Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe, mostram que a assessora de Flávio Bolsonaro, Maria de Fátima Bezerra Castro, articulou com ele uma aproximação com o então deputado federal Chiquinho Brazão para reforçar o pedido de recursos ao senador. Leia em TVT News.
Segundo informações divulgadas pela GloboNews, em 24 de outubro de 2023, Peixe escreveu para Maria de Fátima: “Amiga, vê com o nosso senador se consegue nos ajudar”. A assessora respondeu pedindo que ele encaminhasse a solicitação.
Dois dias depois, Maria de Fátima perguntou se Peixe ainda mantinha contato com Chiquinho Brazão. Após receber uma resposta afirmativa, ela disse que haveria um evento e sugeriu que o parlamentar fosse levado para reforçar o pedido diretamente a Flávio Bolsonaro.
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Na sequência, segundo a PF, a assessora enviou a Peixe um convite para Chiquinho Brazão participar de uma cerimônia de entrega de coletes para a Polícia Militar do Rio de Janeiro.
Em 6 de novembro, Peixe voltou a cobrar a assessora sobre o pedido. “Bom dia, amiga. Não esquece do IFOP, não. Vê se o senador consegue nos agraciar para não terminar o nosso projeto”, escreveu. Maria de Fátima respondeu: “Pode deixar”.
As mensagens foram identificadas durante a análise do material apreendido pela PF na investigação que envolve Peixe. Ele é apontado como integrante da organização criminosa dos irmãos Brazão e foi condenado no processo relacionado ao assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
Relação entre Peixe e os irmãos Brazão aparece nas mensagens
Os novos diálogos também evidenciam a proximidade de Peixe com Chiquinho Brazão no período em que ocorreu a negociação. A própria assessora de Flávio Bolsonaro questiona se o deputado ainda estava com Peixe e, após a confirmação, orienta que os dois participassem juntos de um evento.
Chiquinho Brazão é apontado como um dos mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Domingos Brazão, seu irmão, também foi condenado como mandante do crime.
A presença de Peixe nas conversas amplia o contexto da negociação registrada pela PF. Os diálogos, no entanto, não demonstram, por si só, que Flávio Bolsonaro tivesse conhecimento da relação entre sua assessora e o condenado no caso Marielle ou que tenha cometido alguma irregularidade.
A defesa do senador nega envolvimento em ilegalidades.