A primeira pesquisa Quaest realizada após as eleições de 2026 mostra um país que, com os resultados das urnas, tem um desejo majoritário de que o governo dê certo.
O levantamento “O Brasil depois das urnas”, divulgado neste domingo (8), aponta que 48% dos brasileiros aprovam o governo do presidente Lula, contra 44% que desaprovam — um saldo positivo de quatro pontos.
Ao mesmo tempo, 94% dizem torcer para que Lula faça um bom governo, independentemente do voto. A pesquisa também mediu a reação à fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos: 62% consideram a decisão errada, e 59% rejeitam o questionamento do senador ao resultado das urnas.
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Principais resultados da pesquisa Quaest pós-eleições
- 62% condenam a ida de Flávio Bolsonaro aos EUA; para 56%, ele fugiu da Justiça.
- 59% rejeitam o questionamento do resultado eleitoral feito pelo senador derrotado.
- O eleitorado lulista saiu alegre (40% citam alegria entre apoiadores), a esquerda saiu aliviada (23%), a direita ficou decepcionada (27%) e o bolsonarista, revoltado (20% de decepção entre o grupo).
- 94% torcem pelo sucesso do governo Lula, o mesmo índice de dezembro de 2022.
- O otimismo com o futuro do Brasil é maior que em 2022: 44% se dizem otimistas, ante 38% em outubro daquele ano.
Como os brasileiros se sentem depois das eleições
A vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro produziu um mix de emoções que ajuda a explicar o humor do eleitorado.
- Alegria foi citada por 18% dos entrevistados, alívio por 14% e esperança por 12%.
- Entre os apoiadores do presidente Lula, os índices sobem para
- 40% de alegria,
- 23% de alívio e
- 16% de esperança.

Do outro lado, a decepção aparece em 10% do total, mas atinge 27% da direita e 20% dos bolsonaristas, refletindo o impacto da derrota e, depois, da postura do candidato derrotado.
Para 81% dos brasileiros, o país segue dividido após as urnas — apenas 15% o veem como unido.
Qual a aprovação do governo Lula
O governo Lula inicia o quarto mandato com 48% de aprovação e 44% de desaprovação, segundo a Quaest. O número é idêntico ao registrado na véspera do segundo turno, mas a desaprovação oscilou um ponto para baixo, o que melhorou levemente o saldo.
Comparação com outros presidentes releitos:
Lula teve +38 em 2006, Dilma +18 em 2014 e FHC +10 em 1998; agora, o saldo é de +4.
A avaliação do presidente como “líder forte” alcança 73%, e 61% dizem que ele “sabe o que está fazendo”.

94% torcem pelo sucesso do governo Lula
A torcida pelo sucesso do governo é quase unânime: 94% querem que Lula faça uma boa gestão, e apenas 4% torcem contra. O dado é idêntico ao de dezembro de 2022, quando o petista derrotou Jair Bolsonaro.
Mesmo entre bolsonaristas, 80% afirmam torcer pelo sucesso do governo, enquanto 19% dizem o contrário. Para Felipe Nunes, diretor da Quaest, o otimismo com o novo governo vem da percepção de que “a democracia prevaleceu” e de que programas sociais e pautas de regulação serão mantidos.
O que os brasileiros pensam da fuga de Flávio Bolsonaro
A ida de Flávio Bolsonaro aos EUA após a derrota nas eleições é reprovada por 62% dos brasileiros que souberam do episódio — 89% da população. Para 56%, o senador fugiu da Justiça; outros 35% acreditam que ele tentou evitar perseguição política, interpretação mais comum entre bolsonaristas.
A Quaest também mediu a reação à tentativa de Flávio de se autoproclamar presidente: 70% souberam do episódio, e 60% avaliaram que ele agiu mal. Felipe Nunes destacou que a rejeição ao comportamento do senador foi ainda mais intensa do que a registrada em dezembro de 2022 em relação à postura de Jair Bolsonaro após a derrota.
Até a direita condena a fuga e o golpismo de Flávio Bolsonaro
A base que votou em Flávio no segundo turno está rachada.
Segundo Felipe Nunes, metade dos eleitores de direita considera errada a saída do país. A divisão fica clara na avaliação dos motivos: enquanto 56% do total veem fuga da Justiça, entre os bolsonaristas a tese de perseguição política tem mais força — ainda assim, 20% dos próprios bolsonaristas citaram decepção como sentimento após a eleição. Entre os independentes, apenas cerca de um terço acredita na versão de perseguição, o que mostra que a condenação à fuga ultrapassa o campo oposicionista e atinge o centro do eleitorado.
Maioria aceita o resultado das eleições
Os questionamentos de Flávio Bolsonaro ao resultado das urnas são rejeitados por 59% dos brasileiros, enquanto 34% aprovam a atitude. A rejeição é praticamente a mesma de 2022, quando 61% rejeitavam as críticas de Jair Bolsonaro ao processo eleitoral.
Para 61%, as eleições de 2026 foram “limpas e justas”; 30% ainda acreditam em fraude, proporção semelhante à de quatro anos atrás. A percepção majoritária de que o pleito foi legítimo é um dos fatores que explicam a baixa adesão à narrativa de questionamento do resultado, segundo a análise da Quaest.
Os brasileiros estão mais otimistas
O otimismo com o futuro do Brasil cresceu na comparação com 2022. Agora, 44% se dizem otimistas, ante 38% em outubro de 2022 e 41% em dezembro daquele ano.
Os preocupados caíram de 57% (out/2022) para 48% (nov/2026). Felipe Nunes escreveu que a preocupação com o futuro, embora ainda alta, está no menor patamar da série histórica da Quaest. O aumento do otimismo convive, porém, com a expectativa de mais conflito político: 70% acreditam que Lula terá mais atrito com o Congresso do que no mandato anterior, e 46% preveem mais embates com o STF.

Prioridades para o novo governo
Quando questionados sobre qual promessa de campanha deve ser a prioridade do novo governo, os brasileiros apontam para pautas econômicas e sociais: 17% citam o fim da escala 6×1, 16% o imposto zero na cesta básica, 11% a valorização do salário mínimo e 10% o pacto contra o feminicídio.
A lista de prioridades reflete o peso das demandas por renda e condições de trabalho no eleitorado que reelegeu Lula, ao mesmo tempo em que mantém a agenda de proteção à mulher entre as mais citadas. Para Felipe Nunes, a combinação entre democracia preservada, programas sociais mantidos e capacidade de regulação (redes e bets) é o que sustenta o otimismo com o novo governo.
Qual a metodologia da pesquisa Quaest
A pesquisa Quaest “O Brasil depois das urnas” ouviu 2.004 entrevistados em todo o território nacional, entre 30 de outubro e 2 de novembro de 2026, por meio de entrevistas pessoais domiciliares com questionários estruturados.
A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%. A amostragem foi feita em três estágios (municípios, setores censitários e cotas de sexo, idade, escolaridade e renda), com pós-estratificação por MrP ou rake. Os dados foram calibrados com base no TSE (setembro/2026), Censo 2022 e PNADc.