Com reportagem de Lorena Basília e Manoella Marinho, estagiárias sob supervisão do jornalista Alexandre Barbosa
Eu ainda choro quando vejo os vídeos do que aconteceu em 25 de outubro. Das ruas e nas redes. Das redes para as ruas e das ruas para as redes.
Desde as populações ribeirinhas tremulando as bandeiras do Lula até os filhos e netos levando os idosos, passando pelos brasileiros dos mais variados cantos desse Brasil e do mundo para votar no 2° turno.
Vejo todos, até hoje, com nó na garganta, olhos marejados e, desde o dia 26, com uma sensação de alívio pela democracia, pelo Brasil, pela América Latina e pelo mundo.
O dia 25 entrou para a história
Brasil virou farol para a América Latina e para a luta contra a extrema direita
Para além da emoção de ter participado da virada histórica, nunca antes vista na história do país, o que se viu pelas redes e pelas ruas da América Latina foi a comemoração pela vitória do Lula.
Foi como se o mundo olhasse aqui para o Brasil e dissesse, sim, é possível.
O Brasil estava se sentindo, guardadas as devidas proporções, como na República Espanhola durante a Guerra Civil contra os fascistas.
Como em Cuba combatendo os mercenários em Playa Girón.
Como na Paris de 68.
Com nas manifestações contra a guerra do Vietnã.
A vitória do Brasil sobre a extrema direita foi recheada de símbolos. E um deles foi o L. Cada um destes momentos, a Guerra Civil Espanhola, a Revolução Cubana, o Maio de 68, o Paz e o Amor teve um símbolo.
A primavera das lutas contra a extrema direita ganhou o L como símbolo. E é isso que Manoella Marinho e Lorena Basília vão contar aqui.
Fazer o L ganhou novo significado
A reeleição do presidente Lula foi marcada historicamente pela mobilização, com os brasileiros nas ruas e, pela primeira vez em anos, o movimento popular reacendeu para impedir que a extrema direita assumisse o poder.
A figura central da mobilização em defesa da soberania nacional foi Luiz Inácio Lula da Silva, Após a vitória nas urnas, diferentes líderes mundiais adotaram o “L” do presidente como um símbolo de liberdade e democracia.
O movimento da campanha brasileira ultrapassou as fronteiras. A figura central da mobilização em defesa da soberania nacional foi Luiz Inácio Lula da Silva. Após as eleições, diversos movimentos e políticos ao redor do mundo começaram a utilizar o “L” em seus discursos e atos. O símbolo, associado ao presidente brasileiro, passou a representar também esperança, resistência e mobilização diante do crescimento de forças conservadoras e ultradireitistas em diferentes países.
Espanha
Na Espanha, o presidente do governo, Pedro Sánchez, líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) demonstra não só apoio a Lula, mas usa o L em sua campanha eleitoral como símbolo da luta popular.
A ex-prefeita de Barcelona Ada Colau também levou o símbolo para um ato político da coalizão Frente Ampla, em Madri. Poucas horas antes da confirmação do resultado eleitoral brasileiro, ela convocou os participantes a produzirem o gesto: “Vamos todas levantar o braço com o ‘L’ de Lula”.
Colau associou a mobilização à esperança, à defesa da Palestina e à disputa eleitoral espanhola. A manifestação demonstra como uma campanha realizada na América Latina passou a dialogar com movimentos progressistas de todo o mundo, transformando um símbolo nacional partidário em referência de solidariedade internacional.
Além do gesto, apoiadores de Sánchez também passaram a reproduzir estratégias digitais utilizadas na campanha brasileira, com a criação de canais de mobilização inspirados no chamado “Exército do Lula” criado pelo deputado André Janones.

Divulgação da campanha presidencial de Pedro Sánchez. Foto: reprodução
Nova York
O partido democrata e grupos ativistas, passaram a observar a mobilização brasileira como uma referência para fortalecer a oposição ao avanço da direita populista e às políticas de Donald Trump.
O prefeito Zohran Mamdani, também parabenizou o presidente Lula após o resultado eleitoral. Durante uma coletiva relata, que ao andar pelas ruas se deparou com brasileiros comemorando sua vitória.
Ao relembrar de seu encontro com o presidente, e das pessoas com tanta euforia e comoção nas ruas, ele afirma que a conquista brasileira representa um sinal de que “o povo unido jamais será vencido”. O prefeito também destacou sua admiração pelas políticas de Lula voltadas à classe trabalhadora e mencionou medidas relacionadas à redução da jornada de trabalho, que o impressionou de maneira positiva.
Por mais que não tenha feito o símbolo do “L” diretamente, Mamdani demonstra como a vitória brasileira foi recebida como uma referência política por lideranças progressistas nos Estados Unidos. Recebido com muita admiração pelos governos democratas, e mantendo um impacto direto em suas visões de governo e lutas trabalhistas.
vídeo (discurso NY)
México
Em uma coletiva de imprensa na segunda-feira (26), a presidente do México, Claudia Sheinbaum, começou seu discurso parabenizando Lula e ‘fazendo o L’. A mexicana acrescentou sobre as eleições brasileiras: “É um sopro de ar fresco para a América Latina e o Caribe.”
Além da manifestação pública, Sheinbaum demonstrou interesse na experiência de mobilização digital brasileira e convidou o deputado André Janones para uma visita de trabalho, com o objetivo de conhecer as estratégias utilizadas durante a campanha de Lula.
Chile
O grupo parlamentar chileno Diputadas y Diputados Socialistas comemoraram a vitória de Lula no Congresso Chileno enquanto faziam o L com as mãos.
A comemoração é ainda mais significativa em um contexto em que o Chile acaba de eleger um presidente de extrema-direita. José Antonio Kast (Partido Republicano) foi eleito em 11 de março deste ano com um discurso rígido de segurança pública, combate a imigrição e pautas ultraliberais na economia.
A reeleição de Lula representa para a América Latina um sopro de esperança em meio a tantos governos submissos a Trump e de extrema direita eleitos nos últimos anos.
Fazer o L tornou-se símbolo de luta contra a extrema direita
Para além dos canais digitais, o gesto de formar a letra “L” com os dedos ultrapassou o território brasileiro e se tornou um símbolo de resistência progressista.
Veja outras manifestações pelo mundo
- Palestina
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- Itália
L pelo mundo em imagens


Exército do Lula impulsiona canais de WhatsApp pelo mundo
O modelo de mobilização digital criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), batizado de Exército do Lula, atravessou as fronteiras brasileiras e virou referência para grupos de esquerda na Europa e na América Latina. Em apenas dois dias, os canais de WhatsApp inspirados na estratégia brasileira na França, na Espanha e na Argentina saltaram de 123 mil para 249 mil integrantes — um crescimento de 102,44%
O fenômeno, que a imprensa internacional passou a chamar de “janonismo internacional”, evidencia como a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro impulsionou a replicação de um método baseado em “missões” distribuídas em massa por aplicativos de mensagem.

Conheça alguns dos canais de whatsapp inpirados no Exército do Lula
- Ejército del Peronismo – Argentina
- L’équipe de Mélenchon officielle – França
- Ejército del Petro – Colômbia
- La Fuerza de La Gente – Espanha