A Polícia Federal (PF) rejeitou pela segunda vez a proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master e principal alvo da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e monitoramento ilegal. A decisão foi comunicada à defesa do empresário e ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso. Saiba mais na TVT News.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades e por veículos de imprensa que acompanham as investigações, os delegados responsáveis pelas negociações concluíram que a nova versão da colaboração não trouxe elementos substancialmente diferentes daqueles já obtidos pela Polícia Federal ao longo da apuração. A avaliação dos investigadores é de que Vorcaro continua sem apresentar provas capazes de corroborar parte significativa de seus relatos.
Apesar da negativa da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda não concluiu a análise do pedido e não apresentou uma manifestação definitiva sobre a proposta.
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Vorcaro está preso desde 4 de março deste ano, após ser alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero. Desde então, seus advogados tentam negociar um acordo de colaboração que possa contribuir com as investigações conduzidas pela PF e supervisionadas pelo STF.
Falta de novidades e provas
A primeira tentativa de delação já havia sido rejeitada em maio. Na ocasião, investigadores concluíram que o material entregue pela defesa não apresentava informações inéditas em relação ao conjunto de provas já reunido durante a investigação. Além disso, os relatos não continham uma admissão clara de participação em crimes nem detalhavam suficientemente a atuação de outros envolvidos.
Após a primeira recusa, Vorcaro reformulou sua estratégia jurídica. Houve troca na equipe de defesa, redução do número de advogados envolvidos no caso e apresentação de novos anexos às autoridades. A nova proposta, protocolada no início de junho, ampliou o escopo das declarações e passou a incluir informações sobre relações com integrantes dos Três Poderes, além de supostos pagamentos a agentes políticos.
Mesmo assim, os investigadores consideraram que os acréscimos não foram suficientes para alterar a avaliação inicial. Nos bastidores da investigação, a percepção é de que o ex-banqueiro continua omitindo fatos relevantes e evitando implicar personagens considerados centrais para o esclarecimento completo do esquema.
Outro obstáculo apontado pela PF é a dificuldade de comprovação das informações fornecidas. Como está preso, Vorcaro teria limitações para acessar documentos e registros que poderiam confirmar suas alegações. Para os investigadores, uma colaboração premiada exige não apenas relatos, mas também elementos concretos que permitam verificar a veracidade das acusações.
Operação investiga esquema bilionário
A Operação Compliance Zero tornou-se uma das maiores investigações financeiras em curso no país. Segundo a Polícia Federal, o esquema pode envolver desvios e fraudes que alcançam cifras bilionárias.
As apurações tiveram início em novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, enquanto tentava embarcar em um jatinho particular com destino a Dubai. Naquele mesmo período, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de sua corretora de câmbio.
Desde então, a operação avançou em sucessivas fases. As investigações passaram a alcançar familiares, executivos, agentes públicos e aliados do ex-banqueiro. Houve bloqueio de bilhões de reais em ativos, apreensão de veículos de luxo, obras de arte, relógios e grandes quantias em dinheiro vivo.
Na terceira fase da operação, realizada em março deste ano, a PF passou a investigar também suspeitas de intimidação de adversários, invasão de dispositivos eletrônicos e atuação de um grupo informal de monitoramento e coerção que teria sido organizado por pessoas ligadas a Vorcaro.
Já as fases posteriores alcançaram o núcleo político do caso, com diligências envolvendo autoridades e ex-dirigentes de instituições financeiras. A investigação também passou a apurar suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de imóveis e eventual utilização de estruturas públicas para favorecer operações relacionadas ao Banco Master.
Mudanças na situação prisional
As dificuldades para avançar na negociação da delação também repercutiram na situação prisional de Vorcaro.
Ao longo dos últimos meses, ele foi transferido entre diferentes unidades de custódia. Depois de passar pela Penitenciária Federal de Brasília, o ex-banqueiro foi levado para a Superintendência da Polícia Federal na capital federal.
Em determinado momento, permaneceu em uma sala especial semelhante às chamadas salas de Estado-Maior. Posteriormente, foi transferido para uma cela comum da corporação. As mudanças ocorreram após decisões autorizadas pelo ministro André Mendonça e acompanharam o andamento das negociações relacionadas ao acordo de colaboração.
Segundo relatos divulgados pela imprensa, a PF também adotou regras mais restritivas para as visitas de advogados, seguindo os procedimentos ordinários aplicados aos demais presos custodiados na superintendência.
Negociações continuam abertas
Embora a segunda proposta tenha sido rejeitada, a possibilidade de um futuro acordo não está descartada. Pela legislação brasileira, investigados podem apresentar novas propostas de colaboração sempre que houver informações relevantes e passíveis de comprovação.
A avaliação da Polícia Federal, contudo, é de que qualquer avanço dependerá da apresentação de fatos efetivamente novos e acompanhados de elementos probatórios consistentes.
Enquanto isso, a PGR continua examinando a documentação encaminhada pela defesa. A manifestação do órgão poderá influenciar os próximos passos das negociações e do próprio andamento da Operação Compliance Zero, que segue sob supervisão do STF.
Com a nova negativa, cresce a pressão sobre Daniel Vorcaro para que apresente informações consideradas úteis pelas autoridades. Até o momento, entretanto, a Polícia Federal mantém o entendimento de que o material entregue não atende aos requisitos necessários para a celebração de um acordo de colaboração premiada.

