Simone Tebet (PSB) reagiu às críticas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobre sua pré-candidatura ao Senado pelo estado e respondeu com uma provocação que rapidamente repercutiu no meio político. “Sou corintiana, não flamenguista, e pago imposto em São Paulo há 10 anos. Não precisei dar endereço alheio para me candidatar”, afirmou a ex-ministra do Planejamento do governo Lula em entrevista à CNN Brasil. Saiba mais na TVT News.
A declaração foi uma resposta direta ao discurso de Tarcísio, feito durante um evento de pré-campanha no interior paulista, em que o governador questionou as candidaturas de Tebet e da ex-ministra Marina Silva (Rede), alegando que ambas construíram suas trajetórias políticas em outros estados e não em São Paulo.
“Com todo respeito às duas candidatas ao Senado dos outros partidos, elas não começaram a fazer política em São Paulo”, afirmou Tarcísio. Segundo ele, Tebet e Marina “levaram cartão vermelho” de Mato Grosso do Sul e do Acre, respectivamente, acrescentando que “não serão eleitas” em São Paulo porque “a gente não vai deixar”.
>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp
A resposta de Tebet também faz referência ao próprio histórico eleitoral do governador. Nascido no Rio de Janeiro e criado em Brasília, Tarcísio transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo em 2022 para disputar o Palácio dos Bandeirantes, após ser escolhido pelo então presidente Jair Bolsonaro como candidato ao governo paulista. À época, a mudança de endereço foi alvo de questionamentos e investigação, posteriormente arquivada.
Além da ironia sobre a torcida — Tebet é corintiana, enquanto Tarcísio é flamenguista —, a ex-ministra destacou que mantém vínculos com o estado há anos. Neste ano, ela transferiu oficialmente seu domicílio eleitoral para disputar uma das duas vagas paulistas ao Senado.
Marina vê “dois pesos e duas medidas”
A também pré-candidata ao Senado Marina Silva (Rede) saiu em defesa de Tebet e classificou as declarações do governador como um caso de “dois pesos e duas medidas”.
Segundo a ex-ministra do Meio Ambiente, Tarcísio considera natural ter disputado o governo paulista sendo carioca, mas utiliza critério diferente para questionar duas mulheres que concorrem ao Senado pelo estado.
“Ele acha que para ele vir fazer política aqui é natural, e para mim e a Simone, não”, afirmou Marina durante agenda em Campinas. Para ela, há ainda um componente de preconceito de gênero. “Tem um preconceito contra as mulheres. Nós podemos montar a nossa barraca onde quisermos.”
- Leia também: Governo endurece regras para publicidade de bet e exige alertas semelhantes aos de cigarros
Marina já exerce mandato por São Paulo desde 2022, quando foi eleita deputada federal pelo estado. Durante o lançamento de sua pré-candidatura ao Senado, ela já havia criticado o rótulo de “forasteiras” atribuído às duas ex-ministras, classificando-o como uma visão “misógina”.
Lei não exige nascimento no estado
A Constituição Federal e a legislação eleitoral brasileira não exigem que um candidato tenha nascido ou iniciado sua carreira política no estado em que pretende disputar uma eleição. Entre os requisitos para concorrer estão nacionalidade brasileira, filiação partidária, pleno exercício dos direitos políticos e domicílio eleitoral na circunscrição por pelo menos seis meses antes da eleição.
Casos semelhantes são comuns na política brasileira. O próprio Tarcísio foi eleito governador de São Paulo após transferir seu domicílio eleitoral para o estado em 2022. Outros exemplos incluem a deputada federal Rosângela Moro, natural do Paraná e eleita por São Paulo, além de figuras históricas como Luiza Erundina, paraibana que governou a capital paulista, e Fernando Henrique Cardoso, nascido no Rio de Janeiro e eleito senador por São Paulo antes de chegar à Presidência da República.

Disputa pelo Senado
As declarações acontecem em meio ao acirramento da disputa pelas duas vagas paulistas ao Senado nas eleições deste ano. Segundo pesquisas de intenção de voto divulgadas recentemente, Marina Silva e Simone Tebet aparecem entre as candidatas mais bem posicionadas, à frente dos nomes apoiados por Tarcísio, o secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP) e o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL).

O episódio amplia o embate entre o campo ligado ao governador e a chapa apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo, transformando a discussão sobre origem política e domicílio eleitoral em mais um tema da pré-campanha ao Senado.

