ONG ligada ao “Dark Horse” pagou advogado de Frias com verba de emenda

Reportagem aponta que recursos destinados a projeto educacional foram usados para beneficiar aliados e advogado pessoal de Mário Frias
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Em 2024, o deputado destinou R$ 1 milhão em emenda parlamentar a projeto que nunca saiu do papel. Foto: Roberto Castro/ Mtur

O deputado federal Mário Frias é alvo de novas suspeitas envolvendo o uso de emendas parlamentares após documentos de prestação de contas revelarem que uma ONG ligada à produção do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, repassou dinheiro público para o advogado pessoal do parlamentar. É o que aponta reportagem do Intercept. Entenda na TVT News.

Projeto educacional não saiu do papel

O caso envolve o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, também responsável pela produtora Go Up Entertainment, que desenvolveu o filme sobre Jair Bolsonaro do qual Frias atuou como roteirista e produtor-executivo. Em 2024, o deputado destinou R$ 1 milhão em emenda parlamentar ao instituto para financiar o projeto “Jovem Empreendedor”, voltado ao letramento digital de crianças da rede municipal de Pirassununga, no interior paulista.

Apesar do repasse integral dos recursos pelo governo federal, responsáveis técnicos da cidade afirmam que o projeto nunca foi executado e que os materiais prometidos não chegaram às escolas. A investigação aponta indícios da existência de “livros fantasmas”, contratados com verba pública, mas jamais entregues.

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Verba pública beneficiou aliados e advogado

Documentos da prestação de contas mostram que parte significativa dos recursos foi pulverizada entre empresas ligadas a aliados políticos e pessoas investigadas por fraudes contra a administração pública. Um dos pagamentos identificados foi de R$ 80 mil destinados à empresa do advogado Fabio Lago Meirelles, responsável pela defesa de Mário Frias em ao menos nove ações judiciais. Segundo os registros, R$ 30 mil foram pagos por serviços de contabilidade e outros R$ 50 mil por assessoria jurídica.

Outro repasse sob suspeita foi feito à Editora Dinâmica, que recebeu R$ 400 mil para fornecer 2.750 kits pedagógicos. A empresa pertence a Dayvid Medeiros, réu em ação do Ministério Público da Paraíba por suposto desvio de recursos públicos e fraude em licitação envolvendo o Detran-PB. A investigação também aponta ligação política entre o grupo empresarial e o deputado: a esposa de um sócio de Medeiros doou R$ 70 mil para a campanha eleitoral de Frias em 2022.

Além disso, o Instituto Super Poder Educacional recebeu R$ 300 mil para produção de conteúdo digital. A empresa pertence a Pamella Cristiane Dias, que atua como coordenadora editorial em outra companhia ligada ao mesmo grupo empresarial de Medeiros.

Suspeita de conflito de interesses

É apontado ainda um possível conflito de interesses na contratação da empresa MM7, do produtor Marcelo Machado, que recebeu R$ 50 mil por serviços de divulgação. Machado ocupa cargo de direção em outra entidade presidida por Karina Gama, situação que pode configurar contratação vedada pela legislação.

As suspeitas sobre o destino das emendas chegaram ao Supremo Tribunal Federal. O ministro Flávio Dino conduz a investigação para apurar se R$ 2 milhões em emendas enviadas por Mário Frias ao ICB teriam sido desviados para financiar a produção do filme “Dark Horse”.

Polícia investiga contrato milionário da ONG

Paralelamente, o Instituto Conhecer Brasil tornou-se alvo de operação da Polícia Civil de São Paulo em 1º de junho de 2026. A apuração envolve um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi-Fi na capital. Os investigadores suspeitam de antecipação irregular de R$ 26 milhões sem a execução correspondente dos serviços e do uso de notas fiscais canceladas para justificar despesas.

O convênio do ICB com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação expirou em janeiro deste ano, mas a entidade ainda não apresentou a prestação de contas final dentro do prazo estabelecido pelo governo federal. O ministério informou que notificou a ONG para prestar esclarecimentos complementares.

Até o momento, Mário Frias e Karina Ferreira da Gama não se manifestaram sobre as suspeitas envolvendo o uso da emenda parlamentar, a contratação de aliados e a ausência de execução do projeto educacional em Pirassununga.

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