Irã libera passagem no Estreito de Ormuz e preço do petróleo desaba

Reabertura de rota estratégica em meio a cessar-fogo entre Israel e Líbano derruba cotações globais e amplia pressão por acordo
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Imagem de satélite do Estreito de Ormuz, que se estende por Omã, Emirados Árabes Unidos e Irã. Foto: NASA/Divulgação

A reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã provocou um impacto imediato nos mercados globais de energia nesta sexta-feira (17). Em meio a uma trégua de 10 dias entre Israel e Líbano, Teerã anunciou que a principal rota de transporte de petróleo do mundo está “completamente aberta” para embarcações comerciais. A medida levou à queda abrupta dos preços da commodity. Saiba os detalhes na TVT News.

Logo após o anúncio, o barril do petróleo tipo Brent despencou mais de 11%, sendo negociado na faixa de US$ 88, enquanto o WTI recuou para cerca de US$ 83. A via marítima concentra aproximadamente 20% do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito, o que explica a sensibilidade imediata dos mercados a qualquer alteração em sua operação.

Apesar da liberação, os Estados Unidos mantêm pressão sobre Teerã. Em publicação em rede social, o presidente Donald Trump agradeceu a abertura do estreito, mas reafirmou que o bloqueio naval norte-americano contra portos iranianos seguirá em vigor até a conclusão de um acordo mais amplo entre os países.

Trégua frágil no front Israel-Líbano

A reabertura do estreito ocorre em paralelo ao cessar-fogo temporário entre Israel e Líbano, que entrou em vigor na virada de quinta (16) para sexta-feira. Embora visto como um avanço diplomático, o acordo é considerado instável.

Israel mantém uma zona de segurança de 10 quilômetros dentro do território libanês, equivalente a cerca de 8% do país. Já o grupo Hezbollah interrompeu os ataques, mas não reconheceu formalmente a trégua e afirmou que não pretende se desarmar antes de uma retirada total israelense.

No terreno, o cenário humanitário segue crítico: mais de 2 mil pessoas morreram nas últimas semanas, e cerca de um em cada cinco libaneses foi deslocado. Mesmo assim, civis começaram a retornar a áreas devastadas, enfrentando riscos de destruição e presença militar.

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Negociações nucleares avançam sob mediação

Nos bastidores, o Paquistão assumiu papel central como mediador entre Washington e Teerã. As negociações têm como principal impasse o programa nuclear iraniano.

Os Estados Unidos defendem a suspensão total das atividades nucleares por até 20 anos, enquanto o Irã propõe um prazo entre três e cinco anos. Há, no entanto, sinais de convergência em relação ao destino do estoque de urânio altamente enriquecido, que pode ser transferido para fora do país.

O clima de tensão nas negociações é evidente: segundo fontes da Reuters, diante de ameaças de morte, a força aérea do Paquistão precisou escoltar os diplomatas iranianos envolvidos nas tratativas da negociação.

Coalizão internacional e riscos persistentes

Diante da importância estratégica do Estreito de Ormuz, a Europa articula uma missão internacional para garantir a segurança permanente da navegação. Líderes de países como Reino Unido, França, Alemanha e Itália discutem medidas que incluem operações de desminagem e patrulhamento naval.

Apesar do alívio momentâneo nos mercados e da redução das hostilidades, Mairav Zonszein, analista do International Crisis Group, alertou à Al Jazeera que os principais fatores de instabilidade permanecem sem solução definitiva, como o futuro do Hezbollah e as ambições nucleares iranianas.

A atual trégua é vista como uma janela de oportunidade, mas ainda distante de assegurar uma paz duradoura no Oriente Médio.


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