Quando a bola rolar na Copa do Mundo 2026, o segundo idioma mais escutado entre os jogadores, comissões técnicas e torcedores será o espanhol. Presente de forma oficial em oito países classificadas, o espanhol divide a segunda posição no ranking do torneio em um empate com o francês e o árabe, ficando atrás apenas do inglês. Leia em TVT News.
Espanhol é a segunda língua mais falada na Copa do Mundo
A equipe de dados da TVT News preparou um levantamento especial para mostrar como esse idioma transita entre a Europa e as Américas, carregando um peso histórico determinante e uma produção literária e musical que moldou a cultura pop moderna. Mais do que um meio de comunicação, o espanhol é o idioma que narra grande parte da paixão global pelo futebol.
Quais países falam espanhol na Copa do Mundo
A força do idioma no mundial de 2026 se deve, quase que inteiramente, ao continente americano. Das oito seleções que falam espanhol, sete estão nas Américas, demonstrando o peso da região na competição:
- Espanha: O berço europeu do idioma, campeã mundial em 2010 e uma das grandes potências do futebol moderno.
- Argentina: a atual campeã do mundo entra em campo defendendo o título conquistado no Catar, trazendo o sotaque portenho e uma legião apaixonada de fãs.
- México: um dos países-sede de 2026 e a nação com o maior número de falantes nativos de espanhol no planeta.
- Uruguai: a primeira nação a sediar e vencer uma Copa do Mundo (em 1930), mantendo uma tradição esportiva gigante para um país de proporções territoriais menores.
- Colômbia: uma das forças sul-americanas, famosa pelo talento de seus jogadores e pela vibração constante de sua torcida.
- Equador: país sul-americano que tem o espanhol como idioma principal de comunicação, dividindo espaço com línguas indígenas como o Quéchua para relações interculturais.
- Paraguai: Uma nação bilíngue: o espanhol é idioma oficial ao lado do Guarani, língua nativa falada por grande parte da população.
- Panamá: representante da América Central que usa o espanhol como sua língua oficial e base de sua identidade cultural.
Qual a origem do espanhol?
O idioma das oito seleções que vão disputar a Copa do Mundo tem raízes na Península Ibérica. O espanhol — também frequentemente chamado de castelhano — é uma língua românica que evoluiu a partir do latim vulgar falado pelos romanos que dominaram a região da Hispânia durante a Antiguidade.
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Durante o século VIII, a península foi invadida por povos mouros vindos do Norte da África. Essa ocupação árabe durou mais de 700 anos e deixou uma marca profunda no vocabulário espanhol.
Estima-se que milhares de palavras de origem árabe tenham sido incorporadas ao idioma, especialmente aquelas que começam com o prefixo “al” (como almohada, alcalde e alfombra). Apenas no final do século XV, com a unificação dos reinos cristãos e a expulsão dos mouros, o castelhano se consolidou como o idioma dominante da nova nação espanhola.
Colonialismo levou o espanhol para fora da Europa
O ano de 1492 foi um marco para a Espanha, não apenas pela unificação do seu território, mas também pela chegada de Cristóvão Colombo às terras que seriam batizadas de América.
Esse evento deu início a um vasto projeto de expansão imperial. Durante os séculos seguintes, o Império Espanhol se estendeu do atual sul dos Estados Unidos até a Patagônia, na Argentina.

O processo de colonização foi brutal e impositivo, estabelecendo o espanhol como a língua da administração, da religião católica e do comércio, muitas vezes silenciando as línguas indígenas locais.
As missões jesuítas e o sistema de vice-reinos garantiram que, mesmo após os processos de independência no século XIX, o espanhol permanecesse como o idioma central das novas repúblicas latino-americanas.
Se quiser entender um pouco mais sobre as cosequências da colonização na formação dos países latino-americanos, leia a matéria abaixo:
América Latina, colonizada pelos espanhóis e apaixonada por futebol
Além de profundas marcas na economia e na sociedade, a herança colonial deixou o idioma, mas a América Latina desenvolveu uma identidade própria, especialmente quando o assunto é o esporte.
A região respira futebol de uma forma singular. O esporte foi introduzido no final do século XIX por imigrantes e marinheiros britânicos, mas foi rapidamente apropriado pelas classes populares latino-americanas.
As gírias e expressões em espanhol ajudaram a transformar o futebol inglês num novo esporte. Aqui na América Latina, o futebol ganhou a irreverência e a técnica que faltavam na Europa.

O primeiro mundial da história foi disputado e vencido no Uruguai, em 1930. Desde então, a hegemonia sul-americana no torneio, liderada pelas nações hispanofalantes como Argentina e Uruguai (além do Brasil, com o português), transformou a América Latina na região mais temida pelos adversários nos gramados internacionais.
Curiosidades sobre a língua espanhola
- Vice-liderança global: o espanhol é a segunda língua mais falada no mundo em número de falantes nativos (cerca de 500 milhões de pessoas), perdendo apenas para o chinês mandarim.
- Sinais invertidos: o espanol possui uma característica gráfica particular: o uso de pontos de interrogação (¿) e exclamação (¡) invertidos no início das frases, preparando o leitor para a entonação correta.
- Velocidade na fala: estudos linguísticos apontam que o espanhol é um dos idiomas mais rápidos do mundo em número de sílabas pronunciadas por segundo, o que exige muita atenção de quem está aprendendo a língua.
- Regulação: diferente do inglês, o idioma conta com a Real Academia Espanhola (RAE), uma instituição formal com sede em Madri dedicada a regular e padronizar as normas gramaticais e o léxico do idioma em todos os países hispanofalantes.
Quais os principais nomes da literatura em espanhol dos 8 países que estão na Copa do Mundo
A produção literária 8 países que falam espanhol na Copa do Mundo é um patrimônio da humanidade. A Espanha presenteou o mundo com Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote, e com a poesia intensa de Federico García Lorca.

Nas Américas, a literatura atingiu patamares de excelência. A Argentina possui intelectuais do calibre de Jorge Luis Borges, mestre dos labirintos e espelhos, e Julio Cortázar, criador do inovador O Jogo da Amarelinha.

O México revelou as paisagens áridas e existenciais de Juan Rulfo, além dos ensaios poéticos de Octavio Paz. O Uruguai tem a prosa cortante e política de Eduardo Galeano, autor de As Veias Abertas da América Latina e o mestre da poesia e da crônica, Mario Benedetti.
O Paraguai projeta a voz essencial de Augusto Roa Bastos, que retratou as complexidades de seu país de forma magistral.
Eduardo Galeano, uruguaio e apaixonado por futebol e pela América Latina
Nascido em Montevidéu, Eduardo Galeano foi um dos maiores cronistas da realidade latino-americana. Seu olhar atento e sua escrita poética conseguiram traduzir as dores e as esperanças de um continente marcado pela exploração, mas também pela resistência cultural. Galeano via o futebol não apenas como um esporte, mas como uma manifestação da alma do povo, algo que deveria ser protegido contra o domínio puramente comercial.

Sua paixão pelo Uruguai e pela América Latina transparecia em cada frase, defendendo a ideia de que o continente precisava redescobrir sua própria história para construir um futuro com mais autonomia.
As obras mais conhecidas de Eduardo Galeano
A bibliografia de Galeano é extensa, mas algumas obras se tornaram fundamentais para qualquer pessoa que queira entender a formação social da América Hispânica:
- As Veias Abertas da América Latina: Sua obra mais influente, que traça um panorama histórico da exploração econômica do continente desde a colonização até o século XX.
- Memória do Fogo: Uma trilogia que reconta a história da América por meio de pequenos relatos e lendas, misturando ficção e realidade documental.
- O Livro dos Abraços: Uma coleção de textos curtos e poesias sobre a vida cotidiana, a política e a ternura humana.
Futebol ao Sol e à Sombra, o livro sobre futebol de Eduardo Galeano
Para os torcedores que aguardam a Copa de 2026, a leitura de Futebol ao Sol e à Sombra é obrigatória. Neste livro, Galeano se descreve como um “mendigo do bom futebol”, percorrendo o mundo com o chapéu na mão, suplicando por uma jogada bonita que fizesse a vida valer a pena.

A obra é um inventário de gols, derrotas, heróis e vilões. Galeano critica a transformação do futebol em uma indústria mecânica que retira o prazer do jogo, ao mesmo tempo em que descreve com delicadeza a trajetória de astros como Pelé, Maradona e Garrincha. Para ele, o futebol é o espelho da vida: cheio de imprevistos, injustiças e momentos de pura beleza plástica.
Quais os principais nomes da música em espanhol dos 8 países que estão na Copa do Mundo
Se a literatura é vasta, a música em espanhol dita o ritmo das paradas de sucesso globais na atualidade. A Espanha revelou fenômenos contemporâneos como Rosalía, que mistura o flamenco tradicional com batidas urbanas, além do romantismo de Alejandro Sanz.
A Colômbia é uma verdadeira máquina de sucessos, exportando artistas como J Balvin, Maluma e Karol G, que popularizaram o reggaeton globalmente. A Argentina exportou no passado o tango de Carlos Gardel e a voz potente e contestadora de Mercedes Sosa, e hoje domina as plataformas de streaming com produtores como Bizarrap e cantoras como Tini. O México, com uma indústria musical massiva, apresentou ídolos pop como Luis Miguel e Thalía, além de grandes nomes da música tradicional mariachi.
Shakira, cantora colombiana, cantou o tema da Copa de 2010
Quando se fala da união entre música hispana e a Copa do Mundo, um nome reina absoluto: Shakira. A cantora nascida em Barranquilla, na Colômbia, foi a responsável por dar voz ao tema oficial do mundial de 2010, na África do Sul.
A música Waka Waka (This Time for Africa) se tornou um hit planetário instantâneo, unindo batidas pop, refrões cativantes e a energia do torneio. O sucesso foi tamanho que a faixa se consolidou como uma das canções de Copa do Mundo mais bem-sucedidas de todos os tempos.

Dos 8 países que falam espanhol na Copa do Mundo, quem já conquistou o Prêmio Nobel de Literatura?
A excelência da escrita em espanhol é frequentemente reconhecida pela Academia Sueca. A Espanha lidera o número de laureados do grupo, com diversos vencedores ao longo do século XX, incluindo Vicente Aleixandre, Juan Ramón Jiménez e, mais recentemente, Camilo José Cela, premiado em 1989.

O México levou a honraria máxima com o poeta e ensaísta Octavio Paz em 1990. A Colômbia entrou para o seleto grupo de vencedores com seu maior expoente literário, Gabriel García Márquez. Curiosamente, a Argentina, terra de gênios literários, nunca venceu o Nobel de Literatura; o país viu Jorge Luis Borges ser cotado diversas vezes, mas o prêmio sempre escapou do mestre portenho.
Gabriel García Márquez: o principal nome do realismo fantástico
Entre todos os nomes citados, o colombiano Gabriel García Márquez, carinhosamente chamado de Gabo, é um capítulo à parte. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1982, ele foi o grande pilar do movimento conhecido como “Realismo Mágico” ou “Realismo Fantástico”, onde elementos absurdos e sobrenaturais são narrados como algo perfeitamente natural e rotineiro.
Sua obra-prima, Cem Anos de Solidão, narra a saga da família Buendía na aldeia fictícia de Macondo, e é considerada um dos livros mais importantes do século XX. O impacto de sua escrita transformou a maneira como o mundo enxergava a cultura latino-americana.

Contos de Gabriel García Márquez estão na lista de livros do vestibular da Unicamp
A relevância da obra do escritor colombiano ultrapassa fronteiras e chega diretamente às salas de aula do Brasil. Recentemente, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) atualizou a lista de leitura obrigatória para seus exames de admissão. Para os vestibulares a partir de 2027, o livro de contos Os Funerais da Mamãe Grande, de Gabriel García Márquez, foi selecionado.

A inclusão dessa obra na lista do vestibular paulista reforça a importância de que os estudantes brasileiros conheçam a literatura de seus vizinhos de continente. Ao ler os contos de Gabo, os jovens têm a oportunidade de explorar o estilo narrativo que deu prestígio internacional ao idioma espanhol, compreendendo as nuances, as desigualdades e a magia que formam a complexa identidade da América Latina.
Línguas mais faladas na Copa do Mundo 2026: espanhol, árabe e inglês lideram
As línguas mais faladas na Copa do Mundo 2026 revelam a diversidade dos 48 países classificados para o torneio que será disputado em junho e julho nos Estados Unidos, México e Canadá.
A lista de seleções reúne idiomas de quatro continentes — do guarani indígena do Paraguai ao uzbeque da Ásia Central — em um mapa linguístico que mostra tanto a diversidade como a marca da história.
A liderança de idiomas de origem europeia, como inglês, francês e espanhol é sinal dos processos de colonização e imperialismo de Espanha, Inglaterra e Portugal (o português está presente em países de 3 continentes na Copa do Mundo). Por outro lado, também mostra a expansão do império árabe, que da península arábica, chegou até o norte da África.
Línguas Mais Faladas na Copa do Mundo 2026
Ranking das línguas mais faladas na Copa do Mundo
Considerando o status de língua oficial ou o idioma majoritário de comunicação de cada nação classificada, este é o ranking dos idiomas mais presentes na Copa do Mundo da FIFA 2026:
| Posição | Idioma | Número de Países | Países Representantes |
| 1º | Inglês | 9 | África do Sul, Canadá, Escócia, Estados Unidos, Austrália, Curaçao, Nova Zelândia, Inglaterra, Gana |
| 2º | Espanhol | 8 | México, Paraguai, Equador, Espanha, Uruguai, Argentina, Colômbia, Panamá |
| 2º | Francês | 8 | Canadá, Suíça, Haiti, Costa do Marfim, Bélgica, França, Senegal, RD Congo |
| 2º | Árabe | 8 | Catar, Marrocos, Tunísia, Egito, Arábia Saudita, Iraque, Argélia, Jordânia |
| 5º | Alemão | 4 | Suíça, Alemanha, Bélgica, Áustria |
| 6º | Holandês | 3 | Curaçao, Holanda, Bélgica |
| 6º | Português | 3 | Brasil, Cabo Verde, Portugal |
| 8º | Croata | 2 | Bósnia, Croácia |
Em países com mais de um idioma oficial, foi considerado o idioma predominante na comunicação nacional.

Quais são os grupos da Copa do Mundo 2026
Grupos da Copa do Mundo da FIFA 2026
- GRUPO A: México, África do Sul, Coreia do Sul e Dinamarca;
- GRUPO B: Canadá, Bósnia, Catar e Suíça;
- GRUPO C: Brasil, Marrocos, Haiti e Escócia;
- GRUPO D: Estados Unidos, Paraguai, Austrália e Turquia;
- GRUPO E: Alemanha, Curaçao, Costa do Marfim e Equador;
- GRUPO F: Holanda, Japão, Suécia e Tunísia;
- GRUPO G: Bélgica, Egito, Irã e Nova Zelândia;
- GRUPO H: Espanha, Cabo Verde, Arábia Saudita e Uruguai;
- GRUPO I: França, Senegal, Iraque e Noruega;

Quais as línguas nacionais dos países da Copa do Mundo 2026
Confira o mapeamento dos 48 países classificados para a Copa do Mundo 2026, separados por grupo, com seus respectivos idiomas oficiais ou majoritários:
- GRUPO A
- México: Espanhol (e 68 línguas indígenas nacionais)
- África do Sul: Inglês, Africâner, Zulu, Xhosa (além de outras 8 línguas oficiais)
- Coreia do Sul: Coreano
- República Tcheca: Tcheco
- GRUPO B
- Canadá: Inglês, Francês
- Bósnia: Bósnio, Croata, Sérvio
- Catar: Árabe
- Suíça: Alemão, Francês, Italiano, Romanche
- GRUPO C
- Brasil: Português
- Marrocos: Árabe, Amazigue (Berbere)
- Haiti: Francês, Crioulo Haitiano
- Escócia: Inglês, Gaélico Escocês, Scots
- GRUPO D
- Estados Unidos: Inglês (idioma nacional na prática)
- Paraguai: Espanhol, Guarani
- Austrália: Inglês
- Turquia: Turco
- GRUPO E
- Alemanha: Alemão
- Curaçao: Holandês, Papiamento, Inglês
- Costa do Marfim: Francês
- Equador: Espanhol (Kichwa e Shuar para relações interculturais)
- GRUPO F
- Holanda: Holandês (Neerlandês)
- Japão: Japonês
- Suécia: Sueco
- Tunísia: Árabe
- GRUPO G
- Bélgica: Holandês, Francês, Alemão
- Egito: Árabe
- Irã: Persa (Farsi)
- Nova Zelândia: Inglês, Maori, Língua de Sinais Neozelandesa
- GRUPO H
- Espanha: Espanhol (além de Catalão, Galego e Basco como co-oficiais regionais)
- Cabo Verde: Português, Crioulo Cabo-Verdiano
- Arábia Saudita: Árabe
- Uruguai: Espanhol
- GRUPO I
- França: Francês
- Senegal: Francês (oficial), Wolof
- Iraque: Árabe, Curdo
- Noruega: Norueguês
- GRUPO J
- Argentina: Espanhol
- Argélia: Árabe, Tamazight
- Áustria: Alemão
- Jordânia: Árabe
- GRUPO K
- Portugal: Português
- RD Congo: Francês (oficial), Lingala, Kikongo, Swahili, Tshiluba
- Uzbequistão: Uzbeque
- Colômbia: Espanhol
- GRUPO L
- Inglaterra: Inglês
- Croácia: Croata
- Gana: Inglês
- Panamá: Espanhol

