Mais de oito em cada dez lojas de atacarejo registraram melhora nas vendas nas três semanas posteriores à proibição das bets, as apostas on-line no Brasil. Os dados são de um levantamento da NielsenIQ. Leia em TVT News.
Na semana encerrada em 25 de outubro, 84,3% dos estabelecimentos do segmento apresentaram desempenho positivo. No mesmo período, o faturamento do atacarejo avançou 7,8%, enquanto o volume de unidades comercializadas aumentou 2,4%, na comparação com o intervalo equivalente de 2025.
O resultado foi superior ao observado em outros canais do varejo, como supermercados, farmácias e lojas de conveniência. Nesses estabelecimentos, 56,9% registraram melhora nas vendas.
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Consumidores ampliaram participação de produtos mais caros
A pesquisa também identificou mudanças no perfil das compras. Entre as semanas 36 e 43, o indicador de composição da cesta de produtos no atacarejo subiu 2,61%, apontando maior presença de mercadorias com preços mais elevados. O movimento foi mais evidente nas categorias de refrigerantes e cervejas.
No mesmo intervalo, o preço de uma cesta fixa de alimentos teve aumento de 0,65%.

O levantamento considerou um painel de 16.353 estabelecimentos de diferentes segmentos do varejo. A metodologia comparou o desempenho das mesmas lojas com períodos equivalentes de 2025, acompanhando faturamento, quantidade de produtos vendidos e composição das compras.
Embora o levantamento não comprove uma relação direta de causa e efeito entre os acontecimentos, os resultados apontam uma recuperação mais disseminada no atacarejo em comparação com os demais canais de varejo analisados.
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Consumo de alimentos básicos também cresce após restrição às bets
Um levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) divulgado em outubro também identificou aumento nas compras de arroz, óleo, macarrão e café nas semanas seguintes à restrição das apostas on-line. As vendas de supermercados e atacarejos avançaram 6,5% entre 5 e 11 de outubro e 6,3% na semana seguinte, na comparação com os mesmos períodos de 2025.
A entidade relaciona parte do crescimento à redução dos gastos das famílias com apostas, que teria liberado recursos para despesas essenciais. Dados do Banco Central citados pela associação apontam queda de 10% nas transações via Pix logo após a medida provisória que restringiu as bets.
A Abras avalia que a mudança no comportamento de consumo indica uma possível recuperação do poder de compra das famílias, especialmente entre as de menor renda, que destinam uma parcela maior do orçamento à alimentação. A entidade destaca que a redução dos gastos com apostas pode contribuir para que mais dinheiro seja direcionado à compra de produtos básicos, embora os dados não permitam atribuir toda a alta nas vendas exclusivamente à restrição das bets.
Proibição das bets é caso de saúde pública
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu a continuidade da proibição das bets nesta terça-feira (3) durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) conduzida pelo ministro Luiz Fux.
Pela manhã, representantes de clubes de futebol defenderam a derrubada da proibição. O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, chegou a dizer que o drama das famílias endividadas é menor que o de eventuais desempregos causados pela proibição das bets.
Padilha comparou o posicionamento dos clubes com o seu. O ministro da Saúde afirmou que sua briga é pelas mulheres que, por vergonha, não buscam ajuda para lidar com o vício, pelas pessoas que tiram a própria vida e pelos profissionais de saúde que lidam com os casos de ludopatia.