A crise provocada pelas revelações da série “VAZA FLÁVIO”, publicada pelo The Intercept Brasil, já produz efeitos concretos dentro do PL e ameaça abalar a pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro para 2026. Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo, integrantes da cúpula da legenda estabeleceram um prazo informal de 10 a 15 dias para avaliar se o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro terá condições políticas de manter sua candidatura diante do desgaste provocado pela relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Saiba mais na TVT News.
A avaliação interna ocorre em meio ao temor de que novas revelações venham à tona e aprofundem ainda mais o desgaste do núcleo bolsonarista. Nos bastidores, dirigentes do partido demonstram desconfiança sobre as versões apresentadas até agora por Flávio e seus aliados. O senador admitiu nesta semana que visitou Vorcaro após a prisão do banqueiro, no fim de 2025, fato que não havia sido comunicado anteriormente sequer a integrantes do próprio partido.
Segundo o relato de Flávio, o encontro teria ocorrido para colocar um “ponto final” nas negociações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. A obra está no centro das investigações reveladas pelo Intercept, que apontam negociações de até US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época — junto ao então controlador do Banco Master.
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A Polícia Federal investiga suspeitas de irregularidades envolvendo os repasses ligados à produção do longa, incluindo possíveis transferências para estruturas financeiras nos Estados Unidos associadas ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro. Reportagens recentes também mostraram que Eduardo exercia funções de gestão financeira e produção-executiva do projeto, apesar de ter negado publicamente participação administrativa no filme.
Dentro do PL, o temor é que novos documentos, mensagens ou contratos contradigam diretamente a narrativa construída pelo senador de que sua relação com Vorcaro esteve limitada apenas ao financiamento do filme.
A reportagem de O Globo aponta que o clima entre parlamentares da legenda piorou após Flávio reunir cerca de 70 deputados e senadores em Brasília para prestar esclarecimentos. Segundo relatos, aliados cobraram explicações mais detalhadas e questionaram se ainda há fatos desconhecidos que possam atingir a legenda nas próximas semanas.
O senador chegou a pedir desculpas aos colegas por não ter revelado anteriormente detalhes de sua relação com Vorcaro. Ainda assim, o encontro não dissipou completamente o mal-estar interno. Parte da bancada considera que a condução política da crise foi desastrosa e que as versões desencontradas dadas por Flávio, Eduardo Bolsonaro, Mario Frias e produtores do filme agravaram a perda de credibilidade.
Nos bastidores, dirigentes do partido já discutem cenários alternativos caso a candidatura de Flávio se torne inviável. Entre os nomes cogitados aparecem Michelle Bolsonaro, Tereza Cristina e Rogério Marinho, atual coordenador da pré-campanha do senador.
Apesar disso, aliados próximos de Jair Bolsonaro ainda insistem publicamente na manutenção da candidatura. Rogério Marinho afirmou ao Globo que “não existe nenhuma chance de Flávio ser substituído”. Já o pastor Silas Malafaia admitiu preocupação com o impacto do caso junto ao eleitorado evangélico. Segundo ele, o apoio pode esfriar “se tiver comprovação de que recebeu dinheiro para mais coisa que o filme”.
O desgaste político já aparece também nas pesquisas eleitorais divulgadas após a explosão do escândalo.
Pesquisas apontam impacto na candidatura de Flávio Bolsonaro
Levantamento Atlas/Bloomberg mostrou que a divulgação dos áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro provocou uma forte deterioração da imagem do senador junto ao eleitorado moderado. Segundo os dados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu vantagem de sete pontos percentuais sobre Flávio em eventual segundo turno. A pesquisa apontou Lula com 48,9% contra 41,8% do senador do PL.
O mesmo levantamento revelou que 51,7% dos entrevistados consideram que a conversa entre Flávio e Vorcaro indica envolvimento direto do parlamentar com o escândalo do Banco Master. Outros 45,1% classificaram a pré-candidatura do senador como “muito enfraquecida” após as denúncias.
Já a pesquisa Vox Brasil, divulgada nesta quarta-feira (20), reforçou a tendência de deterioração eleitoral do filho de Bolsonaro. O instituto apontou Lula com 46,8% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 38,1% de Flávio Bolsonaro. Segundo o levantamento, o senador perdeu 5,7 pontos percentuais após a repercussão do caso envolvendo Vorcaro.
Além das investigações sobre financiamento privado do filme, o núcleo bolsonarista também enfrenta pressão crescente no Supremo Tribunal Federal. O ministro Flávio Dino determinou a abertura de apuração preliminar para investigar o envio de emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora Go Up Entertainment, responsável por “Dark Horse”.
Levantamentos divulgados nesta semana apontam que deputados federais, estaduais e vereadores ligados ao PL e a partidos aliados destinaram quase R$ 8 milhões em recursos públicos para organizações vinculadas ao ecossistema da produção cinematográfica.
Enquanto tenta reorganizar sua estratégia política, Flávio busca reforçar agendas públicas e ampliar encontros com empresários e lideranças regionais. Nesta quinta-feira, o senador segue para São Paulo, onde deve participar de reuniões com representantes do mercado financeiro na Faria Lima.
Dentro do PL, porém, cresce a percepção de que os próximos dias serão decisivos para determinar se o projeto presidencial do clã Bolsonaro sobreviverá à crise provocada pela relação com Daniel Vorcaro.

