Um grupo de 25 congressistas do Partido Democrata dos Estados Unidos cobrou explicações do governo de Donald Trump sobre a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL) em território norte-americano. Em carta encaminhada na quinta-feira (29) ao secretário de Estado, Marco Rubio, os parlamentares democratas questionam se autoridades dos EUA facilitaram a saída do brasileiro do país e organizaram sua chegada a Miami, mesmo diante de restrições judiciais impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil. Leia em TVT News.
O documento apresenta 15 perguntas sobre a atuação do Departamento de Estado, da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil e de outros órgãos federais. Os congressistas questionam quem teria autorizado a concessão de vistos concedidos a Flávio e seus familiares, quando tais decisões foram tomadas e se as autoridades norte-americanas tinham conhecimento das determinações da Justiça brasileira.
O prazo para envio das respostas é 13 de novembro. Os democratas também solicitaram uma reunião com representantes do Departamento de Estado para esclarecer o episódio.
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Parlamentares questionam descumprimento de ordem judicial
Flávio Bolsonaro chegou a Miami na quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das duas filhas, após deixar o Brasil. A viagem ocorreu apesar de uma determinação do STF que exigia a entrega de seus passaportes.
O senador recebeu um visto humanitário do governo Trump, assim como seus familiares.
Na carta que questiona sua entrada e a concessão dos vistos, os congressistas perguntam se o Departamento de Estado verificou se Flávio tinha autorização judicial para deixar o Brasil antes de emitir os documentos. Também querem saber se funcionários norte-americanos tiveram acesso à decisão do STF e se discutiram o caso com integrantes do governo brasileiro.
Outro ponto levantado é a possível participação de autoridades dos Estados Unidos na organização do itinerário. Os parlamentares questionam se houve articulação com funcionários norte-americanos na Argentina e no Equador, países pelos quais a viagem passou.
Possível participação de assessor de Trump
A cobrança ganhou força após reportagens apontarem que Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca próximo a Donald Trump e aliado da família Bolsonaro, teria ajudado a providenciar o avião usado na fuga de Flávio e seus familiares.
Os congressistas querem esclarecer se integrantes da Casa Branca, do Departamento de Estado ou de outras agências participaram da contratação da aeronave, do transporte, da emissão de documentos ou dos procedimentos de imigração.
O documento também questiona se o governo Trump avaliou o impacto diplomático de uma eventual assistência ao senador brasileiro, especialmente diante da possibilidade de a iniciativa ser interpretada como interferência em assuntos internos e em decisões judiciais do Brasil.
Os democratas afirmam que o Congresso tem o dever de fiscalizar o uso de recursos diplomáticos e migratórios dos Estados Unidos. Entre os signatários estão as deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus, além de parlamentares como Joaquin Castro, Pramila Jayapal e Rashida Tlaib.