O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou, nesta segunda-feira (17), um navio-sonda da Petrobras que atua na exploração de petróleo na Margem Equatorial, no litoral do Amapá. A agenda ocorre três dias após a estatal anunciar a identificação de petróleo e gás no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas. Saiba mais na TVT News.
A confirmação foi feita pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante uma coletiva em Oiapoque (AP), com a presença de Lula e outras autoridades do governo. Segundo ela, a perfuração deve continuar por mais 15 a 20 dias para delimitar a descoberta e determinar o volume de petróleo existente.
Durante a coletiva, Lula afirmou: “Nós vamos continuar cuidando do meio ambiente. O Brasil tem que saber que esse estado aqui, 87% é reserva. E que 90% desse território praticamente está com a floresta intocável. E graças a Deus a gente descobriu isso aqui. Eu toquei o pré-sal, parecia que já estava refinado. Nós temos a chance de ter um petróleo muito chique, de muita qualidade, para abençoar o futuro do filho de vocês, o futuro desse país.”.
O presidente afirmou que o petróleo encontrado significa investimento em educação e soberania nacional. “Eu estou pensando no benefício que isso vai dar pro país quando a gente quiser fazer mais universidade, mais matemática, mais inteligência digital, mais escola integral e mais investimento na nossa soberania. Isso aqui significa soberania nacional”, disse Lula.
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Petrobras confirma petróleo no poço Morpho
Veja a coletiva do presidente Lula:
O poço Morpho está localizado no bloco FZA-M-59, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma área com aproximadamente 2.886 metros de lâmina d’água. A Petrobras é a única operadora do bloco, adquirido na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada em 2013.
Na sexta-feira (14), a estatal havia informado a identificação de “hidrocarbonetos” no local. Naquele momento, a empresa ainda não havia confirmado se os sinais encontrados correspondiam efetivamente a petróleo ou gás natural.
A confirmação veio nesta segunda. De acordo com a Petrobras, a presença de hidrocarbonetos foi identificada por meio da análise de perfis elétricos e de amostras de rochas coletadas durante a perfuração.
Apesar da descoberta, a empresa ainda não sabe qual é o tamanho da acumulação. “Ainda precisamos delimitar a descoberta, saber quanto petróleo de fato existe nessa área”, afirmou Magda Chambriard.
A etapa de perfuração continuará nas próximas semanas. O objetivo é obter informações que permitam estimar o volume da reserva e avaliar se a acumulação encontrada apresenta condições para uma futura produção comercial.
Antes da coletiva, Lula esteve no navio-sonda que realiza a operação em águas profundas. A estrutura trabalha na Margem Equatorial, região que se estende pelo litoral brasileiro do Amapá ao Rio Grande do Norte e que se tornou uma das principais apostas da Petrobras para ampliar suas reservas.
Campanha prevê novos poços
A descoberta no Amapá integra uma campanha exploratória mais ampla da Petrobras na Margem Equatorial. Segundo Chambriard, estão previstos outros três poços para perfuração na área, além de cinco poços em regiões adjacentes.
“É esse gigantesco esforço exploratório que vai nos dizer o real potencial da região”, afirmou a presidente da estatal.
O Plano de Negócios 2026-2030 da Petrobras prevê a perfuração de 15 poços na Margem Equatorial, com investimentos estimados em US$ 2,5 bilhões. A estratégia busca ampliar o conhecimento sobre as reservas existentes na região e verificar a possibilidade de desenvolver novas áreas produtoras.
O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) considerou a descoberta significativa por apontar a possibilidade de exploração e produção em uma nova fronteira no extremo norte do país. A entidade também avaliou que o resultado pode contribuir para a segurança energética brasileira no médio e longo prazo.
A Petrobras, entretanto, ainda não trata o poço Morpho como uma nova área de produção. A descoberta está na fase de avaliação exploratória, que precisa ser concluída antes de qualquer decisão sobre desenvolvimento comercial.
Exploração ocorre em área de debate ambiental
A exploração de petróleo na Foz do Amazonas ocorre em uma região ambientalmente sensível e é alvo de debate há anos. A Petrobras levou mais de uma década para conseguir autorização para perfurar na área.
O Ibama concedeu a licença para a perfuração em outubro de 2025, após exigir medidas relacionadas à proteção ambiental e à resposta a eventuais acidentes. A estatal afirma que as operações seguem os requisitos estabelecidos no processo de licenciamento.

Em comunicado sobre a descoberta, a Petrobras afirmou que a perfuração continuará de forma segura, com respeito ao meio ambiente e às pessoas.
A discussão sobre a Margem Equatorial envolve, de um lado, a busca por novas reservas e pela segurança energética e, de outro, os riscos ambientais associados à exploração de petróleo em uma região considerada de alta sensibilidade ecológica.
O que acontece depois da descoberta?
A confirmação de petróleo não significa que a produção comercial começará imediatamente. A Petrobras ainda precisa concluir a perfuração e realizar estudos para responder a duas questões centrais: quanto petróleo existe no reservatório e se a acumulação é economicamente viável para exploração.
Os dados obtidos durante essa etapa serão utilizados para delimitar a descoberta e avaliar suas características. Somente depois desse processo será possível definir os próximos passos para a área.
A companhia também deverá avançar com a campanha exploratória prevista para a Margem Equatorial. O resultado do poço Morpho pode fornecer informações importantes para as próximas perfurações, mas o potencial da região ainda depende dos resultados dos demais poços.
A descoberta ocorre em um momento em que a Petrobras busca ampliar suas reservas para garantir a produção de petróleo nas próximas décadas. Atualmente, o pré-sal concentra a maior parte das reservas e da produção brasileiras, mas a empresa considera necessário explorar novas fronteiras diante da perspectiva de declínio futuro de algumas áreas maduras.
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