PF deflagra nova fase de Operação Sem Desconto

PF cumpre 18 mandados de busca e apreensão no DF e no Maranhão para investigar suspeitas relacionadas a fraudes no INSS
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PF cumpre 18 mandados de busca e apreensão no DF e no Maranhão para investigar suspeitas relacionadas a fraudes no INSS. Foto: Arquivi/Tânia Rêgo/Agência Brasil

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (4) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao esquema de descontos associativos fraudulentos realizados sobre benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Leia em TVT News.

Ao todo, a PF cumpre 18 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e no Maranhão.

Entre os alvos das diligências estão familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA), que já havia sido alvo de uma ação da Polícia Federal em dezembro de 2025. O advogado e empresário Willer Tomaz também foi alvo de mandado de busca e apreensão.

A nova etapa da investigação foi aberta depois que a PF identificou indícios de movimentações financeiras e patrimoniais consideradas suspeitas.

Segundo os investigadores, os recursos teriam circulado por meio de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com dinheiro em espécie.

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A suspeita é de que essas operações tenham sido utilizadas para dificultar a identificação da origem e do destino dos valores. A investigação busca esclarecer de onde vieram os recursos, para onde foram encaminhados e qual era a finalidade dos repasses. A PF também pretende individualizar a responsabilidade de cada pessoa investigada.

PF encontrou máquina de contar dinheiro durante cumprimento dos mandados

Durante o cumprimento dos mandados nesta terça-feira, os agentes da Polícia Federal encontraram uma máquina de contar dinheiro. O equipamento foi localizado durante uma das buscas realizadas no âmbito da nova fase da operação.

Em manifestação divulgada nesta terça-feira, Willer Tomaz, que foi alvo de mandado, afirmou que a diligência ocorreu exclusivamente porque ele é proprietário de uma aeronave utilizada pelo senador Weverton Rocha em uma viagem de caráter particular.

O advogado negou qualquer relação com o esquema investigado e afirmou que não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto. Segundo ele, a aeronave foi disponibilizada de maneira pessoal e amistosa, sem relação com os fatos apurados pela Polícia Federal.

Tomaz também declarou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e disse confiar na apuração dos fatos.

Fraudes no INSS são origem da investigação da PF

A Operação Sem Desconto investiga um esquema de descontos irregulares aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. As investigações conduzidas pela Polícia Federal revelaram, em abril de 2025, indícios de que os descontos ocorreram entre 2019 e 2024.

As investigações apontam que os valores desviados podem chegar a aproximadamente R$ 6,3 bilhões. O esquema envolvia descontos associados a entidades e serviços que, segundo as investigações, teriam sido realizados sem autorização dos beneficiários.

A partir das investigações sobre os descontos indevidos, a Polícia Federal passou a analisar também as movimentações financeiras relacionadas aos envolvidos. A nova fase busca aprofundar a apuração sobre a possível lavagem dos recursos obtidos por meio das fraudes.

Investigação continua

A PF afirma que os indícios identificados apontam para o uso de diferentes mecanismos para movimentar e ocultar valores. Entre eles estão contas de terceiros, empresas, estruturas societárias e transações em espécie.

A estratégia, segundo os investigadores, poderia dificultar o rastreamento dos recursos e a identificação dos beneficiários finais das operações. Por isso, a análise das movimentações financeiras e patrimoniais é considerada uma etapa importante para reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro.

Com os mandados cumpridos nesta terça-feira, os investigadores pretendem reunir novos documentos, informações e elementos que permitam esclarecer a origem e a destinação dos valores, os objetivos dos repasses e a participação individual de cada investigado.

A operação ocorre sob autorização do Supremo Tribunal Federal. As investigações seguem em andamento e, até o momento, a apuração de responsabilidades ainda não foi concluída.

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