Erika Hilton aciona o MP para proibir publicidade de Bets e odds por comentaristas esportivos

"É inaceitável um comentarista usar a sua posição de “especialista” pra induzir os telespectadores a apostarem", disse Erika Hilton
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Deputada Erika Hilton durante debate no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC: deputada fez da violência política contra LGBTQIAPN+ um motor de luta. Foto: Adonis Guerra / Sindicato dos Metalúrgicos

Nesta terça (23), a deputada federal Erika Hilton (Psol) usou suas redes sociais para comunicar seus seguidores que estava acionando o Ministério Público Federal para que a justiça proibisse a publicidade de Bets e odds de apostas durante transmissões de jogos. Leia em TVT News.

Em seu X, antigo Twitter, Erika Hilton se posicionou contra a prática de jornalistas incentivarem apostas em Bets:

É inaceitável um comentarista usar a sua posição de “especialista” pra induzir os telespectadores a apostarem.
Mais inaceitável ainda é eles sugerirem apostas em resultados improváveis como uma forma de ganhar dinheiro fácil, dando a entender que o resultado é provável
“, escreveu a deputada.

Com a Copa do Mundo e o calendário diário de partidas, um assunto chamou a atenção dos telespectadores: o destaque que as Bets e indicações de odds de apostas vem ganhando durante as transmissões esportivas. Só no Mundial, empresas do mercado de apostas podem movimentar ate US$ 50 bilhões no mundo, 10% desse total só no Brasil.

A preocupação que esses números trazem são as consequências nas finanças das famílias, já que as Bets são um dos principais motivos de endividamento no país. Além disso, os vícios em apostas já são hoje um problema de saúde pública no Brasil.

Tem sido muito comum que, durante as transmissões de jogos, como na CazéTV, comentaristas esportivos incentivem as apostas em Bets e indiquem as odds, que são as cotações númericas que indicam a probabilidade de um evento acontecer ou não. Na prática, as odds são um indicador de quanto o jogador pode ou não lucrar caso seu palpite esteja correto.

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Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil

O fato é que lucros bilionários de Bets não apenas dependem de apostadores compulsivos e do vício, eles também são uma consequência do empobrecimento e endividamento da população.

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O problema que Erika Hilton aponta é que quando um comentarista esportivo ou jornalista faz esse tipo de comentário em uma transmissão de milhões de pessoas, essa pessoa está em um lugar não apenas de grande visbilidade e influência, como também de autoridade. O jornalismo, assim, acaba conferindo certa credibilidade para as odds de determinada aposta.

Toda forma de publicidade precisa ser devidamente sinalizada“, disse Erika Hilton

A deputada Erika Hilton também criticou como os comentários sobre as bets e indicando as odds de determinada aposta não são devidamente sinalizados durante as transmissões de jogos:

Toda forma de publicidade precisa ser devidamente sinalizada, e a publicidade de bets, que por mim sequer existiria, precisa obedecer a regras específicas e precisa do mínimo de decência“, escreveu Erika Hilton.

E concluiu:

Bet não é esporte. É jogo de azar, é vício, é empobrecimento, é endividamento e é uma causa de SUICÍD*O“.

Além de Erika Hilton, alguns jornalistas se posicionaram contra essa prática. Ao ICL, Eduardo Moreira afirmou que a Copa do Mundo estava se “vendendo para as Bets”:

Um absurdo o que vem acontecendo nas transmissões da Copa do Mundo. Além da propaganda das BETs, o tempo inteiro os apresentadores induzem o público a apostar, indicando odds em alta. No mercado financeiro, isso é crime, mas nas apostas online não?”, analisa Eduardo Moreira

Grandes nomes do elenco da seleção brasileira, como Vini Jr., são garotos propaganda das Bets. No caso de Neymar, ele próprio é dono da Blaze, uma plataforma de apostas.

Danilo, lateral da seleção brasileira, aderiu a campanha “Block no Tigrinho”

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Danilo, lateral da seleção brasileira, aderiu a campanha contra casas de aposta – Foto: CBF

Nem todos os jogadores, no entanto, são favoráveis. Danilo, o nosso lateral, aderiu a uma campanha intitulada “Block no Tigrinho”. A campanha tem como objetivo alertar a população sobre os impactos das Bets e plataformas de apostas online no Brasil.

A campanha também tem adesão de nomes famosos da cultura brasileira, como Gilberto Gil, Chico Biarque, Djavan, Marieta Severo, Paulinho da Viola ou Camila Pitanga.

Em outras seleções, como a francesa, os craques Mbappé, Cherki, Dembelé, Olise e Doué reclamaram recentemente que a imagem deles foi associada a propaganda de aposta esportiva sem a autorização dos jogadores.

Não estávamos de acordo em alguns casos, como marcas relacionadas contra a saúde alimentar ou apostas. Muitos de nós vimos de bairros onde estas coisas destruíram muita gente. Eu mesmo conheço pessoas que sofreram”, disse Mbappé em entrevista.

Mbappé, um dos maiores artilheiros do mundo hoje em dia, bate nessa tecla e não é de hoje. Ele sempre se posicionou contra Bets, propaganda de fast food ou até mesmo de bebida alcoólica.

Veja post completo da deputada Erika Hilton:

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