Servidores da Educação de SP decidem se mantêm greve nesta terça (19)

Profissionais da rede municipal realizam assembleia em frente à Prefeitura para definir os rumos da paralisação contra o reajuste parcelado aprovado por Ricardo Nunes e cobram melhores condições de trabalho
Entre os pontos mais criticados está a ampliação da margem para contratação temporária de professores e servidores da educação. Foto: Divulgação/Sedin

Os servidores da Educação municipal de São Paulo realizam nesta terça-feira (19), às 11h, uma nova assembleia em frente à Prefeitura de São Paulo para decidir se mantêm a greve iniciada em 28 de abril. O movimento, que já dura 18 dias, pressiona a gestão do prefeito Ricardo Nunes por reajuste salarial real, valorização profissional e melhorias nas condições de trabalho nas escolas da capital. Saiba mais na TVT News.

A mobilização ocorre após a aprovação definitiva, na semana passada, do Projeto de Lei 354/2026 pela Câmara Municipal de São Paulo. A proposta, já transformada na Lei nº 18.463/2026, prevê reajuste de 3,51% dividido em duas parcelas — 2% em maio deste ano e 1,48% apenas em maio de 2027. A categoria considera o índice insuficiente e afirma que a medida mantém o arrocho salarial imposto ao funcionalismo municipal.

Na última sexta-feira (15), educadores reunidos em assembleia decidiram manter a paralisação mesmo após a aprovação do projeto do Executivo. Segundo as entidades que compõem a Coordenação das Entidades Sindicais Específicas da Educação Municipal (Coeduc) — SINPEEM, SEDIN e SINESP —, a luta vai além da questão salarial e envolve o futuro da educação pública municipal.

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Os sindicatos acusam a Prefeitura de ter atropelado as negociações ao encaminhar o projeto à Câmara sem acordo prévio com os trabalhadores. Também denunciam que o texto incluiu dispositivos considerados prejudiciais à carreira docente e ao funcionamento da rede municipal.

Entre os pontos mais criticados está a ampliação da margem para contratação temporária de professores e servidores da educação. Para os trabalhadores, a medida amplia a precarização, reduz a estabilidade nas escolas e enfraquece o serviço público. As entidades também rejeitam mecanismos que permitem transformação de cargos na Educação Infantil, além de mudanças relacionadas à readaptação funcional e à Jornada Especial Integral de Formação (Jeif).

Em nota, a CUT São Paulo afirmou que o projeto representa ameaça à carreira dos profissionais da rede municipal e pode aprofundar a precarização do ensino público paulistano.

Durante as últimas assembleias, dirigentes sindicais reforçaram que o movimento grevista denuncia o que classificam como colapso nas unidades escolares. Segundo os trabalhadores, faltam profissionais, materiais e infraestrutura adequada para atender estudantes, especialmente crianças com deficiência e alunos que necessitam de acompanhamento especializado.

Os relatos apontam ainda sobrecarga de trabalho, adoecimento crescente entre educadores e problemas tecnológicos que dificultam o funcionamento cotidiano das escolas. Entre as reclamações está a precariedade do sistema digital utilizado pela rede municipal, que frequentemente apresenta falhas e obriga profissionais a realizar tarefas fora do horário de expediente.

As entidades também criticam o avanço da terceirização e da expansão da rede conveniada. Para o movimento, a Prefeitura tem ampliado a transferência de recursos públicos para organizações privadas enquanto reduz investimentos na rede direta e na contratação de concursados.

Outra reivindicação central da greve é a realização periódica de concursos públicos e a convocação imediata de aprovados. Segundo a categoria, a falta de servidores efetivos compromete o atendimento à população e aumenta a pressão sobre quem permanece nas unidades escolares.

Os educadores reivindicam ainda a incorporação dos chamados abonos complementares aos salários. De acordo com os sindicatos, a política de abonos adotada nos últimos anos distorce a estrutura remuneratória, não beneficia aposentadorias e enfraquece as carreiras ao longo do tempo.

Além disso, os trabalhadores defendem um reajuste de 14,56% a partir da data-base de maio de 2026. Segundo a categoria, o percentual considera a recomposição inflacionária medida pelo IBGE acrescida de 10% de aumento real.

A greve também se tornou palco de disputa jurídica. A gestão Ricardo Nunes acionou o Tribunal de Justiça de São Paulo para questionar o movimento. Em audiência de conciliação realizada na semana passada, representantes da Coeduc afirmaram que a Prefeitura não apresentou propostas concretas para atender às reivindicações da categoria.

Os sindicatos acusam ainda a administração municipal de tentar intimidar os trabalhadores por meio de comunicados sobre desconto de faltas durante a paralisação. As entidades sustentam que a greve é um direito constitucional e dizem ter adotado medidas jurídicas para impedir punições aos participantes do movimento.

Apesar da manutenção da greve pela maioria das entidades da educação, parte dos sindicatos anunciou o encerramento da paralisação em determinados setores da rede municipal, o que abriu divergências internas sobre os próximos passos da mobilização. Ainda assim, dirigentes sindicais avaliam que a assembleia desta terça-feira será decisiva para definir os rumos do movimento nas próximas semanas.

Enquanto isso, a Prefeitura mantém o discurso de que o reajuste aprovado recompõe a inflação medida pelo IPC-Fipe e destaca investimentos realizados no funcionalismo desde 2021. Vereadores da base governista afirmam ainda que a segunda parcela poderá ser antecipada caso a arrecadação municipal permita.

Já os trabalhadores sustentam que o município possui saúde financeira suficiente para garantir reajuste maior, melhores condições de trabalho e valorização efetiva da educação pública. A expectativa é que a assembleia desta terça reúna centenas de profissionais em frente à Prefeitura e indique se a greve continuará como instrumento de pressão contra a política salarial e educacional da gestão Ricardo Nunes.

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