Dia das Mães: Brasil soma 10 milhões de mães solo segundo IBGE

O país também registra cerca de 7,8 milhões de mães sem cônjuge ou outros parentes no mesmo teto
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O Brasil têm 10 milhões de mães solo – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

De acordo com o Censo Demográfico 2022, divulgado pelo IBGE, o Brasil possui 10.321.121 unidades domésticas chefiadas por mães que vivem com seus filhos e sem a presença de um cônjuge. O número revela que aproximadamente um terço (29%) dos lares que têm uma mulher como responsável se enquadra no perfil de monoparentalidade feminina. Leia em TVT News.

A realidade das chamadas “mães solo” é um dos recortes mais nítidos da desigualdade de gênero no cuidado familiar. Enquanto quase 30% das mulheres responsáveis por domicílios cuidam dos filhos sozinhas, apenas 4,4% dos homens na mesma posição de chefia de lar vivem em arranjos semelhantes. Ao todo, o país registra cerca de 7,8 milhões de mulheres cuidando da prole sem cônjuge ou outros parentes no mesmo teto, um aumento em relação aos 11,6% registrados no ano 2000.

Discuro de Shakira: “No Brasil, têm mais de 20 milhões de mães solteiras”

A cantora colombiana se apresentou em Copacabana no último sábado em megashow que reuniu mais de 2 milhões de pessoas. Durante intervalo entre as músicas, Shakira fez discursos sobre a experiência feminina e as dificuldades que o gênero carrega:

Cuidar da família, trabalhar, manter o lugar, criar os filhos, cuidar do marido ou namorado, ficar sexy, ser a alegria da casa, alegria da festa, alegria do mundo, é muito, né? Mas nós fazemos tudo. E sabe que nesse país, no Brasil, têm mais de 20 milhões de mães solteiras, sem ajuda, que tem que lutar a cada dia para sustentar a sua família… Eu sou uma delas”, disse Shakira

Em sua fala, Shakira havia mencionado que o Brasil possui mais de 20 milhões de mães solteiras. A informação não foi, no entanto, inventada. A colombiana se baseou na pesquisa Data Popular que, de fato, contabilizou mais de 20 milhões de mães solteiras no Brasil.

Maternidade solo e a ausência do registro paternal

A situação de vulnerabilidade e sobrecarga de muitas mães é agravada pela ausência da figura paterna também no âmbito civil. Dados da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen) indicam que o número de crianças registradas no Brasil sem o nome do pai chegou a 173.590 em 2023. Somado a isso, uma pesquisa Datafolha de 2023 revelou que 55% das mães brasileiras se identificam como solteiras, viúvas ou divorciadas.

Regionalmente, a proporção de lares chefiados por mães solo sem cônjuge apresenta variações importantes:

Maiores proporções: Sergipe (33,5%), Amapá (33,5%) e Distrito Federal (32,9%).

Menores proporções: Santa Catarina (22,9%), Rio Grande do Sul (24,8%) e Mato Grosso (24,9%).

Veja a porcentagem de mães solo e de pais solo por região

Porcentagem de mães solo é maior que pais solo em todas as regiões do país

Novas configurações: Unidades unipessoais e o papel do cuidado

O retrato das famílias brasileiras também aponta para o crescimento das unidades unipessoais — pessoas que moram sozinhas. Esse grupo passou de 4,1 milhões em 2000 para 13,6 milhões em 2022, representando uma em cada cinco residências no país. Entre as mulheres que moram sozinhas (6,7 milhões), observa-se uma parcela significativa de idosas, evidenciando que o ciclo do cuidado feminino muitas vezes termina na solidão após a criação dos filhos.

As estatísticas reforçam que o Dia das Mães no Brasil não é apenas uma data de consumo, mas um marco da resistência de milhões de mulheres que assumem, de forma solitária, a responsabilidade de formar as futuras gerações.

A luta por justiça social e políticas públicas de apoio a essas famílias monoparentais é um tema que ganha urgência diante do reconhecimento de que a chefia feminina hoje é a base de quase metade dos lares do país.

Mudança estrutural e reconhecimento da chefia feminina

A ascensão da mulher como figura central de autoridade e sustento nos lares brasileiros é um processo consolidado nas últimas duas décadas. Em 2000, as mulheres eram responsáveis por apenas 22,2% das famílias. Em 2022, esse percentual saltou para 48,8%, aproximando-se da metade de todos os domicílios particulares do país.

Esse fenômeno está atrelado a fatores como o ingresso massivo das mulheres no mercado de trabalho, a redução da fecundidade e o aumento expressivo da escolaridade. O Censo mostra que o percentual de responsáveis por famílias com ensino superior completo subiu de 6,3% em 2000 para 17,4% em 2022. No entanto, mesmo com maior instrução, a sobrecarga de cuidados permanece desigual.

Segundo Marcio Minamiguchi, gerente do IBGE, em casos de separação ou de filhos nascidos fora de uma relação conjugal, a tendência histórica é que as crianças permaneçam sob a guarda e responsabilidade da mãe.

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