Intervenção em banco Ueno no Paraguai bloqueia contas e provoca protestos

Banco Central do Paraguai identificou grave insuficiência de capital no Ueno Bank, ligado ao presidente Santiago Peña; bloqueio dos depósitos levou clientes às ruas e provocou renúncia do chefe da autoridade monetária
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Clientes do Ueno Bank participam de um protesto após a intervenção do Banco Central do Paraguai na instituição, em Assunção, no dia 3 de novembro de 2026. No dia 3 de novembro, o Banco Central do Paraguai assumiu o controle de uma importante instituição financeira ligada ao presidente Santiago Peña, deixando milhões de depositantes — incluindo aposentados — sem acesso ao seu dinheiro. (Foto de DANIEL DUARTE / AFP)

Uma intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, motivada por uma grave insuficiência de capital da instituição, provocou revolta entre clientes e aposentados no país. A medida suspendeu os serviços bancários e deixou os correntistas sem acesso imediato ao próprio dinheiro. A crise também levou à renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, horas depois do anúncio da intervenção. Leia em TVT News.

O Ueno Bank tem ligação com o presidente paraguaio, Santiago Peña, e administra recursos milionários de fundos de pensão e outras verbas estatais. Segundo o Banco Central, a intervenção tem como objetivo proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro. Quase metade dos 6,4 milhões de habitantes do Paraguai tem conta na instituição.

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Clientes cobram acesso ao dinheiro

Após o anúncio da intervenção, longas filas se formaram em frente às agências do Ueno Bank, em Assunção. Clientes tentaram retirar seus recursos diante da suspensão dos serviços e do bloqueio das transações bancárias eletrônicas, que já apresentavam falhas desde o dia anterior.

O Banco Central informou que os correntistas com depósitos bloqueados receberão um primeiro pagamento de até 10 milhões de guaranis, aproximadamente R$ 9,2 mil. A medida, porém, não impediu a revolta de quem teme perder as economias.

No fim da tarde de terça-feira (3), dezenas de pessoas protestaram no centro de Assunção. Com cartazes que pediam o impeachment de Santiago Peña, os manifestantes cobraram respostas sobre o bloqueio dos depósitos e a responsabilidade das autoridades pela situação.

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Banco Central do Paraguai identificou grave insuficiência de capital no Ueno Bank, ligado ao presidente Santiago Peña; bloqueio dos depósitos levou clientes às ruas e provocou renúncia do chefe da autoridade monetária. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Chefe do Banco Central renuncia

A intervenção também provocou a saída de Carlos Carvallo da presidência do Banco Central. Antes de assumir o comando da autoridade monetária, em 2023, ele havia presidido a financeira Ueno, que deu origem ao banco.

Carvallo havia antecipado que deixaria o cargo, mas afirmou inicialmente que permaneceria durante a investigação. Horas depois, formalizou a renúncia junto ao Poder Executivo e comunicou a decisão ao Senado.

Na justificativa, declarou que sua saída poderia reduzir interferências políticas e midiáticas no trabalho do Banco Central. Antes disso, Peña havia solicitado publicamente sua renúncia.

Ligação de Peña com o banco é questionada

A relação do presidente com a instituição também entrou no centro da crise. Peña possuía ações de um grupo que controlava o Ueno Bank, mas se desvinculou da participação em 2025.

A oposição prepara um texto para viabilizar um eventual processo de impeachment contra o presidente. Ele acusou o governo de direcionar recursos públicos ao banco e questionou a relação entre Peña e o grupo empresarial.

Após o escândalo, o presidente cancelou uma viagem a Madri, onde participaria da 30ª Cúpula Ibero-Americana.

A Justiça paraguaia também determinou a prisão de oito diretores do banco, entre eles o presidente da instituição, Miguel Vázquez, que se apresentou à polícia na tarde de terça-feira.

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