUBRICA. * Um pequeno número de BOs contém simultaneamente as duas rubricas e, por isso, pode aparecer nas duas contagens específicas.
Programas utilizados para compilação dos dados: Power BI/ Power Query/ Excel

