O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, visitou nesta quarta-feira, 19 de agosto, o Centro Industrial Nuclear de Aramar (CINA), localizado em Iperó, no interior de São Paulo. A agenda de trabalho foi dedicada a acompanhar o desenvolvimento do Programa Nuclear da Marinha (PNM), que avança para a etapa de montagem do reator destinado ao futuro submarino brasileiro com propulsão nuclear.
As tecnologias apresentadas refletem décadas de investimentos técnicos, científicos e de capacitação profissional orientados pela Estratégia Nacional de Defesa. Durante a agenda, foi destacado que esse domínio tecnológico é estratégico para a indústria e o desenvolvimento científico do país, com o submarino desempenhando papel importante na proteção do mar territorial e na soberania nacional. O desenvolvimento dessas capacidades também gera conhecimentos e tecnologias com aplicações pacíficas da energia nuclear em benefício da sociedade brasileira.
Por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, a tecnologia do submarino recebe apoio direto em projetos como o Atomic, que faz análises de transientes e acidentes operacionais nucleares com modelagem integrada computacional.
Em outra frente, dentro do programa Finep Mais Inovação, inserido na Nova Indústria Brasil (NIB), há investimentos para o desenvolvimento do processo produtivo de obtenção de gás hexafluoreto de urânio (UF6), o gás que alimenta as ultracentrífugas que executam a fase de enriquecimento do urânio.
Acompanharam a comitiva presidencial o ministro da Defesa, José Múcio, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Marcos Antonio Amaro, o comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen, e a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos.
O Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica, LABGENE
Os alicerces estratégicos do Programa Nuclear da Marinha residem no domínio do ciclo do combustível nuclear e na operação do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE), que o presidente Lula também visitou nesta quarta-feira. O LABGENE funciona como um protótipo em escala real e em terra da planta de propulsão que será instalada no futuro Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA). Esta infraestrutura permite simular e testar, sob condições controladas de segurança, o reator e os diversos sistemas eletromecânicos integrados antes de sua instalação definitiva a bordo.
Quando estiver em plena operação, o LABGENE contará com uma planta nuclear de 48 megawatts de potência térmica. Essa capacidade é suficiente para alimentar todos os subsistemas de propulsão do submarino e equivale, comparativamente, à demanda energética necessária para iluminar uma cidade de aproximadamente 20 mil habitantes.
O projeto destaca-se por seu caráter dual. O domínio tecnológico do reator, além de capacitar o país para a proteção ágil e segura de suas águas territoriais, habilitará o Brasil no desenvolvimento futuro de pequenas centrais nucleares de energia elétrica, gerando também benefícios e aplicações práticas para setores como medicina e agricultura.
Complexo industrial tem instalações voltadas para a autonomia científica e tecnológica
O complexo industrial de Aramar abriga instalações de alta complexidade técnica que compõem o ciclo integrado do combustível nuclear, voltadas para a garantia da autonomia científica e tecnológica do país:
- Laboratório de Enriquecimento Isotópico (LEI): Concentra o desenvolvimento de tecnologia nacional de separação isotópica por ultracentrifugação. É a única instalação no Brasil autorizada a realizar o enriquecimento de urânio nos níveis exigidos para o Reator Multipropósito Brasileiro. O laboratório opera sob o licenciamento da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) e é assegurado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e pela Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC).
- Usina Piloto de Produção de Hexafluoreto de Urânio (USEXA): Instalação de alta complexidade — sendo a única com tal finalidade abaixo da linha do Equador — encarregada de purificar e converter quimicamente o concentrado de urânio (yellow cake) em hexafluoreto de urânio. Sua conclusão em escala industrial visa reduzir a dependência nacional de importação nessa etapa crítica do ciclo do combustível.
- Laboratório de Materiais Nucleares (LABMAT): Focado no desenvolvimento e na caracterização de combustíveis cerâmicos em formato de pastilhas de dióxido de urânio, cerâmicas avançadas (como alumina e carbeto de boro) e ligas absorvedoras de nêutrons de prata, índio e cádmio, componentes essenciais para o reator do LABGENE e do futuro submarino. No âmbito do LABMAT, um aporte de R$ 58 milhões está sendo realizado pela Finep para instalar uma linha de produção de combustíveis nucleares para reatores de pequeno porte a serem utilizados em plantas de produção naval.
Complexo tem estruturas de segurança radiológica e centro de instrução nuclear
O complexo nuclear de Aramar conta com estruturas consolidadas de segurança radiológica e qualificação de equipes civis e militares. O Centro de Instrução e Adestramento Nuclear de Aramar (CIANA) é responsável por preparar recursos humanos civis e militares para operar de forma segura plantas nucleares, incluindo as tripulações técnicas do LABGENE. Suas instalações atuais funcionam desde 2012 e estruturam o itinerário de formação até exames de qualificação da ANSN.
Já o Laboratório Radioecológico (LARE) garante a segurança radiológica dos trabalhadores do complexo e da população das áreas de entorno através do Programa de Monitoração Ambiental (PMA) de Aramar. O LARE possui certificação de qualidade que segue os critérios da norma ISO 17025 e atua em cooperação técnica estreita com a AIEA.
Com Secom