Quando questionado pela primeira vez sobre financiamento de filme do pai, Flávio negou que Vorcaro o tivesse auxiliado: “é mentira, é dinheiro privado”. No mesmo dia, no entanto, o senador e pré-candidato a presidência pelo PL assumiu em vídeo e nota ter negociado com o banqueiro do Master para receber dinheiro para custear as gravações do filme sobre Bolsonaro. Leia em TVT News.
Na manhã de quarte (13), o senador foi questionado por repórter sobre pagamentos de Vorcaro para o filme. Ao ouvir a pergunta, a reação imediata foi a risada seguida da negativa.
“De onde você tirou essa informação? É mentira, pelo amor de Deus”, afirmou o senador. Ao sair, ainda chamou a repórter de “militante”.
Mudou de opinião?
Ao fim da tarde, o discurso de Flávio já era outra. De jornalista militante e “daonde você tirou isso?” o discurso mudou para “é só um investidor privado”.
Horas mais tarde…
“Toda essa história que está circulando nada mais é do que um filho procurando investidores privados para um filme privado sobre a história de seu próprio pai”.
Há dois meses, Flávio disse que nunca teve contato com Vorcaro
Flávio negou há dois meses ter qualquer contato com o ex-dono do Banco Master, quando a coluna da Mônica Bergamo na Folha revelou que seu número de telefone estava na agenda do ex-banqueiro.
A resposta do pré-candidato pelo PL foi que nunca teve contato com o dono do Banco Master.
Não?
“O número do meu telefone não é propriamente um segredo”, afirmou ele.
Mas e o pedido de R$134 milhões para Vorcaro…
Reportagem publicada pelo The Intercept Brasil afirma que o senador do PL pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção biográfica sobre Jair Bolsonaro. Segundo a apuração, mensagens privadas, comprovantes bancários e cronogramas de pagamento indicam uma negociação de US$ 24 milhões, valor que equivalia, à época, a cerca de R$ 134 milhões.
De acordo com o jornal The Intercept, ao menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões conforme a cotação do período, teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações destinadas ao projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro. Os documentos reunidos pelo site indicariam ainda cobranças por parcelas atrasadas e preocupação com a continuidade da produção.
Dinheiro pedido por Flávio daria para gravar praticamente 5 “Agentes Seceretos”

O valor de R$ 134 milhões solicitado pelo pré-candidato do PL ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a obra sobre seu pai é quase o dobro de orçamentos de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” juntos. Já o valor que, de fato, teria sido recebido, os R$ 61 milhões, daria para fazer dois Agentes Secretos. Produtora e Mário Frias negam ter recebido dinheiro.
Orçamento secreto?
Somados, os orçamentos de “O Agente Secreto” e “Ainda Estou Aqui” totalizam R$ 73 milhões. Esse valor representa pouco mais da metade dos R$ 134 milhões que foram objeto de tratativas entre o senador e o banqueiro para a obra sobre Bolsonaro.
Já R$ 28 milhõe de “O Agente Secreto” vezes 5 equivale a R$ 140 milhões, um pouco só a mais do valor solicitado de R$ 134 milhões por Flávio para um único filme.
Tudo que é sólido se desmancha no ar?
Primeiro Flávio disse que nunca tinha tido contato com Vorcaro. Depois, que era mentira que filme havia sido financiado pelo banqueiro. Enfim, assumiu negociação, mas disse não haver irregularidade. O que, afinal, é verdade?
“Topa jantar com o Jim Caviezel?”, convite de jantar
Pedir R$134 milhões e chamar para jantar em casa… Um pouco demais para um desconhecido? Talvez.
Troca de mensagens entre Flávio e Vorcaro mostra que o senador o chamou para jantar com elenco do filme. Conversas também indicam que local poderia ser a casa tanto de Flávio, como de Vorcaro, revelando que havia certa intimidade entre ambos.

