A Rockbridge Network, organização criada nos Estados Unidos e ligada ao atual vice-presidente americano J.D. Vance, passou a ser citada em denúncias sobre uma possível atuação estrangeira na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições de 2026. O caso ganhou novos elementos após reportagens apontarem que o empresário Pedro Sang, ligado à rede, atua dentro do comitê do candidato em São Paulo. Leia em TVT News.
As suspeitas envolvem duas questões principais: a possibilidade de recursos ou apoio material estrangeiro à candidatura e a existência de interesses relacionados à exploração de minerais críticos e terras raras no Brasil. Até o momento, não há comprovação pública de que dinheiro da Rockbridge tenha sido transferido para a campanha de Flávio.
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O que é a Rockbridge
A Rockbridge foi criada em 2019 por J.D. Vance, antes de ele assumir a vice-presidência dos Estados Unidos, e pelo empresário Chris Buskirk. A organização reúne empresários, investidores e apoiadores ligados à direita americana e ganhou relevância no ambiente político conservador dos EUA.
A rede também passou a ser associada a interesses em tecnologia e infraestrutura para inteligência artificial, incluindo o acesso a minerais considerados estratégicos para essas cadeias produtivas. No Brasil, o grupo passou a ser mencionado especialmente nas discussões sobre terras raras e outros minerais críticos.
A relação com a campanha de Flávio Bolsonaro ganhou visibilidade após declarações do candidato Renan Santos (Missão), que acusou a Rockbridge de financiar indiretamente a candidatura. Renan não apresentou, até o momento, provas públicas que comprovem a acusação. Empresários citados nas declarações negaram participação em financiamento eleitoral.
Empresário ligado ao grupo atua no comitê de Flávio
Uma reportagem do site Amado Mundo identificou Pedro Sang, apontado como ligado à Rockbridge, atuando no comitê de campanha de Flávio Bolsonaro em São Paulo. Segundo o site, Sang participou da montagem da estrutura física do QG e mantinha contato com integrantes próximos da campanha para as eleições de 2026.
Sang reconheceu ter contato com a Rockbridge, mas negou ser intermediário de recursos para a campanha. Ele também afirmou que desconhece qualquer financiamento da organização à candidatura de Flávio.
Outro empresário citado no caso, Tallis Gomes, confirmou ser membro da Rockbridge, mas negou exercer função de direção ou representação da organização e afirmou não participar da campanha de Flávio nem ter doado recursos a candidatos ou partidos.
Terras raras entram no centro das suspeitas
As suspeitas também envolvem um documento elaborado por André Marinho, candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo Novo e aliado de Flávio. O material, intitulado “Prosperity Partnership”, apresenta propostas de cooperação entre Brasil e Estados Unidos para a exploração de minerais críticos e terras raras.
O documento tinha na capa a identificação “Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign” e defendia uma aproximação entre os dois países nesse setor. Marinho confirmou ser o autor, mas negou que o material tenha sido produzido oficialmente para a campanha ou apresentado a autoridades americanas.
A conexão entre o documento, a Rockbridge e a campanha passou a ser questionada porque terras raras são consideradas estratégicas para setores como tecnologia, energia e indústria. O interesse americano e chinês por esses minerais aumentou nos últimos anos, em razão da importância das matérias-primas para cadeias industriais e tecnológicas.
Caso chegou ao STF
Diante das acusações, o PT pediu ao Supremo Tribunal Federal a investigação de uma possível participação estrangeira na campanha de Flávio Bolsonaro nessas eleições. A representação menciona a Rockbridge, Pedro Sang e Tallis Gomes e solicita apuração sobre eventual financiamento, prestação de serviços ou apoio material vindo do exterior.
O pedido também cita a possibilidade de relação entre eventual apoio à candidatura e interesses econômicos envolvendo terras raras nas eleições desse ano. O partido solicitou diligências, incluindo análise de movimentações financeiras e eventual cooperação internacional.
A legislação eleitoral brasileira proíbe o recebimento, por campanhas, de recursos de origem estrangeira.