O Ministério da Educação (MEC) anunciou uma série de mudanças para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir da edição de 2026. Entre as principais novidades está a inscrição automática de estudantes concluintes da rede pública de ensino, medida que busca ampliar a participação dos jovens no exame e consolidar o Enem como principal ferramenta de avaliação da educação básica no país. Saiba mais na TVT News.
As alterações foram oficializadas pela Portaria nº 422/2026, publicada nesta segunda-feira (18) no Diário Oficial da União. O texto estabelece normas complementares para a implementação da Política Nacional de Avaliação e Exames da Educação Básica, integrando de forma mais direta o Enem ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Além da inscrição automática, o governo federal anunciou a criação de cerca de 10 mil novos locais de aplicação da prova em todo o país. A expectativa do MEC é que aproximadamente 80% dos estudantes concluintes da rede pública possam realizar o exame dentro da própria escola onde estudam, reduzindo deslocamentos e dificuldades logísticas que historicamente afastam parte dos candidatos.
>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp
Segundo o ministério, a mudança responde a uma necessidade antiga de democratizar o acesso ao exame, especialmente para estudantes das periferias urbanas, áreas rurais e municípios menores, onde muitos jovens precisavam viajar para cidades vizinhas para participar da prova.
Pelas novas regras, estudantes matriculados na terceira e quarta séries do ensino médio público serão automaticamente inscritos no Enem a partir das informações fornecidas pelas redes estaduais de ensino. Caberá ao aluno apenas acessar o sistema do Inep para confirmar sua participação e preencher informações complementares, como escolha da língua estrangeira, solicitação de atendimento especializado e definição do município de aplicação.
A intenção do governo é elevar significativamente a taxa de participação dos concluintes do ensino médio da rede pública. A meta estabelecida pelo MEC é atingir ao menos 70% de presença desses estudantes já em 2026.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que o elevado engajamento histórico do Enem faz do exame um instrumento mais eficiente do que outras avaliações aplicadas no ensino médio. Segundo ele, o governo pretende utilizar o Enem como principal base de avaliação do Saeb.
“A gente sabe que o engajamento do Enem é muito maior que qualquer outra prova de avaliação do ensino médio. A nossa ideia é usar o Enem como avaliação do Saeb ainda este ano. Para isso, precisamos alcançar, no mínimo, 70% de frequência dos estudantes”, declarou o ministro.
A integração entre Enem e Saeb representa uma mudança estrutural na política educacional brasileira. O Saeb é responsável pela produção de indicadores nacionais sobre a qualidade da educação básica e serve de base para formulação de políticas públicas, distribuição de recursos e acompanhamento do desempenho das redes de ensino.
Com a mudança, os resultados obtidos pelos estudantes no Enem passarão a ter peso ainda maior na formulação de indicadores educacionais. A partir de 2027, inclusive, os dados do exame serão incorporados aos cálculos que impactam a distribuição de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
Outra mudança relevante é a formalização do Enem como instrumento de certificação de conclusão do ensino médio. Na prática, o exame volta a ter função semelhante à que já exerceu em anos anteriores, permitindo que participantes obtenham certificado de conclusão ou declaração parcial de proficiência, conforme critérios definidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e pelas instituições certificadoras.
O MEC também anunciou que o Inep passará a estabelecer padrões nacionais de desempenho esperados para a conclusão do ensino médio. Esses parâmetros deverão funcionar como referência de qualidade para as redes de ensino e para a avaliação das políticas educacionais em âmbito nacional.
Segundo o presidente do Inep, Manuel Palacios, a implementação das novas medidas exigirá articulação intensa entre o governo federal e as redes estaduais de educação. O instituto deve realizar nas próximas semanas uma série de reuniões técnicas com os estados para discutir logística, infraestrutura e estratégias de mobilização dos estudantes.
“Nós tivemos a possibilidade de começar esses debates, e as equipes técnicas continuarão reunidas para avaliar estado por estado. É um esforço de todos nós para assegurar que os estudantes do país participem desse processo”, afirmou Palacios.
O governo também estuda formas de apoio logístico para os estudantes que ainda precisarão se deslocar para outras cidades ou unidades escolares. Entre as possibilidades em análise estão políticas de transporte intermunicipal voltadas especificamente aos dias de aplicação do exame.
As novas diretrizes também mantêm garantias de acessibilidade e reaplicação das provas em situações previstas em edital. Estudantes com deficiência, transtornos funcionais específicos ou outras necessidades especiais continuarão podendo solicitar atendimento especializado.
Para especialistas em educação, a ampliação da participação no Enem pode representar uma mudança importante no retrato da educação pública brasileira, já que o exame tende a se tornar uma fotografia mais abrangente da realidade escolar do país.
A Política Nacional de Avaliação e Exames da Educação Básica, reforçada pela nova portaria, prevê ainda articulação entre União, estados e municípios para reduzir desigualdades educacionais, levando em conta fatores regionais, socioeconômicos, étnico-raciais e de gênero.
O MEC afirma que as mudanças fazem parte de uma estratégia mais ampla para transformar o Enem não apenas em porta de entrada para o ensino superior, mas também em um instrumento central de avaliação, planejamento e monitoramento da educação básica brasileira.
