A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito formalizou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já no primeiro turno das eleições. O posicionamento representa uma mudança em relação a 2022, quando o grupo declarou apoio ao presidente apenas na segunda etapa da disputa. Leia em TVT News.
Criado em 2016, o movimento se apresenta como uma organização de caráter progressista e também lançou um jingle para marcar o apoio à candidatura de Lula. A música tem como mote a frase “Crente pode em Lula votar”, reforçando a defesa de que a fé evangélica não determina uma posição política única entre seus integrantes.
Frente de Evangélicos se reúne com Lula
A formalização do apoio ocorreu após uma reunião entre Lula, a primeira-dama Janja e pastores e lideranças evangélicas no Palácio do Planalto. Participaram do encontro Nilza Valeria Oliveira, coordenadora-executiva da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito; Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União (AGU); e Eliziane Gama (PT-MA), senadora.
Em publicação nas redes sociais, a Frente afirmou que a presença no Palácio do Planalto não teve como objetivo buscar benefícios ou privilégios. Segundo o grupo, o encontro fez parte de sua atuação em defesa da justiça, da esperança e da atenção às pessoas em situação de vulnerabilidade.
“Não fomos ao Palácio em busca de privilégios. Fomos cumprir nossa missão profética: anunciar a esperança, defender a justiça e lembrar que governar é, antes de tudo, cuidar das pessoas, sobretudo daquelas que foram empurradas para as margens”, afirmou o movimento.
O grupo também destacou que a comunidade evangélica brasileira não deve ser identificada exclusivamente com posições defendidas por determinadas lideranças religiosas. Na avaliação apresentada pela Frente, há diversidade de opiniões políticas entre os fiéis.
Grupo defende separação entre fé e campanha eleitoral
Outro ponto destacado pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito foi a relação entre religião e disputa eleitoral. Segundo o movimento, Lula reafirmou durante a reunião seu respeito à fé e disse que não pretende fazer campanha dentro de igrejas.
Na publicação, a Frente defendeu que os templos permaneçam como espaços de oração, convivência e acolhimento. O grupo considera legítima a discussão política entre cristãos, mas faz uma distinção entre o debate sobre política e a utilização dos espaços religiosos como locais de campanha.
“A política pode e deve ser discutida pelos cristãos, mas o púlpito não pode ser transformado em palanque, nem a consciência dos crentes pode ser negociada”, afirmou a entidade.
O posicionamento ocorre em um cenário no qual diferentes lideranças evangélicas assumem posições políticas distintas. A Frente sustenta que manifestações de apoio de determinados líderes a outros candidatos não podem ser tomadas como representação de toda a população evangélica.
Movimento já havia levado críticas aos Estados Unidos
No mês anterior, representantes do movimento estiveram em Washington, nos Estados Unidos, para entregar uma carta a congressistas norte-americanos sobre o processo eleitoral brasileiro.
No documento, a Frente manifestou preocupação com uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições presidenciais brasileiras. O grupo mencionou reportagens sobre um plano da administração de Donald Trump para enviar funcionários a Brasília com o objetivo de questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
A carta também criticou as medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos que atingem exportações brasileiras. Para a Frente, decisões dessa natureza deveriam estar baseadas em critérios econômicos e técnicos, sem influência de disputas políticas internas.
Os signatários ainda destacaram a diversidade existente entre os evangélicos brasileiros. Embora algumas lideranças religiosas tenham declarado apoio público ao senador Flávio Bolsonaro, o movimento afirmou que essas posições não representam o conjunto da comunidade evangélica do país.
A decisão de apoiar Lula desde o primeiro turno, portanto, passa a integrar a atuação política da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito durante a eleição. O grupo mantém a defesa de que a participação política de cristãos pode ocorrer sem transformar igrejas e púlpitos em espaços de campanha eleitoral.