Governo do Distrito Federal contratou por R$ 5 milhões ONG ligada à produtora de “Dark Horse”

ONG também é investigada em SP por suspeita de desvio de verba pública
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Entidade presidida pela dona da produtora que fez "Dark Horse" firmou acordo para programa educacional no DF sob Ibaneis Rocha. Foto: Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Governo do Distrito Federal firmou, durante a gestão de Ibaneis Rocha (MDB), um contrato de R$ 5 milhões com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização ligada à produtora de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A ONG é presidida por Karina Ferreira da Gama, que também é proprietária da Go UP Entertainment, responsável pela produção do longa. Saiba mais na TVT News.

O acordo foi assinado pela Secretaria de Educação do DF em dezembro de 2023 e previa a implementação do programa Steam Maker em 16 escolas públicas da rede básica. O projeto tinha como objetivo promover transformação digital e educação criativa, por meio da instalação de “Smart Labs”, com kits de robótica, impressoras 3D, computadores e formação para professores.

Inicialmente orçado em R$ 4 milhões, o contrato recebeu um aditivo de R$ 1 milhão apenas um mês após a assinatura, totalizando R$ 5 milhões. A vigência original, que terminaria em dezembro de 2024, foi prorrogada até dezembro de 2025.

Prestação de contas em aberto

Apesar de o prazo para entrega da prestação de contas ter expirado em março de 2025, o projeto segue listado como “em execução” no sistema da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), responsável pela fiscalização do contrato.

A situação chama atenção em meio às investigações que envolvem o ICB em São Paulo. A entidade é alvo da chamada Operação Wi-Fi, conduzida pela Polícia Civil paulista, que apura suspeitas de desvio de recursos públicos do programa WiFi Livre SP para financiar “Dark Horse”.

Segundo a investigação, cerca de R$ 26 milhões teriam sido desviados de um contrato de R$ 157,1 milhões firmado entre a ONG e a Prefeitura de São Paulo para instalação de 5 mil pontos de internet gratuita em regiões periféricas.

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Polícia aponta falta de capacidade técnica

Investigadores afirmam que o Instituto Conhecer Brasil não possuía histórico de atuação no setor de telecomunicações antes de assumir o contrato milionário em São Paulo. O histórico da entidade estaria concentrado em eventos literários e religiosos.

De acordo com a apuração policial, a ONG subcontratou diversas empresas para executar o projeto, o que teria facilitado a movimentação financeira investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro e “confusão patrimonial”.

A conexão entre os contratos públicos e o filme “Dark Horse” é um dos principais focos das investigações. Além de Karina Ferreira da Gama comandar simultaneamente o ICB e a produtora Go UP Entertainment, o longa tem roteiro assinado pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP).

Frias também destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao instituto, repasse que passou a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Flávio Dino.

Áudios citam articulação para financiar filme

Outro nome citado nas investigações é o do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Áudios revelados pelas apurações indicam que o parlamentar teria atuado para cobrar aportes financeiros do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para custear a produção cinematográfica.

Segundo os relatos, Vorcaro teria prometido R$ 134 milhões para o projeto, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos.

Ibaneis Rocha também aparece mencionado em negociações relacionadas ao Banco Master e ao BRB, embora negue qualquer irregularidade.

Contratos sob suspeita

As investigações em curso apontam para um padrão de contratos públicos de alto valor firmados com uma entidade sem experiência técnica comprovada nas áreas de tecnologia e telecomunicações. Para os investigadores, a coincidência entre os repasses públicos recebidos pelo ICB e a necessidade de financiamento do filme “Dark Horse” levanta suspeitas de desvio de finalidade no uso dos recursos públicos.

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