O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, pediu para deixar a equipe da campanha à reeleição do presidente. A decisão foi comunicada nesta quarta-feira (5) ao presidente nacional do PT, Edinho Silva, e ao próprio Lula, em meio à repercussão envolvendo um empréstimo pessoal de R$ 249 mil obtido junto à empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal. Saiba mais na TVT News.
Segundo informações divulgadas por diferentes veículos de imprensa, Marcola afirmou que sua saída não decorre de qualquer impedimento jurídico, mas de uma decisão estritamente política. O objetivo, segundo ele, é evitar que sua permanência na campanha provoque disputas internas no Partido dos Trabalhadores ou seja utilizada para desgastar a candidatura do presidente.
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De acordo com interlocutores ouvidos nos bastidores da campanha, o ex-chefe de gabinete avaliou que sua presença poderia alimentar o chamado “fogo amigo” dentro do partido e criar um foco de desgaste político em pleno período eleitoral. Integrantes do governo também afirmam que Marcola sempre manteve perfil discreto e decidiu se afastar justamente para preservar essa postura e blindar Lula de novos ataques.
A direção do PT teria tentado convencê-lo a permanecer na equipe. Até a noite de terça-feira (4), aliados do presidente ainda avaliavam que ele continuaria exercendo suas funções. No entanto, segundo relatos publicados nesta quarta-feira, Marcola manteve sua decisão e comunicou formalmente o afastamento.
Empréstimo veio à tona durante investigação da PF
A pressão sobre o ex-chefe de gabinete aumentou após a divulgação de que a Polícia Federal identificou movimentações financeiras envolvendo Roberta Luchsinger durante as investigações da Operação Sem Desconto.
A empresária é investigada no inquérito que apura supostas irregularidades relacionadas ao chamado “Careca do INSS”. Conforme as investigações, ela é apontada como pessoa ligada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes e também é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Após a divulgação das informações, Marcola reconheceu ter recebido um empréstimo de R$ 249 mil da empresária. Segundo ele, o valor foi integralmente quitado e a operação teve caráter exclusivamente privado, sem qualquer relação com suas atividades públicas.
Em nota divulgada à imprensa, o ex-assessor afirmou que jamais existiu qualquer outro vínculo financeiro além do empréstimo pessoal.
“Sempre pautei minha atuação pública pela ética, compromisso e transparência. A quem apresenta especulações e ilações, respondo com fatos, documentos e a minha inteira disposição e tranquilidade de colaborar com a Justiça”, declarou.
Marcola também informou que colocou seus sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça e constituiu advogado para apresentar toda a documentação necessária ao esclarecimento dos fatos.
PT tenta conter repercussão
Nos bastidores, dirigentes petistas classificam a saída como uma medida para impedir que a campanha presidencial seja contaminada por um episódio sem relação direta com a disputa eleitoral.
Segundo fontes ligadas ao partido, a avaliação é que o afastamento reduz o espaço para questionamentos políticos e evita que adversários utilizem o caso como instrumento de desgaste da candidatura de Lula.
Apesar disso, integrantes da legenda ainda manifestavam esperança de que Marcola pudesse reconsiderar sua decisão, hipótese considerada pouco provável por pessoas próximas ao ex-chefe de gabinete.
Até o momento, o PT não divulgou nota oficial sobre o pedido de afastamento.
Defesa nega irregularidades
A defesa de Marco Aurélio Santana Ribeiro sustenta que não houve qualquer ilegalidade na operação financeira com Roberta Luchsinger. Segundo a versão apresentada pelo ex-assessor, tratou-se de um empréstimo particular, devidamente quitado, sem utilização de recursos públicos ou favorecimento decorrente do cargo que ocupava no governo.
Marcola também reafirma que pretende colaborar integralmente com as investigações e afirma que a documentação comprobatória será apresentada às autoridades competentes.
A Polícia Federal continua apurando as circunstâncias das movimentações financeiras identificadas durante a investigação da Operação Sem Desconto. Até o momento, não há informação de que Marco Aurélio Santana Ribeiro tenha sido denunciado ou formalmente acusado de qualquer crime relacionado ao empréstimo.
A saída do ex-chefe de gabinete ocorre em um momento em que a campanha de Lula busca concentrar sua agenda na apresentação de propostas e reduzir potenciais focos de desgaste político durante o processo eleitoral.