O presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estarão juntos no litoral do Amapá nesta segunda-feira (17) para visitar um navio-sonda da Petrobras que atua na exploração de petróleo na Foz do Amazonas, na Margem equatorial brasileira.
O encontro marca a primeira aparição pública dos dois após meses de afastamento, desde a derrota imposta pelo Senado ao indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal, Jorge Messias, no final de abril.
A visita ocorre na esteira do anúncio feito pela Petrobras na última sexta-feira (14), quando a estatal confirmou a identificação de hidrocarbonetos — sinais de petróleo e gás — em um poço perfurado na região.
Alcolumbre, um dos principais defensores da exploração na Margem Equatorial junto à Petrobras, comemorou a descoberta. “Estávamos certos. Foram anos de luta para chegar até aqui. Lutamos pelo direito de pesquisar a Margem Equatorial e conhecer as nossas riquezas”, escreveu o senador.
A reaproximação entre Lula e Alcolumbre começou a ser desenhada nos últimos dias, com três encontros que marcaram o início de um processo de aproximação. O primeiro ocorreu na casa do ministro do STF Alexandre de Moraes, e os dois últimos, na semana passada, no Palácio da Alvorada.
Presidente Lula visita instalações da Petrobras na Foz do Amazonas
A agenda oficial do presidente, divulgada pelo Palácio do Planalto, confirmou a viagem ao Amapá. Lula deixou Brasília às 8h e seguiu para Oiapoque, onde embarcou no navio-sonda da Petrobras que realiza a prospecção em águas profundas na Margem Equatorial. O retorno à capital está previsto para as 19h50.

A comitiva acompanha de perto as operações de perfuração no bloco FZA-M-59, em águas ultraprofundas do litoral amapaense.
Petrobras anuncia descoberta de petróleo e gás na Bacia da Foz do Amazonas
A Petrobras informou na sexta-feira (14) que identificou a presença de hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho (1-BRSA-1405-APS), localizado a cerca de 175 km da costa do Amapá, em lâmina d’água de 2.886 metros. O material foi constatado por meio de perfis elétricos e indicativos em rocha.
A descoberta é considerada estratégica porque a Margem Equatorial — que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte — é uma das principais apostas da Petrobras para encontrar novas reservas.
A área ganhou atenção depois de descobertas de petróleo na Guiana e no Suriname, países vizinhos. A estatal também pretende perfurar outros três poços na região, mas ainda depende de novas autorizações.

A exploração na região, no entanto, é alvo de discussão há anos por conta dos possíveis impactos ambientais. A Petrobras esperou mais de uma década pela autorização para perfurar o primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas.
O Ibama concedeu a licença em outubro do ano passado, depois de exigir uma série de medidas de proteção ambiental e de resposta a eventuais acidentes.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que o resultado reforça a aposta da companhia na Margem Equatorial. “Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país”, disse.
A atuação da Petrobras no bloco FZA-M-59 está alinhada à estratégia da companhia de recomposição das reservas de petróleo e gás por meio da exploração em áreas de fronteira, visando ao atendimento à demanda nacional de energia durante a transição energética. A Petrobras é a operadora do bloco e detém 100% de participação na área, adquirido na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013.
Líderes do Congresso se aproximam de Lula em movimento estratégico
A visita de Lula e Alcolumbre ao Amapá também reflete um movimento mais amplo de reaproximação entre o Planalto e a cúpula do Congresso. Lideranças do Centrão — incluindo Alcolumbre, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o ex-presidente da Casa, Arthur Lira — têm evitado o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) durante a campanha eleitoral de 2026, em um esforço para que União Brasil, PP e Republicanos permaneçam neutros ou se alinhem ao governo.
A aproximação expõe um cálculo de sobrevivência política do Centrão e escancara fragilidades da candidatura de Flávio Bolsonaro. Tanto Alcolumbre quanto Motta desejam permanecer na presidência das casas e veem no alinhamento com Lula uma alternativa mais viável.
O movimento ocorre em um momento em que o presidente Lula divide seu tempo entre o Palácio do Planalto e a rua, após o início oficial da campanha eleitoral.
A descoberta de petróleo na Margem Equatorial ganhou um novo elemento político: a reaproximação entre Lula e Alcolumbre em torno de uma bandeira que une desenvolvimento econômico e geração de emprego e renda para a região.

O senador, que liderou a defesa da exploração na Foz do Amazonas, vê na visita a oportunidade de consolidar a aliança com o Planalto e transformar a riqueza descoberta em oportunidades para o povo amapaense.
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