51% dos empreendedores não preveem impacto com fim da 6×1

André Spinola do SEBRAE falou nesta quarta (13) na sessão da Câmara sobre o fim da escala 6x1; veja detalhes da pesquisa
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Pesquisa do Sebrae mostra que cresceu o número de empreendedores que avaliam que o fim da escala 6×1 não trará impactos negativos para o funcionamento de suas empresas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O estudo do Sebrae revela que 51% dos proprietários de micro e pequenas empresas, além de microempreendedores individuais (MEI), acreditam que fim da escala 6×1 não afetará seus negócios. Já 11% acreditam que a medida impactará positivamente seus negócios. Leia em TVT News.

O debate sobre a alteração na jornada de trabalho no Brasil apresenta novos dados que indicam uma mudança na percepção do setor produtivo. De acordo com a 12ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae, cresceu o número de empreendedores que avaliam que o fim da escala 6×1 não trará impactos negativos para o funcionamento de suas empresas.

Este índice demonstra um avanço em relação ao levantamento anterior, feito em 2024, quando 47% dos entrevistados compartilhavam dessa visão. O levantamento atual foi realizado entre os dias 19 de fevereiro e 18 de março de 2026, contando com a participação de 8.273 respondentes de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal.

Veja André Spinola do SEBRAE falando na Câmara sobre o fim da 6×1

Número de empreendedores que acredita que fim da 6×1 não afetará negócios cresceu

Em comparação a pesquisa anterior, o número de donos de pequenos negócios que conhece a proposta diminuiu, mesmo assim a quantidade de empreendedores que acreditam que fim da 6×1 não afetrá seus negócios aumentou.

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Empreendedores acreditam que fim da escala 6×1 não irá afetar seus negócios – Fonte: Sebrae

Menos empreendedores enxergam proposta de forma negativa

A pesquisa também aponta uma redução na resistência à proposta.

O grupo de empreendedores que visualiza um impacto negativo na mudança recuou de 32% em 2024 para 27% em 2026. Em contrapartida, a parcela que acredita em benefícios reais com o fim da escala 6×1 subiu de 9% para 11%. Veja gráfico acima.

Perfil de empreendedores

Dentro dos segmentos específicos de atuação, a Economia Criativa lidera a percepção de ganhos com a nova jornada, com 24% de respostas positivas. Na sequência, aparecem os setores de Logística e Transporte (17%) e a Indústria Alimentícia (16%). Outros ramos como academias, beleza e agronegócio também figuram entre os que não preveem prejuízos em suas atividades operacionais.

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Perfil de empreendedores – Fonte: Sebrae

Empresas de pequeno porte têm visão mais negativa sobre medida

É maior entre as EPP a proporção de empresários que entendem que o impacto será negativo. Em relação a ação para reduzir o impacto negativo, ME e EPP apresentam resultados semelhantes. Desses empresários de pequeno porte, 52% acreditam que fim da 6×1 afetará negativamente negócios, enquanto 35% não acreditam que afetará.

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Micro empresas e empresas de pequeno porte sobre fim da 6×1 – Fonte: Sebrae

Fim da escala 6×1: uma oportunidade de modernização

Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, a Pesquisa Pulso funciona como um termômetro essencial para a formulação de políticas de apoio. Ele ressalta que as alterações na jornada de trabalho devem ser pautadas pelo diálogo amplo com a sociedade para garantir sustentabilidade tanto para as empresas quanto para os trabalhadores.

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A instituição defende que a produtividade e a inovação, incluindo o uso de Inteligência Artificial e novas metodologias de gestão, são caminhos para que as empresas absorvam a mudança de forma eficiente.

“Os nossos esforços agora são no sentido de apoiar essas empresas para as mudanças na prática”, afirma Soares. O objetivo é transformar o desafio da escala 6×1 em uma oportunidade de modernização organizacional.

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Pesquisa Sebrae mostra que 51% dos proprietários de micro e pequenas empresas, além de microempreendedores individuais (MEI), acreditam que fim da escala 6×1 não afetará seus negócios. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Fim da escala 6×1 está em debate na Câmara dos Deputados

A pauta ganhou força principalmente após o crescimento das denúncias sobre adoecimento físico e mental provocado por jornadas extensas, baixos salários e dificuldade de convivência familiar.

A chamada escala 6×1, modelo em que a pessoa trabalha seis dias consecutivos e descansa apenas um, é bastante comum em setores como comércio, telemarketing, supermercados, logística, segurança privada, limpeza urbana e serviços terceirizados. Trabalhadores desses segmentos frequentemente relatam exaustão, dificuldade para estudar, falta de tempo para cuidados pessoais e redução do convívio social.

A comissão especial criada na Câmara vai analisar propostas que alteram a Constituição e a legislação trabalhista para permitir uma redução da jornada semanal sem redução salarial. O debate também dialoga com experiências internacionais de semana de quatro dias de trabalho e reorganização do tempo produtivo.

Estudos do Instituto de Pesquisa e Estatística Aplicada (Ipea) indicam que a economia brasileira tem condições de absorver a redução da jornada. No entanto, o Ipea alerta para desafios em empresas muito pequenas, com até quatro funcionários, que podem enfrentar dificuldades na organização das escalas e aumento de custos. Para mitigar esses riscos, discute-se a implementação de incentivos fiscais, linhas de crédito facilitadas e programas de capacitação.

Qualidade de vida

Além da visão dos empreendedores, a opinião pública demonstra forte apoio à medida. Segundo dados do Instituto Nexus, 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, sob a condição de que não ocorra redução nos salários.

O presidente do Sebrae reforça que a mudança pode proporcionar avanços na oferta de emprego e na dignidade do trabalhador. A expectativa é que, com mais tempo de descanso e melhores condições de vida, os profissionais possam produzir com mais qualidade, gerando um ciclo positivo de cidadania e renda no ambiente laboral brasileiro.

Dados da Pesquisa Pulso (12ª Edição)

Abaixo, os detalhes sobre o perfil dos participantes do levantamento realizado pelo Sebrae:

Microempreendedores Individuais (MEI)

Correspondem a 53% dos respondentes da pesquisa.

Microempresas (ME)

Representam 40% do total de participantes do estudo.

Empresas de Pequeno Porte (EPP)

Somam 7% dos empreendedores que responderam ao formulário.

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